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TROPICALICALISMO Por Sérgio Barbo
Segundo o próprio, são nove discos no total colocados no mercado. Além dos lançamentos nacionais, foram relançados nos Estados Unidos The Best of Tom Zé (de 1990, o disco que colocou-o em evidência no exterior) e The Hips of Traditions (de 1992, gravado pela Luaka Bop, selo de David Byrne). "Passei nove anos sem um disco. Agora lançam nove em um ano", espanta-se. Se isso não bastasse, ele também foi agraciado com um documentário, Tom Zé ou Quem Irá Colocar uma Dinamite em Sua Cabeça, feito recentemente pela cineasta Carla Gallo, em parceria com o Itaú Cultural. O momento atual recoloca, assim, o artista na mídia, local que ele não visitava desde os primórdios de sua carreira quando, acompanhado pelo grupo Os Brasões, ganhou o festival de MPB com "São São Paulo Meu Amor", em 1967. "Essa música, mais 'Jeitinho Dela' (de 1970) e 'Se o Caso é Chorar' (de 1972) tocavam muito no rádio. 'Se o Caso é Chorar' chegou no primeiro lugar numa época em que só tinha música americana na parada", relembra Tom, para deixar claro que o sucesso não é algo totalmente desconhecido para ele. Entretanto, depois daquela fase inicial de êxito as experiências sonoras de Tom Zé - cujo aprendizado sonoro ocorreu na Bahia com músicos de vanguarda como Koellreutter, Smetak e Ernst Widmer - começaram a causar um estranhamento em seus ouvintes. "Esse disco, Todos os Olhos, me afastou da mídia", conta ele, se referindo ao álbum de 1973 (relançado pela Warner na série Dois Momentos) em cuja capa figurava um close de uma bolinha de gude sugestivamente posicionada num ânus. As audácias estéticas cobraram seu preço e o artista se viu relegado ao esquecimento nos anos seguintes. "Vivia viajando numa Brasília amarela com o Vicente Barreto, tocando para a classe estudantil. Queria fazer música popular, mas levei fama de autor sofisticado, de artista cult nos Estados Unidos". Foi, alías, o ex-Talking Heads David Byrne o grande responsável pelo redescobrimento de Tom Zé, ao lançar discos dele no exterior no começo dos anos 90. Cake, Tortoise, Sean Lennon, entre outros artista estrangeiros se tornaram fãs. Reconhecido lá fora, ele só foi se livrar da pecha de artista maldito por aqui somente no ano passado quando emocionou o público do festival Abril Pro Rock, em Recife. "O povo não me deixava mais sair do palco", conta. Lançado pela Trama, Jogos de Armar (Faça Você Mesmo) é seu primeiro trabalho gravado no país em muitos anos e reafirma sua posição como o autêntico perpetuador dos experimentos da tropicália. Entre as inovações do disco, há um ritmo novo batizado com o nome da faixa "Chamegá", instrumentos criados com buzinas, enceradeiras e canetas esferográficas (originados na verdade de um projeto abortado em 1978) e até um disco sobressalente com fragmentos sonoros de canções do CD principal, que segundo o artista servem para o ouvinte remanejar e se tornar um virtual parceiro musical. Em todo caso, ainda há espaço para momentos mais "tranqüilos" como nas releituras, subversivas na verdade, das tradicionais "Pisa na Fulô" (de João Vale) e "Asa Branca" (Luís Gonzaga). "Como todo disco novo eu tenho medo que isso não funcione, que só venha a ser assimilado posteriormente como foi com Estudando o Samba", confessa o inquieto tropicalista, cuja vontade na realidade é alcançar o maior número de pessoas. "Meu sonho é tocar na estação rodoviária", declara o quase popular Tom Zé.
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