O Jornal WAZ da Região do Ruhr Sexta-feira, 30 de abril de 2004
Interface entre tradição e vanguarda
Wolfgang Platzeck
Tradução de Maria de Lourdes Soares
Agitador ou perturbador da ordem pública por convicção: Tom Zé
Imagem de Arquivo
“Digo claramente, que eu vou irritar você / vou desconcertar você, para que as coisas fiquem claras”, canta Tom Zé em uma de suas canções. O compositor brasileiro vai participar nesta quarta-feira do Festival de Recklinghausen.
Não é preciso necessariamente dominar o português para entender que Tom Zé usa a língua de forma clara, recheada da mais fina ironia. E que privilegia um tipo de poesia concreta, que abre espaço para suas reflexões sobre coisas não tão belas que acontecem no mundo
Em 2003, impressionado com a guerra do Iraque, Tom Zé fez uma espécie de discurso-reprimenda para o Companheiro Bush. E seu mais novo cd, Imprensa Cantada, no qual essa canção política serve de ponto de partida, funciona como um remix dançante e sonoro, combinando diferentes ritmos e sons, passeando por ritmos brasileiros supostamente autênticos, dance floor, hip-hop ou rock, de forma bela e incisiva. Que a canção política não precisa ser necessariamente feia ou antipática do ponto de vista musical ou de quem a escreve e que pode se transformar em música pop, ou seja, em música popular no melhor sentido da palavra, a canção Requerimento à Censura comprova muito bem.
A forma como Zé & companhia tocam hoje essa “Carta” irônica, dirigida ao chefe do Departamento de Censura do Brasil e composta em 1975, em plena época da ditadura militar, faz lembrar até mesmo o estilo MTV ou VIVA. É difícil acreditar que esse perturbador da ordem pública, este agitador, já completou 68 anos.
O contínuo engajamento político de esquerda deve ter, de alguma forma, contribuído para que este músico nascido em Irará, no nordeste do Brasil, jamais tenha conseguido ser um artista de grande apelo popular, amado pelas massas. Ao contrário de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso ou Gal Costa, ele ficou como que escondido, uma dica secreta a ser revelada. Mas nenhum deles inovou a tradição e avançou de forma tão desconcertante e entusiástica em direção à vanguarda como Tom Zé. Ele segue o seu próprio caminho. Este o levará, provavelmente, a buscar atalhos. Mas a rua principal asfaltada e escorregadia da indústria musical dominante ele não cruza jamais.
Ruhrfestspielhaus. 5 de maio, 20 h.
WESTDEUTSCHE ALLGEMEINE
Die Zeitung WAZ des Ruhrgebiets
Freitag, 30.04.2004
Schnittstellen zwischen Tradition und Avantgarde
Unruhestifter aus Überzeugung: Tom Zé
Archivbild
"ich sage klar, dass ich euch irritieren werde / ich irritiere euch, damit ihr klar seht", heißt es sinngemäß in einem Lied von Tom Zé. Der brasilianische Liedermacher kommt Mittwoch zu den Ruhrfestspielen.
Man muss des brasilianischen Portugiesisch nicht unbedingt
Unruhestifter aus Überzeugung: Tom Zé mächtig sein, um zu verstehen, Archivbild dass Tom Zé auch sonst eine klare, mit feiner Ironie durchwirkte
Sprache bevorzugt. Und dass er gern in einer Art von konkreter Poesie auf die minder schönen Ereignisse in der Weit reagiert.

Mit einer 2003 unter dem Eindruck des Irak‑Krieges entstandenen Ansprache an den "Kameraden Bush" (Companheiro Bush) etwa. Auf der aktuellen CD "imprensa Cantada" öffnet dieser politische Song als so genannter "Remix" Klang‑ und Tanzräume, in denen vermeintlich unverfälschte brasilianische Rhythmen, Dance Floor, Hip‑Hop oder Rock aufs Schönste und Eigenwilligste vereint sind. Dass das politische Lied kein musikalisch und musikantisch garstig Lied sein muss, Popmusik bzw. Musica popular im allerbesten Sinne sein kann, belegt auch "Requerimento à Censura".
Wie Zé & Co diesen 1975 zu Diktaturzeiten entstandenen ironischen "Brief" an den Chef der brasilianischen Zensurbehörden heute spielen, das ist fast MTV‑ oder VIVA‑reif. Man mag gar nicht glauben, dass dieser Unruhestifter bereits 68 Jahre alt ist.
Das ungebrochene politische, das linke Engagement mag dazu beigetragen haben, dass der aus Irara im Nordosten stammende Musiker nie Massen‑ und Medienpopularität erlangt hat. Im Gegensatz etwa zu Gilberto Gil, Caetano Veloso oder Gal Costa ist er ein Geheimtipp geblieben. Doch keiner von diesen hat die Tradition so irrtierend und begeisernd in Richtung Avantgarde aufgebrochen wie Tom Zé. Der geht seinen eigenen Weg; und mag dieser Weg auch viele Pfade kreuzen ‑ die glatt asphaltierte Hauptstraße der MainstreamMusikindustrie schneidet er nie.
Ruhrfestspielhaus. 5. Mai, 20 Uhr. Infos: Tel. 02361‑92180.
Von Wolfgang Platzeck
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