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Tom Zé,
hoje, está na moda. Tem apresentações lotadas,
viaja o mundo, é uma unanimidade. Está lançando
disco novo, um livro composto de letras de músicas,
artigos e de uma longa entrevista, mais um DVD com o
show Jogos de Armar. Nem sempre foi assim.
Durante seu ostracismo entre o início dos anos 70 e o
fim dos 80, depois de ser colocado para a lateral
pelos tropicalistas e resignar-se com a perda da vaga
na cena luminosa do movimento, conviveu com vaias,
depressões, falta de dinheiro e com a ausência de
ouvidos para escutarem sua voz. Só voltou a ter
imagem e som depois de ser descoberto por David Byrne
e ganhar a legitimação por críticos americanos e
europeus. Na entrevista abaixo, ele fala do novo
disco, Cantando a Imprensa, no qual debruça-se
com irreverência sobre questões atuais, e passa a
limpo o passado.
ÉPOCA
- As canções desse disco não foram compostas
para ele, mas em ocasiões esparsas e com finalidades
diversas. No entanto, há um conceito. Você canta
questões do presente, com uma urgência de
reportagem.
Tom Zé É isso mesmo. Pensamos esse disco, eu
e Jair Oliveira, produtor, como manchete de jornal.
Esse ano foi rico em misérias e desastres, em
censuras e guerras. Era uma boa oportunidade de fazer
uma imprensa cantada, com músicas sobre vários temas
do momento. Aproveitei para regravar São Paulo Meu
Amor, que não tinha gravação boa. Eu já tinha
sido chamado para cantar nos 450 anos da cidade, que
será comemorado em janeiro, e isso é até curioso
porque o governo do PT nunca me chama nas festas de São
Paulo.
ÉPOCA
- E você votou na Marta Suplicy?
Tom Zé Naturalmente. E quando o PT é governo,
em consideração ao partido, eu paro de cobrar o prêmio
de 'São Paulo Meu Amor', o prêmio do Festival da
Record, para não causar confusão nas finanças
municipais. Na época, valia três Fuscas. Hoje só
tem valor moral.
ÉPOCA
- Nenhuma figura política tinha sido tema de música
sua antes de George Bush. Ele tem esse mérito?
Tom Zé É minha musa mais inspiradora do
Olimpo. Ele se sobressaiu em estupidez, prepotência e
truculência. No caso do governo militar brasileiro,
que também fez isso bastante, não ia sonhar em botar
personagem em música, pois era provocação suicida.
Mas cantei uma canção, 'No Jardim da Política', que
falava de um conceito do Geisel, de democracia
relativa, e comparava ao conceito de Paulo Freire, de
hospedar o opressor. É uma idéia bonita. Paulo
Freire diz que o oprimido, depois de tanto ver os métodos
e as estratégias do opressor, age como o próprio
opressor.
ÉPOCA
- Você tem duas canções sobre censura. Por quê?
Tom Zé Esse foi o ano internacional da
censura. Na entrega do Grammy, tomaram o microfone de
Erica Badu e Sheryl Crowl, e não permitiram os
cubanos concorrentes de entrar no recinto. Nos Estados
Unidos, as passeatas contra a invasão do Iraque foram
noticiadas com timidez, com número de participantes
diminuído na imprensa, como se fossem meia dúzia de
gatos censurados.
ÉPOCA
- E aqui no Brasil?
Tom Zé No meu disco, teve censura. Todos as críticas,
as positivas e negativas, trataram-no como chulo. Eu
percebi que tinha exagerado na dose. Não sou apocalíptico,
nem quero fazer nada para ser chamado de maldito.
Quero tratar de assuntos que a sociedade não quer
tratar, mas quero tratar de uma forma que ela não
possa fugir do assunto. Entendi que errei. Não
precisava usar palavrão, mas os meninos da Trama, a
gravadora, disseram para ficar, porque os rapazes dos
raps falam sempre, sem nenhum problema. As emissoras
de rádio não me entrevistaram e uma acadêmica disse
que não ia escrever, porque havia uma canção
chamado 'Prostituir', na qual há palavrão. E depois
os rapazes que comandam rádios, em conversa comigo,
admitiram que, como estavam sendo pressionados, não
tocavam o disco. Eu não quero causar mal estar assim.
Quero incomodar é quando a sociedade não quer tratar
de suas coisas podres, que apodrecem muito mais se você
não trata das feridas. Não quero usar palavrão para
mostrar como sou bacana e a sociedade é pateta. Não
faz parte de meu caráter. Eu podia ter trocado por
uma palavra mais bonita. Tenho ética. Tirei de meu
livro o título Tropicália Jacta Est, nome
sensacional, uma jóia incrustada, um achado, para
evitar que dissessem que eu tinha lançado a Tropicália.
Tropicalista Lenta Luta é muito mais fracote.
ÉPOCA
- Não há hipocrisia em se implicar com palavrão
em uma mesma sociedade que legitima a veiculação
espetacularizada de violência?
Tom Zé Claro. Hollywood é uma escola de
crimes. Mas isso é normal. Bretch dizia que, quando
fala de arte, classe média fala de moral. Mas eu não
quero posar de vítima e chorão. Não tenho mania de
censura. Quantos compositores não iam para shows de
estudantes e diziam que aquela canção tinha de ser
ouvida ali porque logo seria censurada. Nunca fiz
isso. Nunca fiz proselitismo, propaganda de perseguição.
Nunca fiz queixa de gravadora, de multinacional ou de
censura. Vou virar pateta depois de velho?
ÉPOCA
- Sua turma chegou ao poder, como Gilberto Gil e
Orlando Senna no Ministério da Cultura. Como você
essa passagem para o lado de lá?
Tom Zé Vi Gil fazendo um discurso e fiquei
admirado com a maneira com que ele falava
equilibradamente dos problemas, sem o rompante de um
comandante. Transparecia na fala dele a pequenês e a
fraqueza que o homem sente quando quer defender causas
justas em qualquer tipo de governo. Eu sou fã de Gil
como músico e como político. Convivi com ele e vi
que era capaz de decisões, de olho clínico, de saber
fazer a volta, contornar, para não fazer
enfrentamento fora de hora, para não jogar final nas
oitavas de final, deixar o jogo mais duro para depois,
que é habilidade do homem que estudou administração
de empresas como ele. Quando cheguei a São Paulo para
fazer 'Arena Canta a Bahia', ele me disse que a vida
profissional era diferente da amadora, que a
resposabilidade era outra. Ele falou isso com aquele
jeito de pai que ele possui. E me impressiona como
camarada larga o conforto, seu Grammy, para ir lá dar
cara para bater, sabendo que lutar contra poderosos é
batalha perdida. Minha geração não pode se queixar.
Aquele que tinha capacidade aceitou o desafio. É
claro que o homem tem orgulho e vaidade, mas as vezes
isso serve a todos. Não sou bom de julgar políticos
e pode ser até que esteja errado quanto a Gil, mas eu
estou dando minha impressão.
ÉPOCA
- Em um de seus textos, você fala que, na divisão
do espólio tropicalista, você foi enterrado. O que
foi essa divisão?
Tom Zé Nossa senhora. Quando os meninos foram
para a Europa, parecia que foi anunciado que tinha uma
vaga no tropicalismo, porque o Tom Zé saiu. E aí o
que apareceu de candidato. Eu estava em uma fase que
ou largava aquela coisa toda ou não chegava ao
projeto que estou apresentando, desde 1990, quando fui
descoberto por David Byrne. Em 1975, o produtor
Guilherme Araújo, um pouco protetor, sugeriu de eu
cantar música caipira. Eu seria uma novidade naquele
tempo, mas nem pensei nisso porque estava mergulhado
na loucura de fazer Estudando o Samba. Não fui
tentado por esse recurso fácil. Outra coisa. Quando
começou os fuxicos contra mim, em Londres e no
Brasil, em 1969, Gil chegou no show meu e da Gal, no
Rio, e já havia um clima para me expulsar dali.
Sentou todo mundo em volta de Gil depois do show e ele
começou a dizer: 'O que há de errado com você?'
Repetiu isso algumas vezes Tomei um susto porque Gil
é muito objetivo. Ele disse: 'as duas músicas que
ouvi você cantar são músicas aqui, em Nova York, em
qualquer lugar, então o que há de errado com você?'
Entendi o que estava acontecendo. O fuxico estava
pesado e ele não era de entrar em fuxico. Aliás, não
quero interpretar. Interprete vocês. E aí Gil mudou:
'Não há nada errado com você'. Quando um lugar está
disponível, as pessoas tentam chegar mesmo, e o
tropicalismo dava muito dinheiro. Todo mundo queria o
seu também. É natural, humano. Não tem problema.
ÉPOCA
- Mas qual era o fuxico?
Tom Zé Se você me pede isso estraga o que eu
estou dizendo. Ninguém vai arrancar de mim mais nada
do que estou dizendo aqui. Estou apenas respondendo
algo que nunca disse a ninguém. Ficou parecendo que
eu estava saindo, porque estava dedicado a outro
projeto. Todo mundo que estava perto, humanamente,
achou que podia pegar o lugar. Quando a mentira é
doce a verdade é um coice. Se eu estava
desaparecendo, então era melhor, porque fica eles
diziam: 'fica esse cara aí, que fez esse negócio
antes, e quando a gente o encontrou ele já tinha essa
forma na mão, ele não disputa nada, não defende o
dele'.
ÉPOCA
- Mas você não servia para a cena tropicalista?
Tom Zé Não sei. Nunca pensei nisso.
ÉPOCA
- Você não era muito acanhado para o
tropicalismo?
Tom Zé Era acanhado em meu procedimento
social, mas no artístico era super desacanhado, o
desinibido que fui a vida toda. O objeto arte em minha
mão sempre foi tratado na fronteira.
ÉPOCA
- Mas o tropicalismo tinha uma presença
extra-musical também.
Tom Zé Pode ser. É uma boa pergunta. Tomo até
um susto com ela. Discussões assim são dignas. Mas
em relação a isso só faço comentários colaterais.
Agora sem dúvida que fui enterrado. Era o Trostky do
Tropicalismo e fui tirado do retrato. Me lembro que,
nas reportagens de cinco anos do tropicalismo, Tom Zé
estava em todas. Reportagem de 10 anos, Tom Zé estava
na metade. Na de 15 anos, não estava em nenhuma. E aí
na de 25 anos eu voltei. Mas volto por que? Passei a
fazer alguma coisa que não fiz ou volto por que a América
mandou um recado que existo. Que diabo é isso? Ou não
existo ou existo.
ÉPOCA
- Luiz Tati diz que o tropicalismo foi contingência
em sua vida. Seu interesse era outro, não música
popular?
Tom Zé Vamos falar pura e simplesmente. Ainda
não estou capaz de ter uma visão sensata de tudo que
aconteceu em minha vida, do que foi culpa minha e de
fora de mim, do que não tomei a responsabilidade de
assumir a defesa de meus direitos, não estou
preparado para julgar isso com isenção. E a pessoa
tem fraquezas. Determinadas épocas já posso
trabalhar com afinco e tirar dali algo de instrutivo
para outras pessoas. É o caso do período entre
1950-1955, do qual trato no livro. Eu escrevi esse
livro para meus patrões. Não sou compositor livre,
eu tenho patrões. Graças a Deus. Esses patrões são
jovens, precisam dessa rebeldia que produzo, que é
minha principal proteína, e eles me alimentam. Minha
casa é mantida pelos jovens. Meu penúltimo disco,
vendeu para público com idade média de 20 anos. O último,
baixou para 18. Tenho responsabilidade com essas
pessoas. Sinto vontade de atender a eles. Não sou herói.
Sou medroso, fraco, covarde. Sou igual a qualquer
criatura do mundo. Defino algumas coisas e outras não.
Venho de uma infância difícil, fui criança
oprimida, por circunstâncias que não foi pobreza,
mas contratempos do destino, e nunca me queixei. A
Continental em 1979 não podia mais me ter, estava sem
conseguir vender disco, é natural que não me
quisessem. Eu fiz o Estudando o Samba, que foi um
disco mais caro que o normal. E não vendeu apesar de
Chacrinha ter roubado uma coisa dele. Tem um provérbio
oriental que diz que, quando você tem muito, a esse
muito lhe será acrescentado, mas, quando você tem
pouco, a esse pouco lhe será subtraído. Eu não
tinha nada e faço esse verso 'eu estou te explicando
para te confundir'. Duas semanas depois o Chacrinha
aparece com 'Eu vim para confundir'. Esse quadro é ótimo
para mostrar o que minha personalidade tem de fraco.
Quando vi isso, fiquei assustado, com medo. Quando você
não toma conta do seu, o mundo acha que está disponível.
Me responsabilizo pelos meus erros. Não culpo ninguém.
ÉPOCA
- Para um jovem que teve infância oprimida,
rejeitado, a música é uma afirmação de identidade?
Tom Zé Isso. Eu passei a existir a partir da música.
Eu me sentia uma nulidade, à margem, um rejeitado,
tanto na família como na sociedade. Quando você
recebe uma informação na célula inicial, você
coloca ela nos olhos de todo mundo. Isso em psicanálise
chama-se projeção. Não sou um compositor certinho,
que aprende na universidade do bom procedimento como
é que só se fala o certo e como se escapa dos
assuntos dolorosos, como se mostrar poderoso. Sou uma
alma nua. Sinto que minha platéia não precisa de um
guia, de um deus ou de um guru. Sempre lutei contra as
palavras de ordem. Houve um tempo em que me cobravam
heroísmo. Mas isso não é comigo. Herói não ajuda
em nada grupos sociais.
ÉPOCA
- Seu estilo baseado na incompletude e imperfeição
da canção é determinado pela insuficiência como
instrumentista, compositor e cantor?
Tom Zé É fato. Essa limitação gerou um Deus
nos acuda e a luta para libertar a fera que reside em
mim. Eu precisava procurar um buraco para viver porque
a vida insistia em mim com forças inimagináveis.
Parece verso clássico de poeta português.
ÉPOCA
- Mas sua música não é também uma rebelião
contra o fazer o certo?
Tom Zé O ser humano tem intuições,
principalmente o artista que tem útero, porque o
artista é muito feminino. Essa pergunta é o diabo.
Eu posso ter apenas arrumado o pretexto para ir para
onde eu queria. É possível. Desmancha até minha
história, de fazer como faço por deficiência, mas
é uma possibilidade maravilhosa. Uma vez eu fui fazer
uma harmonia para 'A Noite do Meu Bem', de Dolores
Duran, e depois de dias consegui algo medíocre. Tive
então o seguinte raciocínio: 'Quando vou para o
imprevisível e para o estado do bárbaro rebelde,
consigo muito mais resultado em menos tempo'. Em dois
dias, teria feito quatro ou cinco versões da Dolores
Duran. Desde então direcionei meu trabalho para a
rebeldia. Compreendi que era melhor fazendo o que não
está no livro. E olha que essa versão me valeu uma
vaia em um show. Vinte anos depois, Gil tentou me
salvar de nova vaia. Ele estava presente na primeira
vaia e, em seu show de 25 anos de carreira, me chamou
para fazer um canção. Perguntou como estava minha
vida, eu disse que David Byrne ia lançar um disco
meu, ele tomou um assusto, mas me chamou para cantar.
Gil ficou com tanto medo de eu ser vaiado que sentou
na primeira fila do público aprovando minha participação
com a cabeça. Quando acabei e ele subiu ao palco,
disse que tinha ficado contente pelo público ter
gostado de mim. Então eu não tenho mágoa de nada.
Acho importante ter vivido com pessoas que ajudaram a
tirar o Brasil da fossa na ditadura. Vamos considerar
isso. Não precisa esperar eles morrerem. Vamos dar
valor, amigos e inimigos, esses que trabalham
febrilmente. Quem tem inimigos como Caetano não
precisa ser amigo. Os inimigos dele se reúnem
regularmente, cobram um do outro a atividade de militância
constante, dizem 'você faz um mês que não manda
bomba, está passando para o lado dele seu sem
vergonha', ou seja, Caetano é o diabo mais perfeito
que existe para ser atacado.
ÉPOCA
- Você parece unir, em seu processo criativo, a
teorização e o conceito, esse seu apreço aos
planejamentos, à uma abertura para o acidente da
realização.
Tom Zé Assino embaixo. Mas geralmente faço a
teria depois. Primeiro acontece uma coisa. Às vezes,
você pode planejar antes, porque sem plano você fica
perdido. Mas no geral primeiro acontece alguma coisa e
depois eu dou o conceito para me guiar. O redemoinho
do acaso e da necessidade ganha um aspecto de protótipo.
Tenho de correr risco para me dar bem. Mas nesse
sentido não se pode fazer nada sem falar de Hermeto
Paschoal e Luiz Tati. Nos tempos pós-históricos, são
as coisas desgarradas, passaram pela relatividade e já
estão em outra coisa. Hermeto faz essas brincadeiras
que eu faço, mas ele faz começando pelo lado oposto,
porque é um dos maiores músicos do mundo e, se
despreza o musicalmente certo, é porque tem
autoridade para isso. E eu desprezo porque não sei
fazer. E o Luiz Tati é o que faz teorias, passa por
cima, joga fora, só faz músicas com teses. E quero
dizer isso mesmo: Luiz Tati é hoje o maior compositor
que conheço hoje. Faz a platéia virar torcida.
ÉPOCA
- Por que você decidiu ficar em São Paulo em vez
de radicar-se no Rio?
Tom Zé Muito simples. Quando mergulhei no
ostracismo, em 1973, depois de Todos os Olhos,
a população estudantil em São Paulo era muito
grande, na capital e no interior, e esses jovens me
mantinham na profissão de artista. Ligavam para mim
diretamente e eu saia com uma Brasília, ia para os
diretórios estudantis, cortando esse Estado umas 40
vezes, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Os universitários
me mantiveram artista. Depois me casei aqui em São
Paulo, minha mulher trabalhava aqui, fui me fixando.
Eu não tinha condições de sair daqui. Na divisão
das despesas, muitas vezes, era ela que pagava mais.
Ou eu ficava aqui, ou ficava aqui. O que eu faria no
Rio? Nem os universitários de lá tinham intimidade
comigo.
ÉPOCA
- Mas sua música tem muito mais a ver com a
multiplicidade cultural de São Paulo do que com o
ambiente musical do Rio.
Tom Zé Isso. São Paulo dá mais corda, tem o
ambiente múltiplo. Me sinto paulistano nesse sentido.
Tudo aqui é uma linguagem, a roupa, o cumprimento de
horários, o trabalho mais devotado, a cidade menos
solar. Eu não gostava de Salvador. São Paulo tem o
sol que eu consigo suportar. A cidade estimula mais o
trabalho, a criação e a concentração. Estimula e
permite mais. No Rio, todos vão para casa. Em São
Paulo, a gente se interioriza.
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