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Tom
Zé e Otto reinam na noite mais variada do Heineken O baiano e o pernambucano fizeram os shows mais marcantes no encerramento do festival no Tom Brasil, que reuniu brasileiros de diversas tendências e pouco populares O futuro tem ódio do pai, mas vai atrás do avô, profetizou o mestre-de-cerimônias Tom Zé, na abertura, ao anunciar as atrações. Ele próprio uma síntese do que viria a seguir, chegou confundindo para esclarecer. Foi o melhor representante de uma reunião de ETs que a televisão e o rádio brasileiros continuam ignorando. No exercício da inteligência, a peculiaridade musical de Tom Zé reverbera no jogo cênico de gestos espasmódicos, olhos esbugalhados, oralidade sincopada, trajes anticonvencionais, como um parangolé, camisa de meio colarinho e um blaser com lapela nas costas, que acaba retalhado numa espécie de strip-tease superficial e tenso. Um misto de videoclipe e cartoon vivo. Invenção e humor De seu excelente novo álbum, Com Defeito de Fabricação (que a Trama acaba de lançar no Brasil), escolheu Curiosidade (quem é que está botando dinamite na cabeça do século?), Politicar (vá tomar no verbo seu filho da letra), e Juventude Javali (se na juventude já vem tudo javali, o afoito desse coito é coisa que já la vi), intrigando a platéia de maioria recém-saída da adolescência. Animal, alguém definiu na lata. Modernidade retrô Poucos entenderam o que Otto quis dizer com: Ou esse país muda agora, ou vai mudar daqui a 60 anos, comigo, mas a maioria deixou evidente que foi ao Tom Brasil para vê-lo. Ao mesmo tempo mostrou-se predisposta a prestar atenção nos demais convidados. Baixada a poeira do forró, o Duofel teria dificuldade de manter a concentração, mas não teve. Fernando Melo e Luiz Bueno extraíram, como de hábito, de dois violões uma infinidade de efeitos, expandindo suas cordas para regiões pouco usuais. Homenagearam Tom Zé (numa versão de Tropicália, de Caetano Veloso, e na estética da quebradeira vocal em Surfando no Trem), Egberto Gismonti e o grupo mineiro Uakti. Funk sem brilho Com menos da metade do público que ficou até o show de Otto, o M4J encheu o ambiente com sua parafernália eletrônica. A competência do DJ Mau Mau e seus três parceiros e a boa qualidade técnica não eliminaram um certo enfado pela previsibilidade de seus beats programados depois do segundo set. Não estávamos diante de um Fatboy Slim ou de um Justin Robertson. O M4J parece não ter diferencial de tantos outros projetos de tecno. Mas é bom. Curiosamente, a fusão do tecno com a quadrilha de Caruaru evidenciou que a repetição não é característica de um só gênero. Lauro Lisboa Garcia
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Jornal da Tarde |