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Uma
dose a mais
SexWay Como Tom Jobim, você teve uma formação
clássica e, como ele, também foi, de alguma
forma, injustiçado. O que acontece? O Brasil não
gosta de seus filhos ilustres?
Tom Zé Bem, a pergunta está aí.
Mas eu não fui injustiçado. Talvez o tipo
de música que faço não tenha agradado
imediatamente a um determinado segmento do público.
No caso de Jobim, sempre se poderá falar de injustiça
porque os deuses não prestam. A mediocridade nacional
é grande. Foi mais ou menos o que aconteceu com Tom
Jobim. Não perdoavam o maestro pelo sucesso que ele
fazia. E não o perdoavam porque ele era feliz. Aliás,
a maioria não perdoa isso, não é?
SW
Além de você e do Tom Jobim, quem mais
fez música erudita e popular? Edu Lobo também,
não é?
Tom Zé O Edu Lobo queria e quer, anda
tentando fazer esse link entre a música popular e
a erudita.
SW
Mas não conseguiu...
Tom Zé Eu não sei de nada. Talvez
ele consiga, talvez ele esteja até fazendo uma maravilha
e a gente é que não está entendendo.
SW
Em 68, você ganhou os prêmios Viola de
Ouro e Sabiá de Prata com a música "São
Paulo, Meu Amor". Você ainda se lembra da letra?
São Paulo é mais generosa com os músicos?
Tom Zé Eu lembro sim. Lembro também
de que até hoje não recebi o prêmio
prometido pela prefeitura ao vencedor do Festival de 68.
Na ocasião, o equivalente a três carros Volks.
Embora não tenha recebido o prêmio, considero
os paulistanos muito generosos. Eles não podem pagar
pela prefeitura. Além do mais, hoje a prefeita é
outra pessoa.
SW
Nesse mesmo ano, você ganhou outro prêmio,
de Melhor Letra, com a música "2001", junto
com Rita Lee. Como foi essa parceria? Quem ganha em irreverência,
você ou ela?
Tom Zé Faulkner diz que quem é
jovem é eterno. Ou se sente como tal. Rita Lee e
os Mutantes eram como entidades celestiais pairando entre
nós, simples humanos da Bahia. A parceria foi uma
das coisas mais bem-sucedidas que já me aconteceu.
Éramos jovens e vivemos anos maravilhosos na época,
apesar dos problemas políticos. Eu e a Rita somos
irmãos irreverentes.
SW
Ela mesma diz que transou muita droga. E você?
Tom Zé Nunca transei droga, nem com Rita
nem sozinho. Eu gostava mesmo era de uma cachacinha. Hoje
não bebo. Faço alimentação macrobiótica.
Tenho muito cuidado com a minha saúde. Até
o perfume do café me delicia, mas só bebo
quando recebo visitas.
SW
O show Som Livre de Tom Zé e Gal Costa, no
Teatro de Arena de São Paulo e no Teatro de Bolso
no Rio de Janeiro, ajudou no namoro com a Gal ou foi uma
conseqüência?
Tom Zé O namoro com a Gal foi antes do
show, tanto aqui quanto no Rio. Foi um romance meio de primos.
Éramos ambos muito ingênuos naquela ocasião.
Muito mais apaixonados por música do que por qualquer
outra coisa. A Gal é uma graça. Por isso ganhou
esse nome, Maria da Graça.
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