Música: Tom Zé e Gilberto Assis
Coreografia: Rodrigo Pederneiras
Cenário: Paulo Pederneiras e Fernando Velloso
Figurino: Ronaldo Fraga
Iluminação: Paulo Pederneiras

As Funções Tonais da Harmonia Tradicional
É conhecida a estratégia de provocar uma infecção dosada para obter o antídoto. Aqui, por meio de um erro controlado nas funções tonais, provocamos uma fermentação que, a depender do grau, fica entre a raiva e a vacina.
Mesmo falando em termos estritamente musicais, nas peças 5 e 7 esse estranhamento abre o ventre do tempo e nos precipita numa janela do espaço.
Conhecemos isso no mito e no cotidiano. Seja o príncipe da Dinamarca, seja o Orestes de Ésquilo, seja Sir Patrick Spence, navegador da lendária canção escocesa, seja na vida comum de qualquer um de nós. Muitas vezes estranhamos em zonas de atrito ou até em mares tempestuosos. E, quer reajamos com um limbo de indecisões, quer nos lancemos em uma luta temerária, quer nem percebamos a virose que nos consome, a nossa vida diária está repleta dessas tonalidades conflitantes.
Mas o caso que atamos a esta peça foi o de Santo Agostinho, por causa da amorosidade romântica que nos contaminou durante a composição dela. No século V d.C. o santo da igreja também se deparou com funções tonais conflitantes e harmonias paradoxais quando, munido do gnosticismo neoplatônico, sofria para harmonizar o prazer sexual e o amor carnal do corpo sagrado de uma religião cristã, que, naquele tempo, ensaiava a tessitura de seus dogmas.
Cavalo e cavaleiro, Santo Agostinho queria subir ao céu pelos buracos.
Ambivalente também, o âmago dessas idéias musicais foi inspirado numa fonte de tempos e noutra de espaços. Não digo “tributo” para evitar um termo pomposo e meio malandro. Entretanto foram, de um lado, Pixinguinha, mais a família Carrasqueira, mais os músicos do gênero chamado instrumental brasileiro – especialistas na estruturação do tempo - ; e, de outro lado, Rodrigo Pederneiras – especialista em prover de sentido o espaço -, as fontes onde, ao lado de Gilberto Assis, me embriaguei de romantismo e mendiguei engenho para plagiar as pequenas peças aqui contidas.
Tom Zé

| 1. Choro 1: Marco da Era 2:17 |
| 2. Choro 2: Ayres da Mantiqueira 5:37 |
| 3. Choro 3: Nogueira do Monte 3:25 |
| 4. Choro 4: Moura-Sion 5:17 |
| 5. Choro 5: Pixinguim-Rasqueira 9:25 |
| 7. 5b: Hermetório |
| 8. 5c: Joãogilbertório |
| 9. 5d: Yamanduzório |
| 10. Choro 6: Cyro-Gberto 7:38 |
| 11. Choro 7: Bate-Boca 7:07 |
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3. Choro 3: Nogueira do Monte Tiê tiê tuê tuê tuê tie tiê tuê tuê tuê |
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5. Choro 5: Pixinguim-Rasqueira Pandê que chó
que chora mi
pandê que chó
que chora ti, ti, ti
cati cati
que choro cativan
(Coro das Mulheres Fuxiqueiras)
Que ti que ti que ti
que ti que ti que ti
que ti que ti que ti
que ti que ti que ti que ti
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6. 5a: Marky-Patifório (Bandinha dos Anjos fm 103,3)
(Anjinho contraltos) Íe róe rié ró e ró
(Anjinhos sopranos) Íe róe ríe ró e ró
... ... ... etc.
Oh oh oh oh oh
ah oh oh ah ... ... ... etc.
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7. 5b: Hermetório (coro: Homo-Sapo)
Bedê bidu batuca mi
bedê bidu batuca ti ti ti
bedê bidu batuca tu tu tu
Pandê que chó ... ... ...
(Coro das mulheres Fuxiqueiras)
Qui ti qui ti qui ti ... ... ... etc.
(Coro das Mulheres Realistas)
Ridículo chorar a a
patético viver ê ê
paradoxal prazer
apologia do sofrer
Ridículo chorar a a
(Coro das mulheres Românticas)
Chorar é coisa do amor
amor, coisa do coração,
o coração é do sonhar
sonhar este chorinho, chorar.
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8. 5c: Joãogilbertório Música: Tom Zé e Gilberto Assis Letra: Tom Zé (Coro das Mulheres Pragmáticas) Só ilusão
não sabe quem não quer
saber,
inocente mulher:
é só paixão.
(Coro das Mulheres Inconformadas)
0 choro
tão doce
é enganador.
Sincero
Se fosse,
teria mais pudor.
Mas rasga o coração
e gosta de sofrer;
lascivo, ele exalta
a dor como prazer
(Interrupção do Coro das mulheres Pragmáticas)
Porém no laço
dos martírios teus,
ou nos lírios
e delírios meus,
somos a multidão:
um simples coração
só
só
gritando no porão.
(Coro dos homens-fêmeos)
Chorinho que chó
chorinho que chó
chorinho que chó
... ... ... etc.
(Coro das mulheres Gozadoras)
Meu bem chora por mim
meu bem chora por ti
soluço pra te ver cantar
cantando, venho soluçar.
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| 9. 5d: Yamanduzório Música: Tom Zé e Gilberto Assis Letra: Tom Zé (Coro das Mulheres Épicas) Até na Inglaterra (Cora das Mulheres Concordantes) Ô ô (Coro das mulheres santas) Até Santo Agostinho (Coro das Mulheres Beatas) Ô ô (Coro das Noras de Ibsen) No choro (Bandinha dos Anjos 103,3) oh oh oh oh Di guidi-guidi guidi-guidi Digui digui digui di di (Algumas aderem) Di guidi-guidi guidi-guidi ... ... ... etc. (Coro dos homens Egoístas) Pande que chó ... ... ... etc. (Coro dos Homens?fêmeos) Chorinho que chora mi (Coro das Mimosas de Siracusa) Quitiquirá (Coro dos homens Sedutores com as Mimosas de Siracusa) Quitiquirá |
11. Choro 7: Bate-boca Música: Tom Zé e Gilberto Assis Letra: Tom Zé (Sopranos) qui qui qui qui qui qui (baixos) Có Có Có Có Có Có (Coro dos filhos de beckett) Di godi godi (Coro das Filhas Dadaístas) Na pá de cá na pá de cá (Coro do Samba-de-Roda) Zé do pé duro (Contracoro) Urubu-ti pereba-tu (Parábase Caipira) Vá ti ti catá vá ti catá ti vá
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Música: Tom Zé e Gilberto Assis
Letras: Tom Zé
Vange Milliet (Solo-contralto)
Tetê Espíndola (Solo-soprano)
Produção: Paulo Lepetit e Gilberto Assis
Supervisão Musical: Cristina Carneiro
Mixagem: Paulo Lepetit e Gilberto Assis
Estúdio: WAH-WAH
Engenheiro de Som: Paulo Lepetit
Taxinomia: Marta Fonterrada
Masterização: Carlinhos Freitas
Choro 1: Marco da Era
Arrastão de Marco Antônio Guimarães
Hertzé: Tom Zé, Gilberto Assis, Paulo Lepetit
Choro 2: Ayres da Mantiqueira
Arrastão de Nelson Ayres e Banda Mantiqueira
Garrafas e Apitos: Gilberto Assis, Cristina Carneiro, Míriam Cápua, Jarbas
Mariz, Sérgio Caetano
Trombone Plástico: Bocatto
Metais: Bocatto, Ubaldo Versolato, Demétrio S. Lima, Cláudio Faria
Violões: Gilberto Assis, Paulo Lepetit
Guitarra: Sérgio Caetano
Contrabaixo e bandolim: Gilberto Assis
Hertzé: Paulo Lepetit Gilberto Assis, Tom Zé
Bateria: Lauro Léllis
Percussão: Lauro Léllis, Míriam Cápua
Choro 3: Nogueira do Monte
Arrastão de Paulinho Nogueira e Heraldo do Monte
Vocais: Vange Milliet Ceumar Coelho
Violões: Tom Zé, Gilberto Assis, Sérgio Caetano
Bandolim: Webster Santos
Flauta e Clarinete: Amintas Brasileiro
Percussão: Guilherme Kastrup
Choro 4: Moura-Sion
Arrastão de Paulo Moura e Roberto Sion
Vocal-solo: Vange Milliet
Piano: Cristina Carneiro
Bandolim: Luiz Waack
Coro: Gilmar de Oliveira Ayres, Cristina Carneiro,
Gilberto Assis, Sérgio Caetano
Choro 5: Pixinguin-Casqueira
Arrastão de Pixinguinha e dos Carrasqueiras
5a: Marky-Patifório
5b: hermetório
5c: Joãogilbertório
5d: Yamanduzório
Vocal-solo: Tetê Espindola (Soprano)
Vange Milliet (Contralto)
Coro feminino: Vange Milliet Ceumar Coelho
Coro masculino: Sérgio Caetano, Jarbas Mariz, Gilberto Assis, Tom Zé
Aconselhamento Vocal: Júlio Medaglia
Cornetinhas: Tom Zé, Gilberto Assis
Guitarra e Viola Caipira: Luiz Waack
Guitarra e Violão: Gilberto Assis
Violão 7 cordas: Swami Jr.
Hertzé: Cristina Carneiro
Flauta e Clarinete: Amintas Brasileiro
Choro 6: Cyro-Gberto
Arrastão de Cyro Pereira e Egberto Gismonti
Coro Feminino: Vange Milliet Ceumar Coelho
Contrabaixo, Violões e hertzé: Gilberto Assis
Flauta e Clarinete: Amintas Brasileiro
Choro 7: Bate-boca
Arrastão do Diálogo Brasileiro
Violões: Tom Zé, Sérgio Caetano
Violão 7 cordas: Gilberto Assis
Bandolim: Webster Santos
Percussão: Guilherme Kastrup
Coro Feminino: Vange Milliet, Ceumar Coelho
Coro Masculino: Sérgio Caetano, Gilmar de Oliveira Ayres,
Lenin Silveira Gimenes, Tom Zé, Gilberto Assis
Flauta e Clarinete: Amintas Brasileiro
Hertzé de Metais: Paulo Lepetit e Gilberto Assis
Direção de Arte: Guili Seara
Fotos: José Luiz Pederneiras
Designers Assistentes: Anna Carolina Perim e Fernando Jorge
Arte Final: Túlio Linhares
Produção Gráfica: Marden Diniz
Mockup: Ilacir César
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