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velho rebelde Tom Zé comemora o sucesso lançando novas invenções Bernardo Araújo
Na ocasião, ele fabricou instrumentos a partir de eletrodomésticos, mas nenhuma gravadora quis lançar um disco gravado com eles. - Pior era que eu não tinha onde guardá-los - conta Tom de São Paulo, por telefone. - Aí levei para o sítio de um amigo, com o passar do tempo, o caseiro dele usou tudo como lenha na fogueira. Os instrumentos, como o próprio inventor admite, são difíceis de se descrever. O xodó de Tom é o hertZé (uma espécie de sampler, acionado por teclados, que tem como função trabalhar em uma região das vibrações próxima à dos outros instrumentos), além do enceroscópio (feito com enceradeiras, aspiradores, liqüidificadores), a serroteria (feita com canos de madeira, PVC e outros materiais) e outro dos favoritos, o buzinório (um conjunto de buzinas manejadas, também transpostas para um teclado). Boa parte do disco foi composta já no estúdio. - Deus me oferece uma dádiva: vou para o estúdio com 80% das idéias na cabeça, mas acabo esquecendo um pouco e fico só com 60%, o que me obriga a criar mais - diz. - É uma armadilha do bem. Tom comemora o sucesso e diz que teria se vendido sem problemas, se pudesse. - O problema é que só sei fazer música assim. Ele acha que sua fama de compositor de difícil assimilação foi contrariada com a apresentação no festival Abril Pro Rock do ano passado. - Eram 8.500 pessoas, que me aplaudiram do início ao fim do show - conta. - Não tiraram os meninos e colocaram intelectuais, aquele era o público do festival mesmo. |