20 PREFERIDAS – TOM ZÉ (1997) RGE

Músicas:

1. VOCÊ GOSTA? 2:22
2. JEITINHO DELA 3:53
3. DISTÂNCIA 3:00
4. LÁ VEM A ONDA 2:59
5. IRENE 2:52
6. QUALQUER BOBAGEM 2:48
7. O RISO E A FACA 4:22
8. PASSAGEIRO 3:06
9. A GRAVATA 3:40
10. SILÊNCIO DE NÓS DOIS 3:09
11. SR. CIDADÃO 3:25
12. ESCOLINHA DE ROBÔ 2:30
13. GUINDASTE A RIGOR 2:41
14. DULCINÉIA POPULAR BRASILEIRA 2:21
15. ME DÁ, ME DÊ, ME DIZ 3:08
16. FEITIÇO 2:45
17. JIMI, RENDA-SE 3:36
18. NAVE MARIA 3:31
19. MESTRE SALA 4:12
20. BOLA PRA FRENTE 2:48

Letras:

7. O RISO E A FACA
(Tom Zé) – MusiclaveQuero 
ser o riso 
e o dente,
quero 
ser o dente 
e a faca,
quero 
ser a faca 
e o corte
em um só beijo 
vermelho.

Fiz meu berço 
na viração,
eu só descanso 
na tempestade,
só adormeço 
no furacão.

Eu sou a raiva 
e a vacina,
procura 
de pecado 
e conselho.

Espaço 
entre a dor 
e o consolo,
a briga 
entre a luz 
e o espelho.

Fiz meu berço 
na viração
eu só descanso 
na tempestade,
só adormeço 
no furacão.

 

 17. JIMI RENDA-SE 
(Tom Zé/ Valdez ) – Sonata
Guta me look mi look love me

Tac sutaque destaque tac she

Tique butique que tique te gamou

Toque-se rock se rock rock me

Bob Dica, diga,

Jimi renda-se!

Cai cigano, cai, camóni bói

Jarrangil century fox

Galve me a cigarrete

Billy Halley Roleiflex

Jâni chope chope chope chope

Ô Jâni chope chope

Ie relê reiê relê

   
18. NAVE MARIA 
(Tom Zé) – Ed. Brasil

 

Dudu, bidu, bidu, bidu, bi
mama água

Dudu, bidu, bidu,
papá, dá, dá-á

Quando eu cheguei das estrelas
entrei na terra
por uma caverna
chamada Nascer

E eu era uma nave
uma ave
da ave-maria
e como uma fera
que berra
entrei
na atmosfera

E cuspido, espremido,
petisco de visgo,
forçando a passagem
pela barreira,
sangrando, rasgando,
subindo a ladeira,
orgasmo invertido,
gritei quando vi:
já estava respirando.

 

19. MESTRE SALA 
(Tom Zé) – Ed. Brasil

 

O mestre-sala me tomou por uma negra,
roubou a minha noite
para o brilho das estrelas.
Doce é tê-las
sob as telhas.

O mestre-sala me tomou por um poema,
roubou a minha rima
para a musa do cinema
que me acena
nesta cena.

Me tomou por um pavão.
roubou as minhas penas,
foi dançar pro rei de Atenas.

Me tomou por uma chita,
pintou-me toda de flores
e alegrou comendadores.

Me tomou por vagalume,
levou-me a luz acesa
para os olhos da princesa.

O mestre-sala, ele viu que eu era santa
despiu-me sem vidraça
para estranhos numa praça
pra sagrar-me,
pra sangrar-me.

O mestre-sala me tomou por um perfume,
levou-me com a brisa
para o rei na sua frisa
à guisa de
amizade.
Me tomou por paisagem
roubou a minha vista
para os olhos da turista.

Me tomou por uma fada,
levou minha varinha
pros desejos da rainha.

Me tomou por mel de abelha,
levou minha doçura
pro jantar da prefeitura.