IMPRENSA CANTADA 2003
(Trama , Novembro 2003) www.tramamusic.com.br

IMPRENSA CANTADA 2003
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(Trama , Novembro 2003) www.tramamusic.com.br DEDICATÓRIA "Àqueles que trabalham com e pelo livro no Brasil, representados aqui por Arthur Nestrovski, dedico este disco." Tom Zé
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RELEASE MÚSICAS REGISTROS INÉDITOS |
Tom Zé lança "Imprensa Cantada 2003"
"Imprensa Cantada 2003", o novo CD de Tom Zé, reúne um conjunto de canções em sua maioria direta ou indiretamente relacionadas (ou relacionáveis) com a imprensa, isto é: canções que são comentários, explícitos ou implícitos, sobre fatos (históricos, alguns) cobertos pela mídia.
O disco já é aberto por duas faixas que se complementam numa espécie de apreciação poetico-musical sobre a guerra no Iraque. A primeira, "Dona Divergência", de Lupicínio Rodrigues, única peça de autoria alheia do repertório, secamente cantada à capela, vem a ser mais uma visita que Tom Zé, como intérprete e como tradutor da tradição musical brasileira, faz ao repertório desta, ele que já releu, entre outros, Luiz Gonzaga e João do Vale.
Tom Zé aproveita versos (como os iniciais: "Oh Deus que tens poderes sobre a Terra/ Deves dar fim a esta guerra") da impressionante canção de teor amoroso, para lhes sobrepor uma possível significação política, sugerida à luz de acontecimentos da atualidade. Segue-se uma composição feita há alguns meses e gravada em seguida pelo autor, de repercussão imediata no meio jornalístico quando disponibilizada em MP3: "Companheiro Bush" ("Se você já sabe quem vendeu/ Aquela bomba pro Iraque/ Desembuche:/ Eu desconfio que foi o Bush"). Eis aqui o que se pode chamar de uma canção de circunstância, como outras já criadas por Tom Zé em outras circunstâncias, e que não puderam sair então (felizmente, hoje Tom Zé as faz e elas saem, e saem logo). Seu alto teor satírico é sublinhado pelo arranjo criado por Max de Castro, de sabor algo apropriadamente tropicalista.
O tema da guerra-e-paz é a seguir posto de lado, mas apenas temporariamente, pois será retomado na sétima faixa, "Urgente pela Paz" (produzida por João Marcello Bôscoli), que não é senão aquilo que o título insinua: um manifesto pela paz imediata ("É urgente, é urjá") no mundo. Arranjo, canto e melodia adequada e funcionalmente - considerando a intenção da peça, composta por ocasião das manifestações que precederam a guerra no Iraque - suaves. "Requerimento à Censura", a terceira canção (se é que se pode chamá-la assim; trata-se bem mais, na verdade, de uma não-canção), também se constitui exatamente naquilo que o seu nome indica: nada mais nada menos do que a musicalização de uma solicitação oficial de "Antonio José Martins, brasileiro", o próprio compositor, ao "Ilustríssimo Senhor Diretor/ Da Divisão de Censura de Diversões Públicas/ Do Departamento da Polícia Federal, Brasília" (para citar suas primeira linhas), para que sejam censuradas as suas letras de música.
Eis uma vez mais Tom Zé incursionando, como é usual no seu caso, pelo inusual. Um detalhe interessante a se observar, ao final da letra cantofalada: a reiteração de pares de sílabas, para efeito lúdico (um hábito nordestino), da expressão "pede deferimento" (que costuma finalizar tais documentos), acaba fazendo soar, enfatizada, a palavra "fede"... Relevante, aqui, informar que "Requerimento" data do período áureo, digamos assim, da Censura na história do Brasil: 1975. Certo parentesco com ela pode ser observado em "1,2, Identificação", três faixas à frente. Sem ser inteiramente feita a partir de um ready-made (caso de "Requerimento"), ela parte igualmente da listagem de dados a princípio inviáveis para a versificação e a musicalização: os nomes e os números dos documentos de um cidadão (mais uma vez, o próprio Tom Zé, ao que parece), seguidos, porém, da catalogação estatística de uma série de informações peculiares sobre a figura. Bem-humorada, auto-critico-irônica, Tom Zé puro. Outra que também pode ser considerada parente de "Requerimento", mas agora em termos de tema e conteúdo, é "Sem Saia, Sem Cera, Censura", a oitava faixa, que retoma o mote da censura.
A música, no entanto, é recente, tendo sido motivada pela recepção moralista que, segundo Tom Zé, parte da classe média deu a seu CD passado, "Jogos de Armar" - mais especificamente às músicas "Chamegá" e "O PIB da PIB (Prostituir)". A letra retrata e define a censura como uma espécie de antimusa em versos marcados pela imprevisibilidade, seja quanto ao sentido, seja quanto às imagens: "A censura, ela gosta da arte/ Mas é a Medusa/ Retocando a musa"; "Ela adora a fragrância da arte/ Mas é o machado/ Entre as flores do prado", cantam as vozes de Tom Zé e Jair Oliveira, que participa do CD também como produtor e arranjador desta faixa e de mais três. "Sem Saia..." abre um bloco de três canções seguidas dedicadas à arte e à cultura e completado por "Vaia de Bêbado Não Vale" e "Língua Brasileira", sendo que estas duas, por sua vez, compõem, pode-se dizer, um bloco próprio, voltadas que são ao Brasil e aos brasileiros, ambas à nossa história e à nossa destinação e realização como povo, a primeira à nossa música (trata-se de uma homenagem à bossa nova), a segunda, obviamente, à nossa língua.
"Vaia de Bêbado..." vem a ser mais uma canção de circunstância que obteve ressonância na imprensa escrita, após ser lançada num single intitulado justamente "Imprensa Cantada". E "Língua Brasileira", a culminância poética de toda a obra, um olhar cheio de densidade e profundidade dirigido para o que somos e para o processo que nos levou a nos tornamos o que somos, em versos elaborados com cuidado formal. Tom Zé como um legítimo trovador dos nossos tempos modernos. "Vaia de Bêbado..." (parceria com Vicente Barreto) ganha uma versão instrumental produzida por Alê Siqueira e Kid Vinil (dois dos seis produtores do disco) que destaca um requintado bandolim tocado por Renato Anesi. A expressão-título, a propósito, se refere à forma como parte de uma platéia reagiu a João Gilberto certa vez em São Paulo, provável razão por que a faixa vem logo seguida de um registro atualizador de "São São Paulo". O clássico reaparece numa roupagem criada por Ruriá Duprat que faz jus ao sobrenome do jovem maestro. É um dos momentos mais comoventes do disco. Para isso colaboram as vozes que Tom Zé faz ao fundo, citando versos de "Asa Branca", de Gonzaga, e "No Dia que Vim-me Embora", de Caetano, ambas canções de retirantes cuja alusão vem dar uma nova luz à música sobre a cidade que o artista nordestino escolheu para viver e que, "com todo o defeito", carrega no peito.
Ruriá também comparece como o autor do sofisticado arranjo para "Você É o Mel", a recriação do poeta Augusto de Campos para "You're the Top", de Cole Porter, que incluí no meu disco de versões de canções de Porter e Gershwin, do qual o fonograma foi aproveitado. Por fim, não podem ficar sem lembrança três instantes de invenção tipicamente tomzeana constantes no disco: "DesenRock-se", um chamegá, estilo imaginado, fabricado e patenteado pelo compositor; "Interlagos F1" (parceria com Paulo Lepetit, outro dos produtores do CD), uma descrição estilisticamente peculiar de uma corrida, feita para atender a um pedido vindo da imprensa esportiva; e "Bate-Boca" (com Gilberto Assis), uma intrincada criação poético-musical, entre a onomatopéia e a polifonia vocal.
| 1. DONA DIVERGÊNCIA 02:42 | |
| 2. COMPANHEIRO BUSH (MAX REMIX) 4:07 | |
| 3. REQUERIMENTO À CENSURA 3:49 | |
| 4. DESENROCK-SE 1:46 | |
| 5. INTERLAGOS F1 4:22 | |
| 6. 1,2,IDENTIFICAÇÃO 4:00 | |
| 7. URGENTE PELA PAZ 2:52 | |
| 8. SEM SAIA, SEM CÊRA, CENSURA 4:15 | |
| 9. VAIA DE BÊBADO NÃO VALE 3:33 | |
| 10. LÍNGUA BRASILEIRA 3:52 | |
| 11. VAIA DE BÊBADO NÃO VALE 3:33 Versão Instrumental |
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| 12. SÃO SÃO PAULO 4:49 | |
| 13. VOCÊ É O MEL 4:32 | |
| 14. BATE BOCA 7:07 | |
Parte dessas canções permaneceu inédita porque compreende composições pa. voz e violão feitas durante a fase de ostracismo de minha carreira, quando eu vivia de shows para a classe universitária. "Tom Zé, já procurei em tudo quanto é disco, onde você gravou Identificação?" Respondi a Rolando: "Boldrin, essa canção não está gravada."
"Você é louco, Tom Zé? Não gravar uma música dessas?" Acontece que essas canções, feitas para shows em que eu atuava sozinho, eram tão específicas para voz e violão‑solo que se comportavam com rebeldia quando tentava colocá‑las na moldura de um arranjo.
Jair Oliveira, com o bico de pena da sutileza, resolveu o problema de várias delas, com uma moldura bem essencial.
É o caso de Identificação, na qual interveio aperfeiçoando o que fora gravado ao vivo, e de Requerimento à Censuras, Língua Brasileira; DesenRock‑se, Urgente, pela Paz e Sem Saia, Sem Cera, Censura ‑ às quais ele deu, como roupa de gala, o essencial para cobrir as partes pudendas. Max de Castro fez um arranjo satírico e grandioso para Companheiro Bush. Paulo Lepetit deu forma final a Interlagos F1 Ruriá Duprat arranjou São São Paulo e Você É Mel (You're the top). Vaia de Bêbado (faixas 8 e 11), também é inédita em CD, saiu apenas num single, produzido por Alê Siqueira.
Faixa 1: Dona Divergência Cantada à capela na abertura do show pela paz, organizado pela Revista Imprensa no Sesc Vila Mariana, em abril de 2003 e gravada por Décio Matos Júnior para integrar o filme cinematográfico "Fabricando Tom Zé".
Faixa 6: 1,2, Identificação Apresentada no campus da USP, São Paulo, no show "Identidade da Classe Estudantil foi composta quando a definitiva entrada dos computadores em todos os terminais da vida pública e particular intensificou, na conversa diária, o refrão de que os homens haviam sido transformados em números.
FAIXAS GRAVADAS EM ESTÚDIO
Faixa 2: Companheiro Bush, composta antes da invasão do Iraque, para um ato público pela paz organizado em São Paulo, em abril de 2003.
Faixa 3: Requerimento à Censura, composta quando a censura, ca. 1975, instituiu o chamado "crime de falsidade ideológica", se o cantor modificasse na gravação qualquer vírgula do texto que enviara para censurar.
Faixa 4: DesenRock-se, quando fui convidado para me apresentar no Rock in Rio.
Faixa 5: Interlagos Fl, sugerida pelo pessoal da imprensa esportiva no Grande Prêmio de Fórmula 1 de 2003.
Faixa 7: Urgente, pela Paz, ver canção 2 idem, ibidem.
Faixa 8: Sem Saia, Sem Cera, Censura: Depois do ",.. falsidade ideológica", as gravadoras conseguiram o que nós, artistas, chamávamos de "tardes de cafezinho na Censura" (Deus seja louvado). Éramos chamados para modificar parte das letras das canções (louvado seja Deus). Em casos que tais, como na canção Tô, por exemplo, o verso "Comendo gente fina para vomitar" foi transformado no insosso "Eu tô aqui comendo para vomitar", (que não louva nem o autor). Infelizmente parece que esse mundo de porões não é privilégio de tempos ditatoriais, Porque meu cd anterior, jogos de armar, foi veladamente censurado pela hipocrisia da classe média.
Faixa 9: Vaia de Bêbado não Vale: João Gilberto usou essa expressão quando foi tratado da forma aludida no título na inauguração do Credicard Hall, em São Paulo.Faixa 10: Língua Brasileira, que tem como ponto de partida a discussão sobre a unificação da grafia para os países de fala portuguesa.
Faixa 11: A "Vaia..." em versão instrumental com o bandolim de Renato Anesi.Faixa 12: São São Paulo: regravada, a pedido do pessoal da novela Vila Madalena.Faixa 13: Você É Mel, gravada para um disco produzido por Carlos Rennó, como parte de uma compilação do selo Geléia Geral (Warner), fundado por Gilberto Gil.Faixa 14: Bate Boca, do balé Santagustin, parceria com Gilberto Assis, peça que encerra o espetáculo. Santagustin é aquela trilha que começa com os toques do telefone celular e desenvolve sobre estilos tradicionais da mpb algumas tensões harmônicas mais radicais, que ficam no limiar da politonalidade, praticando em relação a esta uma linha assintótica. Em Bate-boca, por exemplo, a harmonia da base permanece indiferente enquanto as superposições contrapontísticas requerem outras tríades da escala.
Produtores Executivos: João Marcello Bôscoli,
André Szajman e Cláudio Szajman
Direção geral: Jair Oliveira
A&B: JMB
Seleção de Repertório: Tom Zé
Coordenacão da Produção: Neusa, S. Martins e Riva Gonçalves
Assistente Artístico: Thácio Verçosa
Direção de Marketing: Vagner Garcia
Gerente de Marketing: Andrea Oliveira
Masterizado por Carlos Freitas no Estúdio Classic Master
Capa: Arte: Elisa Cardoso
Colaboração: Rafael Ramos Coelho
Núcleo de Moda e Imagem da Trama
Direção: Emanuela Carvalho
Produção de Moda: Steffany Heine
Coordenação de Imagem: Joana Figueiredo
Produção de Imagem: João Sartorelli e Sabrina Roistacher
Contatos para show: 55 (11) 3673 54 89
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