Estudando a Bossa

Banda de Tom Zé:
Lauro Léllis: Bateria e design de percurssão
Daniel Maia: Baixo, guitarra, violão e vocal
Jarbas Mariz: Cavaquinho,percurssão, vocal
Cristina Carneiro: Teclados, vocal
Tom Zé: Arranjos

Produtor e diretor artístico:Daniel Maia
Coordenação da produção: Neusa Martins
Assistente de produção: Tania Lopes
Sound designers: Marcelo Schulze Blanck e Gustavo Garbato
Técnico: Guilherme Garbato
Figurino: Laura Huzak Andreato
Fotografia: André Conti
Projeto Gráfico: Olívia Ferreira e Pedro Garavaglia / radiográfico
Assistente de produção Biscoito Fino: Raquel Deleuse
Coordenação geral: Joana Hime

UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO 2008
Direção geral: Kati Almeida Braga
Direção artística: Olivia Hime

AGRADECIMENTOS:
A Mãe Melânia, guia espiritual.
A meu pai, Éverton, cuja firmeza sustentou uma família enorme.Às pinturas de minha mãe, Helena.
A João Marcello Bôscoli, por sua idéia sobre cantoras.
À minha tia Gilka, que me levou a Salvador.
A Nemésio Salles, que me levou ao CPC.A Cassiano Elek Machado, pela assessoria intelectual.

A BN, A PONTE E O PODEROSO FEMININO

A tecnologia empregada pela engenharia brasileira na construção
da Ponte Rio-Niterói inspirou-se numa tradução intersemiótica, para
o ferro e o concreto, daquilo que a BN, abusiva e graciosamente, praticou antes, com notas
musicais deslocadas para o tempo fraco do compasso.Neste momento é preciso referir-se ao feminino.
O termo vem da própria teoria musical, que chama as finalizações no tempo fraco de “terminação feminina”.
Pergunto: há algo mais feminino que as síncopes da BN e suas colegas,as plataformas flutuantes? Estas,
desajeitadas e gigantescas, aquelas, frágeis e suaves. Ambas abandonadamente entregues à força das ondas
da graça e da leveza.A profundidade da folha d’água da Baía de Guanabara era um problema crítico para a
engenharia brasileira na construção da ponte. Então, essa bossa-nova, essas sincopadas e femininas plataformas
que flutuam foram capazes de portar o linga cósmico que estuprou o solo profundo da baía, para assentar as
fundações e resolver o problema da construção da Ponte Rio-Niterói.
E, tanto quanto a estética da BN, essa tecnologia foi um protótipo, um design inaugural, que a nossa
engenharia passou a exportar. Donde a dobrada vitória do feminino: duas femininas soluções dacabeça brasileira
acabaram se mostrando suficientemente consistentes para que aquela terra então longínqua, cuja capital fosse talvez
Buenos Aires ou Bogotá, se tornasse um País mais conhecido e confiável no exterior. No caso da BN, esta permitiu
ao Brasil ser protagonista de um fato inédito, seja na moderna história seja na história da antigüidade: um
povo começa o ano como exportador de matéria-prima, i. é, o grau mais baixo da aptidão humana e antes que o planeta
complete sua translação esse mesmo povo se apresenta ao mundo como exportador de Arte, i.é, o grau mais alto
da aptidão humana.Esse ano foi 1958.

A carreira de Tom Zé teve início nos loucos anos 60, época em que colocar um “disco na vitrola”, ligar um rádio ou TV, era motivo de surpresa, de beleza nova, provocadora. Em todos os países do mundo a criatividade transbordava pelos meios de comunicação e o público consumidor queria sempre mais, seja na área da MPB, do rock, do jazz ou da música de concerto.

Dizer que Tom Zé “participou” daquele momento histórico, é injusto. Ele foi, isto sim, um dos principais responsáveis na época pelo que houve de mais revolucionário e talentoso em nossa música. E, por um acidental e saudável contato com um grande músico norte-americano, seu trabalho espalhou-se com facilidade mundo afora, provando que não se tratava de “gracinhas” de um baiano perdido no caos paulista, mas de obra de expressivo estofo universal.

De lá para cá, não só no Brasil, mas na maior parte do mundo tido como civilizado, muita coisa mudou. Parece que o deslumbrante progresso da máquina de comunicação eletrônica agiu como inimigo da criatividade musical. Quanto mais iPods, piores são os repertórios consumidos. Mesmo grandes artistas brasileiros, que participaram com grande intensidade daqueles excitantes anos 60, ou se retiraram ou passaram a fazer uma música, às vezes bela, mas sem maiores propostas.
Este não é o caso de Tom Zé. Sua inquietante mente centrífuga e centrípeta nos revela novas idéias sonoras, comportamentais, artísticas a cada ação sua, seja num palco, num disco ou num pronunciamento. Aquela irreverência típica do Tropicalismo que lhe deu origem, está presente hoje em seu comportamento cultural mais que nunca.
Mais uma surpresa Tom Zé nos oferece agora com seu CD Estudando a Bossa para a Biscoitofino, verdadeiro QG da música inteligente e criativa brasileira atual. Nesta época em que as pessoas contemplam e praticam a Bossa Nova, quase como um refúgio espiritual saudosista de algo criado há 50 anos atrás, pleno de melodias, graça, beleza, talento, descontração, otimismo, charme, refinamento, qualidade musical, provocação, autenticidade etc, etc, ele nos revela a mais original leitura daquele momento artístico, a partir de uma ótica bem humorada, verdadeira crônica de um passado inesquecível, com vistas para futuro.
Tudo que serviu de matéria prima da Bossa Nova está deliciosa e anarquicamente presente em seus versos, atuações vocais, arranjos, toques de violão, maneirismos, dialetos, sotaques, expressões; do nome dos participantes, às palavras chaves (barquinho, sol e sal, chega de saudade, bada-badi, bada-badá, biom-bom), da citação às musas femininas a componentes essenciais, como a síncopa ou Copacabana, do panorama sonoro da época, com o samba-canção abolerado, trágico, do ninguem-me-ama/ninguém-me-quer, às polemicas despertadas pela implantação do novo gênero musical e assim por diante.
Esse verdadeiro documentário sonoro, bem século XXI, de um espaço musical inesquecível e imorredouro de nossa alma, vai certamente nos levar a estudar Tom Zé mais uma vez, como ele estudou para nós, à sua moda, a Bossa Nova.

Maestro Júlio Medaglia

FAIXAS

0. Introdução:BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
1. RIO ARREPIO (BADÁ-BADI)
2. BARQUINHO HERÓI
3. JOÃO NOS TRIBUNAIS
4. O CÉU DESABOU
5. SÍNCOPE JÃOBIM
6. FILHO DO PATO
7. OUTRA INSENSATEZ, POE!
8. ROQUENROL BIM-BOM
9. MULHER DE MÚSICA
10. BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
11. AMOR DO RIO
12. BOLERO DE PLATÃO
13. SOLVADOR BAHIA DE CAYMMI
14. DE: TERRA; PARA: HUMANIDADE

Letras:

0. Introdução: BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
0m20s
Autor: Tom Zé
Intérpretes: Fernanda Takai/Tom Zé
Editora: Irará

1. RIO ARREPIO (BADÁ-BADI) 
2m45s
BRPUI0800288
Autor: Tom Zé / Arnaldo Antunes
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão, baixo, cavaquinho e guitarra; Cristina Carneiro: teclados; Íris Salvagnini, Luanda Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Mariana Aydar (gentilmente cedida pela UNIVERSAL): vozes

Editoras: Irará / Rosa Celeste

badá-badi badá báTom
batiquitum               (bis)

badá badia dirá que o Rio
copacabanamente um arrepio
badá badia dirá vá botar
o credi-cartório para se tostar, tá?

badá-badi badá báTom

batiquitum               (bis)

badá bá-dia de sol fogaréu 
para Ipanema parecer um céu
badá-badia no peito do Tom

Arpoador ter que deixar o Leblon

Ainda não me refiz
de ter perdido a Elis

Maysa, Dolores, Leila Diniz

Por isso na Lapa boêmia se diz

que na canção do País
nunca a tristeza foi tão feliz

badá-badi, etc..

sob a janela Jobim
passa um desfile sem fim 
Brigitte, Lollô, Marilu, Marilyn

que podem mostrar o pudim 
pra masturbar o Pasquim
ou Roberto levar na Playboy pra mim

badá-badi, etc..

   
 
 
2. BARQUINHO HERÓI 
02m45s
BRPUI080028B
Autores: Tom Zé / Arnaldo Antunes
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Arthur Nestrovski: violão (participação especial); Daniel Maia: baixo; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mari. e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Mônica Salmaso: vozes
Editoras: Irará / Rosa Celeste

Beira do mar                                    Beira-mar
obalalá                                            beira-mar
balagandá laid                                  oh, Senhor do Bonfim
no Bonocô                                       vem
Alá vai-não-vou                                 sim
memória emoriô                               cuidar de mim

Quando o barquinho me disse adeus, ai Deus,          Ao longe,  lá no sem-fim
e na Guanabara foi construir, enfim                          só, um só,
a ponte Rio-Niterói — ai de mim,                             suave cantar
passou primeiro no Bonfim                                      e com o fio da voz puxa do mar
pra cantar,                                                             um navio
pra cantar.                                                             pra Francisco navegar
Beira do mar ……… etc.  

   
3. JOÃO NOS TRIBUNAIS
02m48s
BRPUI0800289
Autor: Tom Zé
Intérpretes: Daniel Maia: violão; Tom Zé: voz.
Editora: Irará

Se João Gilberto

tivesse um processo aberto
e fosse nos tribunais
cobrar direitos autorais
de todo o samba-canção
que com a sua gravação
passou a ser bossa nova,
qualquer juiz de toga,
de martelo e de pistola,
sem um minuto de pausa
lhe dava ganho de causa.

“Chega de saudade” –
veja o caso deste samba
gravado em 58

por Elizeth Cardoso,
“pela pátina crestado”:
Vinícius ficou gamado.
0 biscoito da Cardoso
foi divino, foi gostoso,
mas era um samba-canção lindo
e nunca passou disso não.

Mas quatro meses depois
João gravou com a levada
a voz no jogo sincopado,
o violão todo abusado.

0 coitado foi chamado de cantor desafinado,
sem ritmo, ventríloquo,
mas
diante do desafinado

o mundo curva-se, desova,
e tudo então louvado
foi jogado numa cova.
0 sol chocou 200 ovas
e nasceu a bossa nova.

0 Carnegie Hall foi importante
porque pinçou João,separou João
como a grande gema,
a grande jóia.

   
4. O CÉU DESABOU
03m38s
BRPUI0800290
Autor: Tom Zé
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo;
Cristina Carneiro: teclados; Íris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing  vocal; Tom Zé e Tita Lima: vozes
Editora: Irará.
(Para os cantores da época,a BN foi um terremoto)

Mas tu já viste a bossa nova,
a nova onda musical?
Que nhenhenhém boçal, hein?!!
Aposto cinco pau que isso não pega no Brasil 
e morre logo no vazio, ziu…  
Cantor ventríloquo, seu! / Vai que tá louco, tá pinel,  
qual é a dele, céus?
0 mestre da banda quando ouviu / ficou branquinho de cal
regurgitou, passou mal… passou mal… passou mal

Mas foi por causa dela que o céu desabou
sobre suas estrelas / Tinhorão, que horror!  
Pecado pai que nosso palco
num desavisado quebra cai,
nosso mundo se vai.
Caiu a Rádio Nacional,  
Tupi cadê?, Mairinque Veiga vê:
Sinos dobram porque:  

Ali reinou Caubi, Marlene, Sapoti
Só dava Dalva de Oliveira, ora Nora Ney,
Orlando era lei
Traía aura da Isaura, por amara Linda
Anísio Silva com Dircinha
Vinha Carmem Costa com a Emilinha  

Mas tu já viste a bossa nova……………… etc.

Nem os clarins da banda militar
tocaram pra nos lamentar (paradá paradá)
nem sinfonia de pardais
com o rádio de cabeceira
sob um abajur lilás (paradá paradá)
nem um mulato inzoneiro
pra esquentar nossos pandeiros
na Baixa dos Sapateiros (paradá paradá)  

Nem aquele trágico “manchei o teu nome!”
no passeio em Paquetá  
no piquenique do Joá (paradá paradá)
Mas seremos cultura
gratos a nosso Fernando Faro, oh,
que Ruy Castro, que Zu Ventura, oh!
Que o Danilo nos mirando, oh!
Zuza, que Homem de terno, oh!
Cabral serca velas e Villas Alberto, oh! *
Eli-Tárik faz de Souza, oh!

*”serca é com s de Sérgio

   
5. SÍNCOPE JÃOBIM
02m54s
BRPUI0800291
Autor: Tom Zé
Intérpretes:Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão, baixo, cavaquinho e guitarra; Íris Salvagnini, Luanda Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Andréia Dias: vozes 
Editora: Irará.

ai ai ai!, ei ei ei!, oi oi oi oi!, ui ui ui!
(Síncopes, suspiros e desmaios)  
Venha de síncope, meu bem
isso dá mão
no bole-bole do João.  
Venha de síncope, meu bem
isso dá pé  
no bole-bole do José.  

Antonio Carlos Jobim, Menescal  
(que tal, seu Nicolau?),
Vinicius de Moraes, Baden Powell
(que power, que pau!)
Ronaldo Bôscoli, Nara Leão
(ai,que pão)
Carlos Lyra, Miéle e o baiano João.
Carlos Lyra, Miéle e o feminino João.

No Brasil reinava então
o doutor samba-canção
foi quando apareceu o cara do bim-bom. 

Que trouxe de Juazeiro,
ensaiada no banheiro,
a levada desossada que fez um salseiro
e que desova na trova
daquele tempero sincopado, sincopá
(Isso não é desafinado?)
! É o bim-bom do João!
(Isso não é desritmado?)
! É o bim-bom do João!

 

.

 

   
6. FILHO DO PATO
03m13s
BRPUI0800292
Autores: Tom Zé / Arnaldo Antunes
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Marcelo Schulze-Blanck: didgeridou; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Márcia Castro; vozes. 
Editoras: Irará / Rosa Celeste 

Tico-tico no fubaco 
no fubico fubá            (bis) 
tico-tico no fubaco
ensaiando o vocal

0 filho do pa…pati-quitu, pati-quitu
também cantava alegremen… menti-quitu, menti-quitu
e a marrequinha de repen… penti-quitu, pati-quitu
pati-caiu também no samba
pra no samba sambar 

E o filho do gan… eh eh eh 
afo-fo-fo ba-ba damen… men men men te
qui-qui ri-ri ti-ti-mo quen… quiqui quen!!!
ga-gaguejou a pata n’água da lagoa
pra batucar 

Mas a rosa que era famosa
em verso e prosa 
não pôde dançar  
porque estava bem presa no galho plantada na terra 
suspensa no ar 
sem sair do lugar  
se abriu para o céu e rezou pro vento andar 
ti-tico tico no fubaco…………. etc.
…………………………… 

0 pato-pai 
vinha voltando do batente
quando aquele contraparente
bateu na boca um reco-reco
para a turma dedar 

E o neto do cisne  
também achando que era gente
pensou a coisa diferente; 
abriu o bico para o tico-tico
pôr no fubá 

Mas a rosa formosa, cheirosa,
urbana da roça queria dançar 
e piscando os olhinhos, charmosa,
sacou do chicote pro vento enquadrar 
e se despetalou, despernou, desbraçou e ordenou pro vento 
andar 

ti-tico no fubaco, ensaiando o vocal …………. etc.

 

 

   
7. OUTRA INSENSATEZ, POE!
03m54s
BRPUI0800293
Autor: Tom Zé
Versão inglesa: David Byrne
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; David Byrne: guitarra; Iris Salvagnini, Luanda: backing vocal; Tom Zé e David Byrne: vozes. 
Editoras: Irará / Moldy Fig Music, Inc/BMI


Mas veja só, 
oh Deus do céu

No amor meu amor me deixou na porta da rua 
Ô ai de mim 
era noite era frio a cidade nua 
ai, Dindi, 
estouravam os fogos de um Ano Novo 
mas que triste Ano Novo 
catapora sarampo me deu uma febre impura 
deu                      de doer
que batia no peito com ditadura 
te                 te perder
de arame farpado em pele crua
padecimento aquela noite nua 
e assim foi assim conheci outra insensatez 
minha maioridade que você fez
ao me dar tantas dores de uma só vez 
tantas dores, meu Deus
eras tu        era tudo era nada             meu coração 
e tu                             e na                       e só
era a porta era a noite  era uma canção 
só                       descanção
Nunca mais, nunca mais, em seu refrão 
Lacciate qui tutta speranza voi qui uscite

OTHER STUPID STUFF I DID
(english lyrics by DAVID BYRNE)

You’re inside, oh my love, and you left me
Outside the door, 
In the night, in the cold, in the naked town 
I can hear, it’s the fireworks, and it’s New Year’s Day —
Chicken pox, and then measles,and then, a nasty fever
That entered my chest like an invading army
With barbed wire  wrapped around my young skin
… hmmmmm
And / knew, once again, and I felt like a fool,
& my passion was growing 
You know, I’m in pain 
It was you, it was nothing, it’s only my heart
Was the door, was the night Was a song
Chicken pox, a new year, a fool 
I was young, and / didn’t know how to begin…

 

   
8.ROQUENROL BIM-BOM
03m03s
BRPUI0800294
Autor: Tom Zé
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Jarbas Mariz: bandolins; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Jussara Silveira: vozes. 
Editora: Irará / Trama

Bim-bom bim-bom … … … … …

Um roquenrol, obladi, 
bem roquenrol, obladá,   (bis) 
balada e soul, obladi, 
tal como eu sou, obladá. 

Vai passando nos quintais
e os velhos casais
dançando no salão
cantam seu refrão.

Um roquenrol
um daqueles tais
velho até demais
que o tempo enferrujou
e o terno desbotou.
Um roquenrol vapor de Cachoeira
não navega mais no mar
ô marinheira, o jeito casar.

 

 

   
9.MULHER DE MÚSICA
02m16s
BRPUI0800295
Autores: Tom Zé / Arnaldo Antunes
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Fabiana Cozza: vozes. 
Editoras: Irará / Rosa Celeste   

A Doralice me disse no desconsolo seu
Doralice fora de si, quem que segura, meu  
a Berenice aborreci, pô, que sufoco deu  
a Gal pediu que eu fosse, eu fui, depois se arrependeu.
Aquela Isaura que me azara mas nunca me deu
agora diz que quer casar, oh que azaro meu.   

Mulher de música                              Refrão  
melhor ficar na música
porque mulher de música
é coisa de utilidade pública.
E além disso, sinhá de iaiá,
musa é musa e mulher de carne e osso
vem a ser hipotenusa
que me usa,
parafusa,
me recusa
e ainda me acusa.

Marina assim toda pintada parece um pincel
Dora alisou o cabelo agora, quer usar chapéu
a Isabel me acusa de abusar da regra 3
enquanto isso a Marieta só me diz talvez.
Pra aquela Selma dei o céu, comida e aluguel
na mão da Vera já virei bolinha de papel.

Mulher de música… … … … etc.

   
10. BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
03m39s
BRPUI0800296
Autor: Tom Zé
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Jarbas Mariz bandolis; Iris Salvagnini, Luanda: backing vocal; Tom Zé e Fernanda Takai (gentilmente cedida por DECK DISC) : vozes  
Editora: Irará

No dia em que a bossa nova inventou Brazil
teve que fazer direito, senhores pares,       (bis) 
porque a nossa capital era Buenos Aires,
a nossa capital era Buenos Aires.

E na cultura-Hollywood o cinema dizia
que em Buenos Aires havia uma praia        nem cantinho,nem Corcovado,
chamada Rio de Janeiro                            que dó.
que como era gelada só podia ter
Carnaval no mês de fevereiro. 

Naquele Rio de Janeiro o tango nasceu
e Mangueira o imortalizou na avenida          Nem barquinho na Guanabara 

Originária das tangas                                         Jamelão na verde-e-rosa 
com que as índias fingiam                                  que dá
cobrira graça sagrada da vida. 

No dia em que … … … etc.

   
11. AMOR DO RIO 
03m26s
BRPUI0800297
Autor: Tom Zé
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Cristina Carneiro: teclados; Tom Zé e Zélia Duncan (gentilmente cedida por UNIVERSAL) : vozes.
Editora: Irará

0 Rio era lindo demais 
e amava Niterói

que também dava sinais,
doce paixão que dói.

E desconsolados olhares
toda noite em vão

piscando sobre os mares
numa eterna separação.

Dos contratempos musicais
suaves que a bossa traz
tal plataformas ao mar
leves a flutuar

aí que nosso engenheiro esperto
com ferro e concreto (bom)

fez aquele (bom) sambinha-herói
fundeara Ponte Rio-Niterói.

   
12. BOLERO DE PLATÃO
02m36s
BRPUI0800298
Autor: Tom Zé
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Cristina Carneiro: teclados; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Marina De La Riva (gentilmente cedida por DECK DISC): vozes. 
Editora: Irará

En noche de ronda                      sobe ni mim 
con todo a media luz                   desce ni mim 
en el camiño verde estoy.            chega ni mim/ ou larga di mim
El dia que me quieras                  alma di mim
angelito negro                             salva di mim 
alma vanidosa soy.                      leva di mim/ ou larga di mim 

Perfume de gardenia
perfidia sin remédio
perdido solo yo sin ti
aquellos ojos verdes
solamente una vez
no trates de mentir, 
no, no y no. 

0 amor puro mandou dizer por e-mail 
Ah!, desça do muro
que eu já tôo cheio. 
Já cansei de você nesse lero-lero 
essa velha letra de bolero
e só aturo agora o velhaco do Platão
como tal 
Kama-Sutra na mão 
e cantando: eu achei meu refrão.

 

   
13. SOLVADOR BAHIA DE CAYMMI
03m51s
BRPUI0800299
Autor: TOM ZÉ / versão em inglês CHRISTOPHER DUNN 
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão, guitarra e baixo; Jarbas Mariz: bandolins; Iris Salvagnini Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Anelis Assumpção: vozes. 
Versão inglesa: Christopher Dunn
Editora: Irará / Irará

Quando Caymmi criou
essa suave Solvador-ô-ô
ô-ô-ô-ô-ô-ô
foi a Mãe Menininha
que amamentou-ô-ô
ô-ô-ô-ô-ô-ô  

Bahia que padece de usura
e quer fazer torre de toda altura
rebenta Barra quebra a Cayru
e ninguém escapa desse cerca-jacu

Buda que ensaia
de pijama na Lapinha

Gandhi gandaia
que desmama a Barroquinha

Baco tocaia
uma mucama da Rocinha

Mãe Menininha
samba reza na Bahia

Aqui em Solvador Bahia tudo,
capitalista ou vagabundo,
tênis, gravata ou cabelo branco,
todo mundo tem um santo. 


SALVADOR BAHIA DE CAYMMI
(english lyrics by CHRISTOPHER DUNN)
When our Caymmi designed
this sweet and lovely Solvador
my mamma Menininha
made us stronger 

Right here in Salvador Bahia people
a greedy capitalist or street bum
with tennis shoes, fancy neckties or white hair
many patron saints for all souls

Budha comes out to jam in pijamas at the street fair
Gandhi gets happy and boogies down among the people
Bacchus arrives and fancy ladies come out to greet him

My Menininha
samba blesses our Bahia.

 

   
14. DE: TERRA; PARA: HUMANIDADE
03m49s
BRPUI0800300
Autor: Tom Zé
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Cristina Carneiro; teclados; Tom Zé e Badi Assad: vozes. 
Editora: Irará

Eu sou a regra três                           Vai, coração,
e sei que ela prefere                          na cicatriz,
dar seu amor a um Deus,                   facas na mão,
assim, me trata mal                           pingos nos is.
embora eu lhe dê do meu peito           Vou explodir não!
alimento e sal.                                   Peral, paraí,
deixe assim, deixe estar;
é melhor repensar.

São tantos cios
lagos e rios
dou-lhe os pomares,
imensos mares, meus arrepios.

No seu proveito farei sobrar
ao sol me deito
e dou-lhe o peito
pra semear.

Ai ai ai Dindi,
aiai de mim.

Reservo todo o ar                               Vai, coração,
pois sei que ela não pode                   na cicatriz,
viver sem respirar                               facas na mão,
e o próprio sol também                      pingos nos is.
transformo em substâncias vitais        Vou explodir: não!
com que ela se sustém.                     Peral, paraí,
deixe assim, deixe estar.

É melhor repensar