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Tom Zé diverte a platéia com seu chamegá
Na estréia do show do disco Jogos de Armar, em São
Paulo, o mais tropicalista dos tropicalistas arma um happening,
no qual funde vários tipos de dança populares ao som dos mais
inusitados instrumentos
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Tom Zé
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Tom Zé não deixaria por menos. No show de lançamento do CD Jogos
de Armar
, quarta-feira à noite, no DirecTV Music Hall, em São Paulo, o
irreverente compositor e cantor baiano surpreendeu e divertiu a
platéia do começo ao fim. Muita gente não entendeu quando ele e
sua banda surgiram no palco, antes mesmo que as portas da platéia
fossem fechadas, que as luzes se apagassem e o costumeiro vídeo
com as normas de segurança surgisse nos telões. Quem já
conhecia o novo disco percebeu logo que a aparente maluquice tinha
total sentido. Afinal, tratava-se de Passagem de Som, a
divertida faixa de abertura. Que momento melhor haveria para mostrá-la,
se não antes que o show propriamente dito começasse?
O palco mais parecia uma serralheria, com grandes armações e
cavaletes de madeira sustentando esmeris, batedeiras, aspiradores
de pó e liqüidificadores, transformados em bizarros instrumentos
musicais. Em alguns números, como a nova versão da conhecida Jimi
Renda-se, essa parafernália parecia ter vida própria, como
um Frankenstein sonoro, capaz de desafiar os controles de Tom Zé
e seus músicos. Tocando quase todas as faixas do novo álbum, o
compositor e cantor baiano confirmou ser um showman
completo, que sabe usar sua verve irônica e bem-humorada para
conquistar a platéia. Até mesmo para ajudá-lo a cantar refrões
recheados de palavrões, como os de Moeda Falsa ("Ô,
cabrobó / eles vão tomar no fiofó").
Foi assim também com o impublicável refrão de Chamegá,
outra invenção do compositor baiano, que lança um novo ritmo já
acompanhado de uma espécie de dança, demonstrada com muita
energia e graça por quatro casais de bailarinos. Trata-se, na
verdade, de uma hilariante colagem de elementos de várias
manifestações coreográficas populares brasileiras, como a
umbigada, a lambada e o samba de gafieira, que se misturam a impagáveis
tapas na região glútea e fungadas no pescoço.
Decidido a tirar o atraso das duas décadas em que viveu no
ostracismo, Tom Zé não se contenta apenas em lançar ritmos e
danças, ou em misturar formas e estilos musicais. Seu show ganha
ares de happening visual e sonoro, quando as fagulhas elétricas
dos esmeris produzem um hipnótico espetáculo de fogos de artifícios,
que tem como trilha sonora os estranhos sons do hertzé, do buzinório,
do enceroscópio e outros "instromzémentos". Entre a
surpresa e o estranhamento, o que mais a platéia poderia esperar
do mais tropicalista dos tropicalistas?
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