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A volta por cima de Tom Zé

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A volta por cima de Tom Zé

ã Pedro Só - (Jornal do Brasil)

Aplaudido nos EUA e há 24 anos sem fazer show no Rio, o compositor lança disco no Jazzmania, revelando sua "febre arretada"

Parece mentira, mas Tom Zé está há 24 anos sem fazer um show no Rio. ‘‘Nesse tempo todo, talvez só tenha tocado aí em algum programa de televisão’’, confere pelo telefone de São Paulo.

Um absurdo mesmo considerando-se os vergonhosos (para o país) descaminhos da carreira do compositor baiano de Irará O alegre tipo faceiro que chegou há 15 dias de uma vitoriosa excursão pelos Estados Unidos. Canadá e Inglaterra, passou vários anos esquecido e lá pelo início de 1955, quase largou à música para ser frentista em sua cidade natal. A última apresentação carioca de Tom Zé se deu num lugar que nem existe mais, o Teatro de Baiso Aurimar Rocha, de Ipanema ao lado de Gal Costa, no mitológico ano de 1969: Som livre de Gal Costa e Tom Zé. Depois disso, ele só foi visto em palcos daqui como ator. ‘‘Fiz o Rock horror show, em 1975, dirigido por aquele menino... o Rubens Correa, puxa pela memória. Menos mal que, de hoje a domingo.

Tom Zé tira o atraso com uma curta temporada no Jazzmania.

Ainda embalado pelos elogios baseado da crítica do New York Times e do Times Londrino, ele promete surpreender as gerações que só o conhecen através dos discos lá fora, o pessoal da gravadora ficou maluco. Descobriram que tenho uma febre arretada...

A turnê de promoção do disco The hips of tradition. (lançado em 1992 no exterior e este ano no Brasil) teve ao todo 16 shows. e serviu para fazer um artista de 55 anos finalmente desfrutar o sucesso.‘‘É um negócio prazeiroso, uma coisa que eu não conhecia. A banda saía do palco brincando de me carregar que nem treinador de basquete’’, relata Mesmo sem entender as letras. o público se deixava seduzir pela música e o charme de Tom Zé.

Não houve saia justa que o segurasse. ‘‘Em Edmonton. anunciaram meu show como noite de dança. Eu avisei que o meu negócio era o contrário. com medo da reação, e botaram cadeiras na metade do lugar. Mas toquei as coisas mais ritmadas e todo mundo dançou’’, conta, David Byrne, responsável pelo redescobrimento do músico, marcou presença nas três noites em que ele se apresentou em Nova Iorque.

A banda de Tom Zé inclui o baterista Lauro Lelis (‘‘há dez anos comigo’’). o guitarrista Éder Sandoli, o tecladista Ronaldo de Carvalho. o baixista Gilberto Assis e o percurssionista e vocalista Jarbas Mariz - que tem carreira própria como cantor e que já começou tocando com Jackson do Pandeiro. O repertório não está definido, mas deve incluir lampe lampido (adaptação do folclore que Tom Zé ainda não gravou).

Fliperama, Jingle do disco e outras pérolas do tropicalismo perene.

AS TIRADAS DE TOM ZÉ

- ‘‘O show do Central Park em Nova Iorque, foi o primeiro em que toquei com gente gritando. Tinha brasileiro com o diabo. Eu, que estou habituado a ser respeitado, fiquei meio assustado.’’

- ‘‘No festival de Montreal, no Canadá, tinha gente de tudo quanto é país. Eles pegam mesmo o melhor de cada lugar. Fiquei até com medo, mas meu concerto teve três bis. Foi um mangue pra sair do palco.’’

- ‘‘Esperei na porta da loja até chegar o disco de Caetano e Gil (Tropicália ll). Tá dos mais lindos. Gosto muito do Baião c:emporal - que fala da minha família.’’

- ‘‘Todos os olhos foi o disco que me afastou da mídia. Quando o Arrigo Barnabé me contou que ele e o Itamar Assunpção ouviram até furar, descobri que neste país, estar no ostracismo é ser escutado pelos melhores ouvidos.’’

-‘‘Tenho 55 anos e muitas idéias. Acho que uma hora todo mundo vai se cansar. Mas agora que o trem pegou impulso...’’

-‘‘Reedições dos discos? Nunca me passou pela cabeça. Quando me perguntam por eles, mando procurar nos sebos.’’.

 

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