Tom Zé empolga platéia com "oficina"de música
Frances Jones
Reuters
SÃO PAULO
-
O baiano Antônio José Santana Martins bem que entrou disfarçado
de técnico, mas a platéia do DirectTV Music Hall logo viu Tom Zé,
de macacão e boné azul, com um pedaço de esparadrapo no rosto,
óculos amarelos e uma falsa corcunda, cantando "Passagem de
Som", a primeira faixa de seu novo CD, "Jogos de Armar
-- Faça Você Mesmo", na noite de quarta-feira.
Foi a primeira provocação do compositor da Tropicália no
show de lançamento do disco, que levou ao palco instrumentos --
ou instruzémentos -- criados por ele ainda na década de 70.
O show começou antes mesmo dos avisos de segurança da casa. O
enceroscópio (arquitetado com enceradeiras e liquidificadores) e
o buzinório (tubos de PVC ligados a buzinas), somados a alguns
esmeris, davam ao palco um toque de oficina de consertos ou
laboratório de algum cientista maluco.
Durante uma hora e meia de show, o público viu que a
criatividade das invenções não se restringia aos instrumentos.
Mistura de ritmos e letras críticas e bem-humoradas foram a marca
das canções apresentadas -- tanto as inéditas quanto as já
conhecidas do público.
O tom antiimperialista predominou. "O dólar é moeda
falsa/O americano já não segura as calças/A Alemanha quase
pedindo esmola/A inglesa não usa mais calçola", disse na
canção "Moeda Falsa". Ou na dançante "Chamegá":
"A"chegou o gringo com/o sequencer para prender/o músico
brasileiro na camisa-de-força/do metronímico 4/4
rock-pop-box."Acompanhado por outros nove músicos e seis
bailarinos, Tom Zé animou mesmo a platéia na sequência que começou
com "Desafio", incluiu a belíssima "Lua-Gira-Sol"e
uma versão moderna de "Pisa na Fulô", apresentou
"Chamegá"e terminou com "Xique-Xique", feita
em parceria com José Miguel Wisnik.
(...)
Impossível
não se impressionar com o vigor do músico de 64 anos nem sair do
show com a certeza de ter visto um artista apaixonado pelo que
faz.