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Dinamite tropicalista de Tom Zé sai em CD
O primeiro disco da sua carreira, produzido em 1968, está sendo lançado
pela Sony Music
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Kleide Teixeira/Divulgação
Tom Zé mantém o compromisso de acordar os ouvintes
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JANAINA ROCHA
Apesar de "falidos de utopia e depauperados de filosofia",
um e outro acontecimento na indústria fonográfica nacional alimentam a
idéia de que nem tudo está perdido. Essa retratação com a história
musical diz respeito ao disco tropicalista Tom Zé, de 1968, que está
sendo lançado pela Sony Music, graças à descoberta do escritor e
letrista Carlos Rennó. "Ele levantou essa lebre de que todos os
discos do tropicalismo já haviam sido lançados, menos o meu",
afirma Tom Zé.
Uma das barreiras para que Tom Zé não saísse antes em CD foi o
fato de a matriz desse que foi o primeiro LP do compositor pertencer
a uma pequena e extinta gravadora pernambucana, a Rozenblit. Já
Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso e Os Mutantes tiveram seus
discos relançados em CD, pois, no começo da carreira, eram
artistas da multinacional Philips, hoje, Universal.
- No dia 1º de setembro de 1967, Tom Zé resolveu que ia ficar em São
Paulo.
- E, conseqüentemente, que começaria a fazer música popular.
Voltou a Salvador para terminar algumas matérias da faculdade.
Chegando na Bahia recebeu advertências, logicamente, ao modo calmo
baiano. "Menino, não vá fazer essas brincadeiras como as que
faz aqui com o povo de São Paulo, eles não vão suportar, são sérios,
amam a sua cidade", recorda.
- No dia 2 de janeiro de 1968, o compositor chegou aqui. E não
tinha canções.
- Na Universidade Federal da Bahia, estudava com compositores clássicos,
como Widmer, Koellreutter e Smetak.
- "Com esse disco eu debutei em São Paulo", afirma.
"São as minhas primeiras crônicas e impressões da
cidade." Aqui, morava na Rua Conselheiro Brotero.
- Acordava cedo e fazia músicas. Por volta das 14 horas, as levava
para Caetano e Gil - era a hora em que eles acordavam. De abril a
junho de 1968, Tom Zé compôs as 13 músicas do LP.
- "Eu não tinha noção de como compor canção popular, mas,
na época, fazia música a toque de caixa", recorda. "Eu
levava para Gil e Caetano e tinha a possibilidade de ter uma crítica
imediata." Uma das primeiras a serem feitas nesse disco foi
Parque Industrial, que entrou para o LP Tropicália ou Panis et
Circensis. "Todas as músicas que fazia não eram chamadas de música;
uma vez o júri de Flávio Cavalcanti reuniu-se para me dizer que
Parque Industrial não era música, não tinha letra de música, era
coisa nenhuma."
- Mas foi com uma dessas canções criticadas que Tom Zé ganhou o 4º
Festival de MPB da TV Record. A escolhida foi São São Paulo,
defendida em novembro de 1968, ao lado do grupo Os Brasões. A música,
que está no agora CD Tom Zé, já era uma "dinamite na cabeça
do século".
- Tom Zé continua compondo do mesmo jeito. "Perseguindo a não
complacência da beleza", analisa. "Sempre com o objetivo
de acordar o ouvinte." Namorinho no Portão - recentemente
regravada pelo grupo Penélope - é outra faixa que faz parte dessa
preciosidade fonográrica.
- Filme e biografia - Além do relançamento de Tom Zé,
outras produções artísticas demonstram apreço pelo pensamento
vivo do compositor. Recentemente, com o apoio do Itaú Cultural, foi
feito o documentário Tom Zé ou Quem Irá Colocar uma Dinamite na
Cabeça do Século, da cineasta Carla Gallo, que se propôs a
investigar as diversas características da personalidade do músico
e que compõem sua poesia. Ela, cuidadosamente, não recortou o
pensamento de Tom Zé, permitiu que o seu "vaivém literário",
como definiu a revista Caros Amigos, não fosse descaracterizado. Além
disso, a jornalista baiana Tatiana Lima está fazendo a sua
biografia.
- No momento, Tom Zé produz novo CD. "Ulisses Guimarães dizia
que ninguém sabe o que vai sair do destino de criança e urna
eleitoral, assim sou eu em relação a disco." Alê Siqueira é
o produtor do novo álbum. Ele produziu Parabelo, trilha musical
feita em parceria com Zé Miguel Wisnik para o Grupo Corpo. "É
um novo engenheiro de som e produtor de muita capacidade, deixei de
gravar nos Estados Unidos para gravar aqui com ele", afirma.

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