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Home Imprensa O mundo cultua Tom Zé; o Brasil, não - Pedro Alexandre Sanches - Folha de São Paulo

O mundo cultua Tom Zé; o Brasil, não - Pedro Alexandre Sanches - Folha de São Paulo

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Com Defeito de Fabricação"sai dia 22 no exterior, mas não aqui; novo disco do músico ganha remixes de artistas pop, para virar CD em dezembro

O Brasil ainda não aprendeu a entender o baiano Tom Zé, 62, mas parece que o mundo, sim. Seu novo disco, "Com Defeito de Fabricação", será lançado mundialmente no próximo dia 22 - menos no Brasil, onde não há acordo fechado com nenhuma gravadora.Lá fora, sai pelo selo Luaka Bop de David Byrne, ex-líder da banda new wave Talking Heads, dando continuidade a um fenômeno de interesse de artistas das ditas "vanguardas" (desde o veterano Byrne até o contemporâneo Beck) pelo movimento tropicalista de 1968 e pelos artistas que o circundaram.

 Em dezembro, "Com Defeito de Fabricação"dá origem a um disco de remixes, com faixas manipuladas por artistas contemporâneos como Tortoise, Stereolab, Sean O'Hagan (High Llamas), Sean Lennon e Yuka Honda (Cibo Matto).
Em Nova York, Tom Zé foi assistir ao remix de Sean, filho do ex-Beatle John Lennon - e acabou participando. "Ele me tratava com se eu fosse um velho ídolo, quis que eu participasse. Já havia assistido ao remix do Stereolab, realmente não entendi nada direito. É natural, a juventude chega para fazer a antítese da gente", afirma.

Tom Zé colaborou com o experimentalismo de sempre. "Toquei jornal. Levei uma furadeira, mas não queria escandalizar com maluquice, fiz percussão com jornal. E acabei usando a furadeira num copo de plástico."

Membro fundador do tropicalismo com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Duprat, Mutantes e Gal Costa, entre outros, Tom Zé participou do disco-manifesto do movimento, "Tropicália ou Panis et Circensis"(68), como autor de "Parque Industrial", crítica aos meios de comunicação de massa.

Nos anos seguintes, lançou discos que aprofundaram o experimentalismo já esboçado na tropicália - com relativo sucesso, até "Todos os Olhos", (73). "Com aquele LP, nada mais tocou, as TVs se afastaram de mim e tive um "down"profissional muito grande. Parceia que eu tinha acabado".

O ostracismo se prolongou até meados dos 80, quando Byrne, egresso da versão nova-iorquina do punk (a new wave) e já interessado por ritmos do Terceiro Mundo, comprou uma cópia de "Estudando o Samba" (76), de Tom Zé.
Resultou daí a relação que já dura uma década. Por seu selo, Byrne já lançou uma coletânea da obra anterior de Tom Zé e gravou o inédito "The Hips of Tradition" (92).

Para 99, prepara o lançamento de uma coletâneao dos Mutantes..

 zado intuitivo ao currículo formal da Universidade de Música da Bahia, recém-fundada por Hans-Joachim Koellreutter compositor alemão pós-modernista. Estudou Composição, Contraponto, Harmonia, Piano e Violoncelo, multiplicando seu conhecimento e interesse musical.

ERUDITO E POPULAR: OUSADIA

Com a orientação teórica de Koellreutter e Ernst Widmer, TOM ZÉ incorporou à sua música conceitos modernistas, unindo elementos de música erudita e de vanguarda às canções populares e folclóricas. Em seus arranjos e orquestrações acrescentou liquidificadores, rádios, máquinas de escrever, enceradeira, gravadores, teclados e garrafas a instrumentos convencionais, a par de um complexo sistema de som construído por ele próprio.

TROPICALISMO E DEPOIS

TOM ZÉ desenvolvia uma carreira promissora na música erudita quando, incentivado por amigos, resolveu ir a São Paulo.
Na capital paulista, um grupo de artistas compartilhando afinidades estéticas reuniu-se e detonou a Tropicália, movimento do qual foi um dos líderes.
As letras de TOM ZÉ influenciadas pela poesia concreta sintetizaram-se no essencial. Seus arranjos originals e a riqueza rítmica de suas composições o transformaram num dos mais irônicos e irreverentes intérpretes do Brasil. Ampliando os limites da canção popular, expressa a um só tempo rudimentaridade e alta tecnologia, realidade virtual e sonoridade naïf. Elos que juntam o pop à música experimental.

Vencedor de um lendário Festival de MPB da TV Record com São, São Paulo Meu Amor,  obteve também o 4° lugar com 2000, festa em parceria com Rita Lee.

DESCOBERTO PELO MUNDO

Na década de 90 foi convidado pelo avant-garde rocker, David Byrne líder do Talking Heads, para ser o primeiro artista contratado pela gravadora Luaka Bop, que ele acabara de fundar. Esse selo novaiorquino lançou :

The Best of Tom Zé
- Brazilian Classics,
vol. 4,

compilação dos discos Estudando o Samba e Todos os Olhos da Continental.

A seguir a Luaka Bop lançou

The Hips Tradition (As Ancas da Tradição) Brazilian Classics, vol. 5

Primeiro trabalho inédito, depois de um silêncio de doze anos.
Foi um sucesso planetário, com resenhas entusiásticas em toda a emprensa mundial.

No Festival Composer to Composer (EUA), que reúne anualmente dos compositores da vanguada internacional, recebeu Prêmio de Criatividade, única premiação atribuida pelo evento. Foi o único brasileiro convidado, até hoje, por este festival.

As college radios americanas estão tocando Agogô, Ano 2000 e Jingle do Disco, Faz turnês periódicas pelos Estados Unidos e Europa.

Único compositor brasileiro a apresentar-se tanto no MoMA - Museu de Arte Moderna de Nova lorque quanto no super-seletivo Walker Art Center. Exceções que expressam bem o entusiasmo por seu trabalho também de exceção.

Desenvolvendo neste momento novos e ousados projetos, ("Agora e hora de fazer. Falo do trabalho depois."), Tom Zé está no auge de sua criatividade tão original e singular.

NO EXTERIOR

Tom Zé apresentou-se, dois anos seguidos, no melhor clube musical parisiense, o New Horning e foi ouvido pela nata da imprensa francesa e dos amantes da música moderna de Paris. Em Berlim, Munique e Hamburgo o público alemão cantou, completamente envolvido (e num português curioso!) os refrões das canções. Da Itália à Austria e à Suíça a receptividade da platéia e dos meios de comunicação foi idêntica e excelente. Em todos os países visitados, só deixou o palco depois de vários e vários pedidos de bis.

PAIXÃO NO PALCO — JUVENTUDE ARTÍSTA/PÚBLICO

Tom Zé  "tem uma criatividade louca, que ninguém mais tem", é "um ator, dos maiores... ... ", segundo Capinam e Caetano Veloso. Suas performances consagram a mais completa liberdade, alegria e inteligência. É uma paixão, uma plenitude cênica.Além da presença de fãs que lhe acompanham o trabalho desde o início da carreira, suas apresentações se distinguem pela platéia jovem, no Brasil e no exterior; a juventude é presença constante nos shows, lotando tanto os teatros das capitals brasileiras como a Fabrik de Hamburgo, na Alemanha. A afinidade dos jovens com esse artista que tem uma capacidade mítica de renovação e completa. Ele sofre de juventude, como diz um verso de uma de suas canções, de instigante ambigüidade

PROJETO VIAGENS / INDICAÇÃO PRÊMI0 SHARP

0 show para intitulado www.viagem@carro-de-boi (ponto)com, futuro correndo tanto pegou no, rabo do passado@com, trabalho que e um mergulho cultural na ambivalência sertão-cidade do compositor, além do entusiasmo do público, transformou-se num especial da TV Cultura.Teve seu CD Parabelo, parceria com José Miguel Wisnik, indicado ao Prêmio Sharp 98.Compôs a música-tema Dom Quixote para a reabertura do Teatro Vila Velha em Salvador, Bahia.Seu show A música concreta de Tom Zé e um inesquecível workshop encerraram o Festival de Música rítmica que reuniu artistas essenciais de todo o mundo em São Paulo.

NOVO DISCO

Foi lançado no exterior no dia 22 de setembro o CD intitulado "Com Defeito de Fabricação", do compositor. A crítica americana recebeu muitíssimo bem as canções do novo trabalho. O disco será lançado no Brasil, proximamente.As canções de "Com Defeito de Fabricação" foram regravadas por artistas jovens de grande prestígio dos Estados Unidos, como Sean Lennon, e as bandas Tortoise e Stereo Lab. Em dezembro/98 foi o lançamento americano do CD de remixes -- um grande presente de Natal para os E.U.A. segundo a gravadora.

Sem dúvida, Tom Zé é um artista brasileiro que conta com o maior respeito e admiração internacional.

 

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