TOM ZÉ, LÚMPEN REVOLUCIONÁRIO

É impressionante. O disco de estréia de Tom Zé, de 1968, deveria deixar constrangida parte dessa moçada que acha que está sendo moderna em 2000. Em faixas como Não Buzine, usando uma linguagem satírico-musical de banda do interior, ele faz uma música lúmpen-revolucionária de primeiríssima qualidade. Sua canção São São Paulo, torta e crua, dá de 10 no hino onipresente de Caetano sobre a cidade, mas, como Narciso acha feio o que não é espelho... Simples, direto, falsamente minimalista, ele era um terror.

Antiintelectual, fazia música popular que seu mundo não compreendia. Mas que hoje deve ser item obrigatório em qualquer prateleira que se preze. (J.M.)