JOGOS DE ARMAR
Trama , Novembro 2003)

Música do Século Passado
Em 17 de maio de 78 esses instrumentos, idéias e canções subiram ao palco da GV - Teatro da Fundação Getúlio Vargas - S. Paulo. Na pág. 2 (v. abaixo), notícias desse show nos jornais do dia.
Lá, o embrião de células musicais que podem ser manejadas, remontadas: um tipo de canção-módulo, aberta a inúmeras versões, receptiva à interferência de amadores ou profissionais, proporcionando jogos de armar nos quais qualquer interessado possa fazer por si mesmo:
a. uma nova versão da música, pela remontagem de suas unidades constituintes;
b. aproveitamento de partes do arranjo que foram abandonadas;
c. reaproveitamento de trechos de letra não usados nas canções,para completá-las ou refazê-las;
d. construção de composições inteiramente novas, com células recolhidas à vontade, de qualquer das canções do disco-mãe.
Acompanha o cedê auxiliar (não é um cedê duplo!), Cartilha de Parceiros.
Neste, cada célula ou entrecho é apresentado separadamente, para permitir reelaborações e remontagens.
As bandas de garagens podem naturalmente fazer arranjos ou recomposições ao vivo - até fora da garagem.
Segue uma sucinta instrução Editora Irará/ Trama, para o caso de trabalhos que queiram assumir compleição profissional: Qualquer utilização comercial, reprodução ou publicação de peças derivadas de alterações das obras originais do artista Tom Zé, independentemente de suporte ou meio - digital ou analógico - deverá ser regularizada na Editora Irará/Trama.
Mondesmontável - por CARLOS RENNÓ
O CD principal, aqui, na verdade não é o “Jogos de Armar”, mas sim o “Cartilha de Parceiros (CD Auxiliar)”.
Em “Jogos de Armar” Tom Zé, seus parceiros-próximos e produtores fizeram apenas uma versão, uma montagem possível dos módulos contidos no “Cartilha de Parceiros ”.
As versões mais importantes, naturalmente, serão feitas pelos parceiros-distantes, amadores e/ou profissionais. O caráter da proposta carrega no lúdico-provocativo e na instigação intrínseca e extrínseca:
1) convite a meter a mão;
2) convite a suprir as faltas;
3) navegação extragalática,
4) escola aberta,
i. é:
1) participar, compor, remanejar, etc.
2) os dados fornecidos no “Cartilha de Parceiros”estão repletos de faltas, de incompletude. Pretende-se pedir ajuda mais intensa à criatividade do parceiro-distante, amador ou profissional; tanto em trechos do próprio canto como na confecção de novos módulos ou ligações dos arranjos, que são faltantes nos dados desse CD Auxiliar;
3) o assunto das 14 tentativas-canções realizadas no cd-mãe “Jogos de Armar” permite uma navegação fora de sua gravidade e de seus limites. Navegação tanto racional e lógica quanto arbitrária e contraditória. Quer dizer: duas ou mais canções podem, na mão do parceiro-distante, criar uma terceira, nova e que não existe no cd-mãe;
4) a atividade do parceiro-distante pode trabalhar com as formas conhecidas da música popular e até com técnicas e formas do terreno da música erudita:
a) colhendo dois temas contrastantes para compor um desenvolvimento semelhante ao da forma-sonata;
b) praticar o contraponto clássico; ou essa espécie de superposição usada por Tom Zé na versão constante do cd-mãe, mostrando sempre uma canção de muitas faces, uma canção quase cubista;
c) recursos da música serial e dodecafônica: espelho, inversão, e outros, como a inversão feita no show anterior com “Hey Jude” (ainda não gravada) etc;
5) aquilo que nem eu, nem Tom Zé e nem Deus pode imaginar...

1. PASSAGEM DE SOM (Tom Zé/ Gilberto Assis) Gênero:chamegá-exaltação ARRASTÃO DE ARI BARROSO E DO COMPOSITOR DAVID GORENCHENDLER Ed. Irará (Trama) 70274607
FALA:
Alô! Tem som aqui neste microfone?
Quanta microfonia!
1, 2, 3, som, experiência
1, 2, 3, som, experiência
Alô alô som
O cio do som
Alô alô som
O vinho do som
Alô alô som
A caixa de som om om
A caixa de som om om
Bota um pouco mais de agudo
Aqui para o vocal
O sal que tempera o vocal
Coro: Tão grave é mau
Tão grave é mau
Mais grave aqui no contrabaixo
Que me desabotoa na boa
E me racha por baixo
Coro: E que me racha por baixo
Que me racha por baixo
Um toque na sua guitarra
Me amarra e grita no meu peito
Coro: Não dá mais jeito
Desse jeito
Um toque no seu bandolim
Que jasmim sobre mim
Sobe em mim
Coro: Ai ai ai ai ai ai ai
É tão gostô
Baté contrabá
Guitá guitá gritar
Coro: Ai! Joãojacksonjoãogonzagá
Gonzá Gonzá
Ai ai Gonzá Gonzá
Ai Gonzá ai Gonzá
... ... Gonzá Gonzá Gonzá
Ó ó ó ó ó
VERSOS PARA POSSÍVEIS PARCERIAS
Ser o abismo
De ser o não-ser
E ter a gula
De nada reter
O sétimo selo do sétimo véu
Õ õ ô
Sem si ré lá
No sol fá
Mi
Por cima de si
Sem dó
(Vocalises,Tom Hert-Zé, etc.)
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2. PEIXE VIVA (Tom Zé/ Zé Miguel Wisnik) Gênero:chameguinho choro ARRASTÃO DE EDU LOBO Ed. Irará (Trama) 70274619
Iê quitíngue lelê
Lambaio enguia curimã
Lambaio enguia curimã
Lambaio enguia vermeio
Iê quitíngue
Iê quitíngue
Iê quitín
Gue lê quitíngue lê
Iê quitín
Iê quitín
3. JIMI RENDA-SE (Tom Zé/ Valdez ) Gênero: maracapoeira ARRASTÃO DO FALAR SOFISTICADO Ed. Sonata (Fermata) 70274620
Guta me look mi look love me
Tac sutaque destaque tac she
Tique butique que tique te gamou
Toque-se rock se rock rock me
Bob Dica, diga,
Jimi renda-se!
Cai cigano, cai, camóni bói
Jarrangil century fox
Galve me a cigarrete
Billy Halley Roleiflex
Jâni chope chope chope chope
Ô Jâni chope chope
Ie relê reiê relê
MOEDA FALSA (Tom Zé) Gênero: maracapoeira Ed. Irará (Trama) 70274632
Fala: E logo o Brasil, que vai ser um país rico,
quando esse diabo desse petróleo acabar
O dólar é moeda falsa
O americano já não segura as calças
A Alemanha quase pedindo esmola
A inglesa não usa mais calçola
Na Itália não tem mais sutiã
Suíça não lava a bunda de manhã
Ô, cabrobó,
Eles vão tomar no fiofó
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4. CHAMEGÁ (Tom Zé/Vicente Barreto) Gênero: chamegá ARRASTÃO DE JACKSON DO PANDEIRO E GORDURINHA Ed. Irará (Trama) 70274644
Com ê Seu jei de tê Graça no balan Miná meu tem Crian Passa na lembran
Conté Que o no me dé era diferen seu nom era Embolá no falar da gen
“Aí chegou o gringo com o sequencer para prender o músico brasileiro na camisa-de-força do metronímico 4/4 rock-pop-box.'' (David Byrne, em carta)
Xanduzinha, que vergonha Espezinharam-na-fulô E chegou um chamego chamado pop Ah, puta que pariu, Bate funk bate folk Ah, puta que pariu Bate estaca, bate rock Ah, puta que pariu, Gonzaga filho adotado Yê Olodum Renasceu mais avexado Yê Olodum ‘’
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5. DESAFIO (Tom Zé / Gilberto Assis) Gênero: desafio nordestino ARRASTÃO DE JORGE MELO Ed. Irará (Trama) 70274656
Doutor: Meus senhores, vou lhes apresentar
A figura do homem popular,
Esse tipo idiota e muquirana
É um bicho que imita a raça humana.
O homem: O doutor exagera e desatina
Pois quando o pobre tem no seu repasto
O direito a escola e proteína
O seu cérebro cresce qual um astro
E começa a nascer pra todo lado
Jesus Cristo e muito Fidel Castro
Refrão:
Africará mingüê e favelará
mérica de verme que deusará
Iocuné Tatuapé Irará
Doutor: Veja o pobre de hoje: quer tratar
Do direito, da lei, ecologia.
É na merda que eles vão parar
Ou na peste, maleita, hidropisia.
O homem: Mas o Direito, na sua amplitude
Serve o grande e o pequeno também.
Além disso quem chega-se à virtude
E da lei se aproxima e se convém
Tá mostrando ao doutor solicitude
Por querer o que dele advém.
Refrão:
Africará minguê ... ... etc.
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6. PISA NA FULÔ (João do Valle/ Ernesto Pires/ Silveira Júnior) Gênero: xote Ed. Warner/Chapell 70274668
Pisa na fulô, pisa na fulô, Pisa na fulô, Não maltrata o meu amor
Eu vi menina que nem tinha doze anos Agarrar seu par e também sair dançando Sastifeita, dizendo: "Meu amor, Ai, como é gostoso Pisa na fulô".
Pisa na fulô, pisa na fulô ... ... ...
Sô Serafim cochichava com Diõ Sou capaz de jurar Que nunca vi forró melhor Inté vovó Garrou na mão de vovô Vambora meu veinho Pisa na fulô.
Pisa na fulô, pisa na fulô ... ...
De madrugada Zeca Caxangá Disse ao dono da casa: "Não precisa me pagar. Mas por favor, Arranje outro tocador Que eu também quero Pisá na fulô".
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7. ASA BRANCA (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira) Gênero: baião Ed. Fermata 70274670
Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei, ei, a Deus do cé - éu
Por que tamanha judiação?
Que braseiro, que fornalha,
Nem um pé de plantação
Bis Por falta dágua perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Bis Entonce eu disse: Adeus, Rozinha,
Guarda contigo meu coração
Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Bis Eu te asseguro, não chores não,viu,
Que eu voltarei, viu, meu coração.
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar, viu, pro meu sertão
8. CONTO DE FRALDAS (Tom Zé) Gênero: baião-acalanto ARRASTÃO DOS QUEBRA-LÍNGUAS NORDESTINOS Ed. Irará (Trama) 70274681
Penso
Que pena que seja pouco
Só penso pensamento
Que possa te procurar
De cá, de lá
Baile beijinho
Beijo beijoca
O b da brincadeira
Brinquedo balbuciar, ciar
Tim-tirim-tirim-tim
Tirim-tirim-tim
Tirim
My love lua da lenda
Longe me leva lá
No dia em que te conheci
Eu ainda molhava a cama
Molhava a cama-a-a-a
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9. MEDO DE MULHER (Tom Zé) Gênero: chamegá ARRASTÃO DE UM JINGLE PARA MÁQUINAS DE ESCREVER ENCOMENDADO POR WASHINGTON OLIVETTO EM 1977 Ed. Irará (Trama) 70274693
Iê le le lê
Iê le le lê
A Dora me botou fora
A Biu me despediu
A Marta nem uma carta
Dorete nem um bilhete
Dudinha nem uma linha
Zenai nem gudi bai
Susana fui rolimã
Pra Lana fui tobogã
Pra Beta fui bicicleta
Teresa bateu de "t"
Zenai bateu de ai
Patrícia bateu de pá
A Benta me acorrenta
Teresa no pé da mesa
Joana no pé da cama
Anália com a navalha
Adele me corta a pele
A Gal é que bota sal
Celeste botou-me peste
Edite botou-me gripe
Soraia me botou saia
A Malva me depilava
A Cáti de alicate
Odete de canivete
Luzia, cada fatia
Que a Bia me dividia
Maria distribuía
Socorro como um cachorro
A Tânia como uma aranha
A Dora com a espora
A sombra se aproxima
Enorme sobre o meu berço
Levanta-me pelo ar
Mamãe, me bota no colo
Me dá de mamar no peito
Balança pra eu arrotar
Balança pra eu arrotar
Boi, boi, boi da cara preta
Pega o Toim Zé que ele tem medo de careta
Boi, boi, boi cara de louça
Pega o Toim Zé que ele tem medo de moça
Boi, boi, boi cara de lua
Toim Zé ainda chora
Quando vê moça nua.
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10. O PIB DA PIB (Tom Zé / Sérgio Molina / Alê Siqueira) Gênero: Bloco de Turistas Europeus para o Cordão das Meninas do Nordeste ARRASTÃO DE ROSSINI - O BARBEIRO DE SEVILHA Ed. Irará (Trama) 70274716
Catorze, catorze anos, Doze anos, doze anos
Imagine um gringo daquele tamanho Em cima da criança pobre nordestina, Sufocada, magricela, seca, pequenina, Ah, Nossa Senhora minha
O PIB da PIB que pimba no seco Pimba no molhado Pimba no seco saco seco Peixe badesco na filha dos outros é refresco
Ô Senhora, Mãe Senhora, Nessa hora olha pra tua menina, Senhora
A Prostituição Infantil Barata É a criança coitadinha do Nordeste Colaborando com o Produto Interno Bruto E esse produto enterra bruto
Refrão: Que dor, que dor
Que suja a bandeira
Oi, essa quebradeira
Oisquindô - lalá
Catorze, catorze anos, Doze anos, doze anos
VERSOS PARA POSSÍVEIS PARCERIAS
(Versos para possíveis parcerias)
O governo acha que se ela pega Uma aidisinha não é nada, nada Passa na vizinha, vai na rezadeira Pede à benzedeira chá de aroeira Que esse Produto Interno Bruto Justifica tudo.
A grana da Europa que bate na porta Doutor pouco se importa se ela seja porca Vêm o godo, o visigodo, o germano, o bretão Eita, globarbarização
O diabo zela a politipanela Quando acende vela Reza Ave-Maria todo o dia Esse capeta pelo rabo Soque esse diabo
Ah, ah, pinta-la-inha Bê cana-bentinha Cê cê de marré-deci
Refrão: Que dor, que dor, Que suja a bandeira Oi, essa quebradeira Oisquindô - lalá
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11.CAFUAS, GUETOS E SANTUÁRIOS (Tom Zé) Gênero: improviso hip-hop. Tema solicitado por Sinval Itacarambi para cabeça de um programa de televisão ARRASTÃO DO SOM DOS MANOS DA PERIFERIA Ed. Irará (Trama) 70274728
Tum tum tum cafuas
Tum tum tum guetos
Tum tum santuários
São Paulo
Coro: São Paulo, São Paulo
Em algum lugar da tua violência és domingo
Coro: Domingo, domingo
Em algum lugar do teu domingo
Tens um útero de idéias
Coro: Idéias, idéias
Cafuas, guetos e santuários
Vêm hoje aqui na periferia
Procurar o ouro das cabeças
Coro: Cabeças, cabeças
Tum tum tum cafuas
Tum tum tum guetos
Tum tum
CANÇÃO INACABADA E PARA SER FEITO
O ARRANJO
13. PERISSEÍA (Tom Zé / Capinan) Gênero: samba rap ARRASTÃO DE HOMERO Ed. Irará (Trama) 70274741
Sabe com quem tá falando?
Eu sou amigo do Rei...
Que importa o nome que eu tenho
Que importa aquilo que eu sou
Se eu tenho um sonho impossível
Pra mim o tempo parou
Meu nom, meu nome é Peri
Meu nom, meu nome é Zumbi
Meu nom, meu nome é Galdino
Meu nome é Brasil
Um gigante-menino
Um navio sem destino
No ano dois mil
CORO
Se eu pudesse atrasaria
Este relógio dois mil
Pra rezar na primeira missa
Pelo futuro do Brasil
ACALANTO
Inhem inhem inhem
Inhem inhem inhem
Nhem ... nhem nhem
Nhem nhem
CORO
Iê Peri iê Peri iê camará
Iê Peri camará
Peri Brasil
PERI
E eu, o que sou?
E eu, o que sei?
Macunaíma, sou eu?
Tiradentes, sou eu?
Sou eu um poeta
Sou eu um pião?
Quantos anos eu tenho
Quantos anos terei?
Eu que vivo sem, jamais saberei
Ó meu pai, não me abandone,
Minha mãe, como é meu nome
Este mundo tem lei?
Este mundo tem Rei?
CORO
Se eu pudesse atrasaria ...
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12. A CHEGADA DE RAUL SEIXAS E LAMPIÃO NO FMI (Tom Zé) Gênero: baiãolenda ARRASTÃO DE CANÇÃO FOLCLÓRICA E DO ESTILO TROVADOR NORDESTINO Ed. Irará (Trama) 70274730
É Raul, Raul, Raul, É Raul Seixas, é Lampião Chegaram no FMI Que nem tentou resistir
É Raú, Raú, Raú, Lampião não anda só Trouxe Deus e o diabo Raul, a terra do sol
Lampião com o clavinote Raul trouxe o Ylê Ai Ê Tiraram os colhões do rock Enrabaram o iê-iê-iê.
Chegaram na Casa Branca Os dois de carro-de-boi Tio Sam fugiu de tamanca Ninguém viu para onde foi
Wall Street fechou E a ONU não deixou pista O presidente jurou Que sempre foi comunista
Mano Brown disse a Raul O dinheiro a gente investe No Banco Carandiru Xingu, favela e Nordeste
Todo-poderoso e rico O grande senhor dali Cagou-se, pediu pinico Aflito, fora de si
Pois o FMI Viu que não tinha mais jeito E entregou todo o dinheiro Para o pobre dividir
E o mundo se viu diante De grande felicidade: Trabalho pra todo o dia Comida pra toda a tarde
Mas entre os países pobres Não houve fazer acordo Para dividir os cobres E a guerra pegou fogo
TRECHOS DE LETRA INCOMPLETA: SUGESTÃO PARCERIA
Mas chegou Renato Russo De Belém trouxe Fafá E ela só trouxe um busto Pra Ásia toda mamar
Nesse dia moribundo O FMI se fechou E o povo inteiro do mundo Sofrido comemorou
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14. SONHAR (SONHO DA CRIANÇA- FUTURO--BANDIDO DA FAVELA, NA NOITE DE NATAL) (Tom Zé / Sérgio Molina) Gênero: samba-enredo ARRASTÃO DA ALA ESFARRAPADOS DE JOÃOSINHO TRINTAE DO PROGRAMA DO MAESTRO WALTER LOURENÇÃO NA RÁDIO CULTURA FM Ed. Irará (Trama) 70274753
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| TEXTO DO CANTOR
Iê iô Ié quá foguê (Bis)
Sonhar o pão Toda a manhã E ser aquele que mastiga
Sonhar o gosto Do alimento Se misturando na saliva
Aquele aroma Que a gente sente Pó de café na água quente
Sonhar escola Senhor São Bento Sonhar o tal discernimento
Sonhar a besta Que em seu fastio A fúria do começo viu
Sonhar o fogo Do quilarão Que veio do ainda-não
Gratia plena Vida terrena O céu aqui a gente pare
Filii tui Na via crucis Per mare nostrum navigare
Iê iô Ié quá foguê
Sonhar a porta Da esperança O entra e sai da vizinhança
Sonhar o curso Do marinheiro Que viajou o mundo inteiro
Sonhar a lenda Por cuja fenda Sabedoria nos assalta
Sonhar o mito Que em todo o rito O filho ao parricídio ata
Iê, iô Ié quá foguê (Bis) De San Juãããã ão dá dó de
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TEXTO CONTRA O CANTOR
Quê tum guê guê Quê tum gô Quê quê quê quê ta dê
Nem sonho Me apanha Porca dessa bronha
Sacana Me engana Rabo de mundana
Na luta Labuta Tã tã tã tão bruta
Insulta Disputa Tã tã tã tão bruta
A merda Quem herda Desfruta
A terra Tempera A fruta
Quê tum guê guê Quê tum gô Quê quê quê quê ta dê
Sinala A sina Assa sa sassina
Infausto Me arrasto Solto neste pasto
Assusta Degusta Tanto faz
Renego Arredo Satanás
Quê tum guê guê Quê tum gô Quê quê quê quê ta dê
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A BANDA
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| GILBERTO ASSIS, CRISTINA CARNEIRO, SÉRGIO CAETANO, MARCO PRADO, JARBAS MARIZ E LAURO LÉLLIS |
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Dedicado aos meus professores, que me salvaram a vida. Representando-os: Prof. Artur de Oliveira, primeiro grau; Belmira Santos, Segundo grau; Hans Joachim Koellreutter e Ernst Widmer : Universidade da Bahia.
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Da esquerda para a direita: Alê Siqueira, Walter Ohara, Roberto Maia, Andy Rubinsteins, Antônio Nascimento, Cláudia Rubinstein, Rui Ohara e Edu Manzano |
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Da esquerda para a direita: Cláudia Rubinstein, Walter Ohara, Antônio Nascimento, Alê, Edu Manzano, Rui Ohara, Andy Rubinsteins e Roberto Maia.
Tom Zé, Alê Siqueira e o HertZé
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Ficha Técnica
PRODUTORES EXECUTIVOS João Marcello Bôscoli, André Szajman e Cláudio Szajman
A&R Kid Vinil
Assistência Executiva Marcelo Ribeiro
Direção Musical Gilberto Assis
Gravação Alê Siqueira
Arranjos Tom Zé, Gilberto Assis e Alê Siqueira
Organização do Cedê Cartilha de Parceiros Flávio de Souza
NÚCLEO DE MODA E IMAGEM DA TRAMA
Direção Emanuela Carvalho
Produção de Moda Carlos Escorel / Pat Prudente / Erick Wolf
Gerência de Design Gráfico Patricia Diogo
Produção Gráfica Jardel Giúdice Maluf e Luciana Mafra
Fotos Debby Gram
Make up Erick Wolf
PROJETO GRÁFICO Elifas Andreato e Bento Huzak Andreato
Direção de Arte Elifas Andreato
Editoração Eletrônica e Arte Final Bento Huzak Andreato
Assistente de Produção Gráfica Janaina Abreu
MÚSICOS
Lauro Léllis - bateria
Gilberto Assis - baixo, baixolão, violão, vocais
Jarbas Mariz e Sérgio Caetano - bandolins e vocais.
Marco Prado - guitarra
Cristina Carneiro - teclados
Tom Zé - violões de Chamegá
Luanda e Zilda Maria vocais
Gilmar Ayres tenor
Ana Sueli Nobre, Naoko Akamine e Juliana Parra sopranos
Marcos Suzano percussão
Ana Luísa Lima cravo (em Asa Branca)
Guilherme Kastrup zabumba, tambor-boi (em Medo de Mulher)
José Miguel Wisnik vocal (em Peixe Viva (Iê-Quitíngue))
Swami Jr. Violão de 7 cordas
Alê Siqueira vocal grave rasgado (em Cafuas, Guetos e Santuários)
Toninho Ferragutti acordeom
Bocato trombone
Carlos Malta saxofones, pífanos e flautas
Renato Anesi cavaquinho, bandolim, cryvaco, viola caipira e banjo
Nayara entradas intempestivas no estúdio
Instronzémentos
CONSTRUTORES
HertZé (sampler brasileiro, 1978) Roberto Maia,Rui Ohara e Walter Ohara
Buzinório Roberto Maia, Rui Ohara, Walter Ohara e Luiz Botelho
Lay out Andy Rubinstein e Cláudia Rubinstein Soares
Canetas Lazzari Claudinho
Enceroscópio Antonio Nascimento, Rui Ohara e Walter Ohara
Serroteria Antonio Nascimento
PERFORMANCE NO ESTÚDIO
Gilberto Assis , Alê Siqueira e Tom Zé
Mixagem Flávio de Souza, Alê Siqueira, Estúdio Compasso
Edições Alê Siqueira
Masterização Marcos Eagle
ILUSTRAÇÃO DA DANÇA DO CHAMEGÁ Edu Manzano
DANÇA DO CHAMEGÁ Laura Huzak Andreato e Paula Lisboa
AGRADECIMENTOS
Flávio Augusto Estúdio Compasso
Jorge Polsen Tecnologia Musical
Neusa S. Martins Assessoria
Dr. Osíris Camponês do Brasil e Dra. Mara Behlau Assistência e orientação vocal
João Marcelo Bôscoli encorajamento e ousadia