NUM MUNDO QUE CANTA EM CORO, A MÚSICA PREENCHE LACUNAS CULTURAIS

Jon Pareles

 

         O fim de semana do 4 de Julho celebra o ideal americano de serem os Estados Unidos um nascedouro de democracia e pluralismo. É um bom momento de pensar a América, especialmente em Nova York,  como espelho e microcosmo do mundo situado além de suas fronteiras, um lugar onde se ouve o eco de quase todas as culturas humanas.

BRASIL

         Tom Zé foi o compositor mais radical e brincalhão da Tropicália,  movimento brasileiro do final dos anos sessentas, e  mantém a mesma postura. “Jogos de Armar” (importado, selo Trama), é a um só tempo intelectualmente refinado e de um dadaísmo singular. As canções de Mr. Zé são efervescentes e  surpreendentes, com letras que jogam com non sequitur, construindo trocadilhos e jogos de palavras; ao mesmo tempo, ele converte cada arranjo numa caixa de Pandora. Usando tanto instrumentos convencionais como buzinas, feedback,  retalhos de risinhos  e uma variedade de zumbidos e silvos mecânicos,  arremessando um arremedo de polifonia coral bachiana acompanhada por percussão brasileira, equilibrando melodias joviais e contrapontos dissonantes, ele não pode resistir à tentação de distorcer as canções até quase despedaçá-las. Mas não por completo. Seu vandalismo pop-maníaco é simplesmente divertido demais para que possamos resistir, especialmente porque fica claro que, por trás disso, ele não está brincando. Um cd-bônus reúne  as células e microcosmos que constituem as canções.

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