TOM ZÉ - SÉRIE DOIS MOMENTOS VOL.15

Tom Zé (Continental)

Silvio Essinger
 

  

 
A grande oportunidade é essa: ouvir na íntegra o disco que fez David Byrne desafiar as trevas da maldição e resgatar Tom Zé para o mundo. E não há quem se decepcione ao passar da capa – com cordas e arame farpado se entrelaçando, por baixo de um enorme Samba – para o CD: o músico baiano estava no auge de sua inventividade, tirando sons absolutamente novos de instrumentos tão comuns quando violão, cavaquinho e percussão e parindo poesia do mais alto nível. Os estudos com mestres da música erudita de vanguarda na juventude em Salvador prepararam Tom Zé para vôos como os de e Toc, de um minimalismo orquestrado, repetivivo na aparência, com seus monossílabos, mas organizadas em camadas de sons (inclusive gemidos, ruídos de máquinas de escrever) que vão se alternando engenhosamente – coisa para muito produtor de música eletrônica dos dias de hoje ouvir em êxtase. Em Estudando o Samba, localiza-se ainda uma das mais impressionantes recriações do baiano: A Felicidade, de Tom (Jobim) e Vinicius de Moraes, com violão e voz mais atropelados do que João Gilberto poderia supor. E mesmo os sambinhas do disco são ainda mais falsamente ingênuos que os de costume. Tô, parceria do baiano com Elton Medeiros, resume a filosofia reinante: "Eu tô te explicando pra te confundir/ eu tô confundindo pra te esclarecer". Diante do Estudando, o Correio da Estação do Brás pode ser até considerado um disco convencional, mas não deixa de ter seu valor como um belo tratado sobre a vida dos migrantes nordestinos que se estabeleceram em São Paulo (como o próprio músico). Tem a faixa-título (que voltou, em 1992, no disco The Hips of Tradition, reciclada como Feira de Santana), as curiosamente sacrílegas Menina Jesus e O Pecado Original ("Aquele que nasce pobre/ sem nome e sem cabedal/ não pode trazer o peso/ de um pecado original") e algo tão espirituoso quanto Pecado, Rifa e Revista (três coisas que "o pobre só paga à vista"). Depois de estudar com afinco o samba, Tom Zé se sentiu bem à vontade para criticá-lo no Correio: Lá Vem Cuíca e Na Parada de Sucesso (parceria com Vicente Barreto) dão suas bordoadas na mercantilização do gênero.

Faixas

1  
  
 
(Tom Zé)
 
2  
 
(Tom Jobim - Vinicius de Moraes)
 
3  
Toc  
 
(Tom Zé)
 
4  
  
 
(Elton Medeiros - Tom Zé)
 
5  
 
(Tom Zé)
 
6  
 
(Odair - Tom Zé)
 
7  
Doi  
 
(Tom Zé)
 
8  
 
(Elton Medeiros - Tom Zé)
 
9  
Hein?  
 
(Tom Zé - Vicente Barreto)
 
10  
 
(Tom Zé)
 
11  
Se  
 
(Tom Zé)
 
12  
Índice  
 
(Heraldo do Monte - José Briamonte - Tom Zé)
 
13  
 
(Tom Zé)
 
14  
Morena  
 
(Domínio Público - Tom Zé)
 
15  
 
(Tom Zé)
 
16  
Carta  
 
(Tom Zé)
 
17  
 
(Tom Zé)
 
18  
 
(Tom Zé)
 
19  
 
(Tom Zé)
 
20  
 
(Tom Zé)
 
21  
 
(Tom Zé - Washington Olivetto)
 
22  
 
(Tom Zé - Vicente Barreto)
 
23  
 
(Tom Zé - Vicente Barreto)