Tom Zé
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Demorou, mas Tom Zé reconquistou o Brasil. O
mais experimental dos tropicalistas, que foi do ostracismo ao sucesso no
circuito cult dos Estados Unidos (graças à mão do talking head David
Byrne), só voltou a ser figura popular em seu país (onde já havia até
vencido festival, com São São Paulo) no ano passado, quando o CD Com
Defeito de Fabricação (1998, Luaka Bop) ganhou lançamento nacional, a
promoção que merecia e, enfim, o Grande Prêmio da Associação Paulista de Críticos
de Arte. Sucesso novamente na doce voz de Érika, da banda baiana Penélope (com
Namorinho de Portão), Tom Zé viu, como uma espécie de altamente
desejado efeito coleteral, a sua discografia voltar às lojas, em forma de CD.
Algumas semanas depois da reedição pela Sony Music de seu LP de estréia (Tom
Zé
,
que saiu em 1968 pela Rozemblit), chegam às lojas, em dois discos da série
Dois Momentos (organizada pelo baterista dos Titãs, Charles Gavin), nada menos
que quatro LPs fundamentais deste músico nascido em Irará, na Bahia. Se o
Caso é Chorar (1972) e Todos os Olhos (73)
entram no volume 14 da coleção. Já Estudando o Samba (75, que Byrne
comprou desavisado numa loja no Brasil, acabando por se apaixonar pela obra de
Tom Zé) e Correio da Estação do Brás (78)
estão no volume 15.
Remasterizados (ou mesmo remixados) diretamente das fitas originais, que
apodreciam nos depósitos da gravadora Continental, os discos, que agora
ressurgem em caprichadas edições, com reproduções das capas originais,
fichas técnicas e fotos inéditas, representam o filé da discografia de Tom Zé
– basicamente, aquela que o padrinho gringo condensou, em 1990, na coletânea The
Best of Tom Zé, a responsável pela ressurreição da carreira do músico,
que já pensava em voltar para Irará para trabalhar no posto de gasolina de um
sobrinho. Às portas de mais um disco, pela Trama (que lançou Com Defeito
por aqui), o baiano agora fica com apenas uma lacuna em sua discografia digital:
o LP Nave Maria, que saiu em 1984, pela RGE.
Da mesma gravadora, por sinal, é o disco Tom Zé, de 1970 (que tem Qualquer
Bobagem, parceria com os Mutantes, regravada nos anos 90 pelo Pato Fu),
relançado em CD em 1994 (na série Prestígio) e rapidamente transformado em peça
de colecionador. Faixas desses dois discos da RGE estão na coletânea 20
Preferidas, de 1997, outro itenzinho cada vez mais difícil de se achar.
Pergunta para a Som Livre (detentora do catálogo da finada gravadora): está na
hora de reeditar esses LPs, não é?