20/10/2006 - 09h07
No ano passado, o irrequieto Tom Zé surpreendeu o público com uma opereta bem-humorada, atirando farpas em duplo alvo: a segregação imposta às mulheres pelos homens e a diluição do samba operada pelo pagode. O novo projeto do compositor baiano não soa menos militante. Indignado com a desfaçatez dos políticos e surpreso por uma pesquisa de mercado que revelou o hedonismo e a descrença dos jovens em projetos coletivos, ele se manifestou de forma musical.
"Pensei: eu canto para os jovens, eles me procuram; não posso abandonar essa parte da juventude que tomou um caminho inesperado", explica Tom Zé. Assim nasceram sete novas composições (todas sem letras), que remetem ao sacrifício dos povos africanos e indígenas "cujo sangue depurou a arte e a religião de três Américas".
A falta de palavras não impede que a verve criativa e satírica do compositor se manifeste com a habitual intensidade. Misturando programação eletrônica, percussões, cordas, flautas, sanfonas, vocais insólitos e ritmos nordestinos em composições como "Atchim", "Cara-Cuá" e "Taka-Tá", ele desenvolve texturas sonoras que podem atrair os adeptos da música eletrônica para dançar. Os fãs de Tom Zé, pelo menos, vão se divertir muito.
Sesc Pinheiros - teatro (r. Paes Leme, 195, Pinheiros, região oeste, tel. 3095-9400). 1.010 lugares. Sexta e sábado: 21h. Dom.: 18h. Ingr.: R$ 10 a R$ 20.
Tom Zé mistura forró e música eletrônica em novo show
CARLOS CALADO
do Guia da Folha
No ano passado, o irrequieto Tom Zé surpreendeu o público com uma opereta bem-humorada, atirando farpas em duplo alvo: a segregação imposta às mulheres pelos homens e a diluição do samba operada pelo pagode. O novo projeto do compositor baiano não soa menos militante. Indignado com a desfaçatez dos políticos e surpreso por uma pesquisa de mercado que revelou o hedonismo e a descrença dos jovens em projetos coletivos, ele se manifestou de forma musical.
"Pensei: eu canto para os jovens, eles me procuram; não posso abandonar essa parte da juventude que tomou um caminho inesperado", explica Tom Zé. Assim nasceram sete novas composições (todas sem letras), que remetem ao sacrifício dos povos africanos e indígenas "cujo sangue depurou a arte e a religião de três Américas".
A falta de palavras não impede que a verve criativa e satírica do compositor se manifeste com a habitual intensidade. Misturando programação eletrônica, percussões, cordas, flautas, sanfonas, vocais insólitos e ritmos nordestinos em composições como "Atchim", "Cara-Cuá" e "Taka-Tá", ele desenvolve texturas sonoras que podem atrair os adeptos da música eletrônica para dançar. Os fãs de Tom Zé, pelo menos, vão se divertir muito.
Sesc Pinheiros - teatro (r. Paes Leme, 195, Pinheiros, região oeste, tel. 3095-9400). 1.010 lugares. Sexta e sábado: 21h. Dom.: 18h. Ingr.: R$ 10 a R$ 20.
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