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Tom Zé diverte a platéia com seu chamegá

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Tom Zé diverte a platéia com seu chamegá

Na estréia do show do disco Jogos de Armar, em São Paulo, o mais tropicalista dos tropicalistas arma um happening, no qual funde vários tipos de dança populares ao som dos mais inusitados instrumentos

Carlos Calado

TROPICÁLIA OU PANIS ET CIRCENSES

Tom Zé não deixaria por menos. No show de lançamento do CD Jogos de Armar , quarta-feira à noite, no DirecTV Music Hall, em São Paulo, o irreverente compositor e cantor baiano surpreendeu e divertiu a platéia do começo ao fim. Muita gente não entendeu quando ele e sua banda surgiram no palco, antes mesmo que as portas da platéia fossem fechadas, que as luzes se apagassem e o costumeiro vídeo com as normas de segurança surgisse nos telões. Quem já conhecia o novo disco percebeu logo que a aparente maluquice tinha total sentido. Afinal, tratava-se de Passagem de Som, a divertida faixa de abertura. Que momento melhor haveria para mostrá-la, se não antes que o show propriamente dito começasse?

O palco mais parecia uma serralheria, com grandes armações e cavaletes de madeira sustentando esmeris, batedeiras, aspiradores de pó e liqüidificadores, transformados em bizarros instrumentos musicais. Em alguns números, como a nova versão da conhecida Jimi Renda-se, essa parafernália parecia ter vida própria, como um Frankenstein sonoro, capaz de desafiar os controles de Tom Zé e seus músicos. Tocando quase todas as faixas do novo álbum, o compositor e cantor baiano confirmou ser um showman completo, que sabe usar sua verve irônica e bem-humorada para conquistar a platéia. Até mesmo para ajudá-lo a cantar refrões recheados de palavrões, como os de Moeda Falsa ("Ô, cabrobó / eles vão tomar no fiofó").

Foi assim também com o impublicável refrão de Chamegá, outra invenção do compositor baiano, que lança um novo ritmo já acompanhado de uma espécie de dança, demonstrada com muita energia e graça por quatro casais de bailarinos. Trata-se, na verdade, de uma hilariante colagem de elementos de várias manifestações coreográficas populares brasileiras, como a umbigada, a lambada e o samba de gafieira, que se misturam a impagáveis tapas na região glútea e fungadas no pescoço.

Decidido a tirar o atraso das duas décadas em que viveu no ostracismo, Tom Zé não se contenta apenas em lançar ritmos e danças, ou em misturar formas e estilos musicais. Seu show ganha ares de happening visual e sonoro, quando as fagulhas elétricas dos esmeris produzem um hipnótico espetáculo de fogos de artifícios, que tem como trilha sonora os estranhos sons do hertzé, do buzinório, do enceroscópio e outros "instromzémentos". Entre a surpresa e o estranhamento, o que mais a platéia poderia esperar do mais tropicalista dos tropicalistas?

 

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