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Tom Zé tem dia de rei em Nova York

Tom Zé acaba de se transformar no maior agitador cultural brasileiro que passou por Nova York nos últimos anos. O cantor foi consagrado pelo público de mais de mil pessoas que lotou o Irving Plaza na noite de anteontem, quando se apresentou acompanhado pelo grupo Tortoise, de Chicago. O brasileiro atraiu centenas de estudantes universários americanos e críticos de publicações como o New York Times, Rolling Stone, Interview e Village Voice para o show que faz parte da turnê Zé2K, que vai passar por seis cidades do país.

Recebido como ídolo cult, Tom Zé não podia estar mais à vontade. “Estou muito emocionado com tudo o que está acontecendo, já que no Brasil eu fui enterrado vivo em 1940 e depois , de novo, em 1970”, disse antes do show. O músico, que havia se apresentado em Boston na noite anterior, passou o dia dando entrevistas para veículos internacionais. Tom Zé estar muito satisfeito com a relação com David Byrne, que, por meio do seu selo, Luaka Bop, foi o responsável pelo lançamento dos discos nos EUA.

Quando Byrne subiu no palco para anunciar a chegada do músico, logo depois do show de Vinícius Cantuária, o público se mostrava ansioso. Tom Zé começou a apresentação com a música Nave Maria, que prendeu a atenção da platéia. Em seguida veio Curiosidade, que abre o disco Com Defeito de Fabricação, que vem tendo boa execução em emissoras de rádio universitárias.

Tom Zé conseguiu integração com a platéia – público não fluente em português – com sua comunicação e expressão corporal. Apesar de estar estudando inglês, ele ainda tem um carregado sotaque e cria jogos de palavras e metáforas inspiradas no português. Ele arrancou risadas ao falar que no Brasil ele é “um escravo”. “Mas aqui eu sou o rei”.

Guto Barra, da Planet Pop, de Nova York




Jornal da Tarde