NAVE MARIA
Dudu, bidu, bidu, bidu, bi mama água
Dudu, bidu, bidu, papá, dá, dá-á
Quando eu cheguei das estrelas entrei na terra por uma caverna chamada Nascer
E eu era uma nave uma ave da ave-maria e como uma fera que berra entrei na atmosfera
E cuspido, espremido, petisco de visgo, forçando a passagem pela barreira, sangrando, rasgando, subindo a ladeira, orgasmo invertido, gritei quando vi: já estava respirando.
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MAMAR NO MUNDO
Oh! mamãe, eu quero é mamar no mundo. Quero, papai, saber no fundo.
Negar a boca do pai para eu mesmo descobrir, desesperar-me de medo perante cada segredo
Eu sofro de juventude essa coisa maldita que quando está quase pronta desmorona e se frita.
Negar tudo que é sagrado para aprender a rezar entrar no quarto da lua, vestir a língua da rua.
Eu sofro de juventude (etc.)

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SU SU MENINO MANDU
Su, su, menino mandu olho de gato nariz de peru
mais tarde quando a noite cair eu levo cedo meu bem pra dormir se o vento vem ver a janela aberta eu mesmo é que sou a coberta

IDENTIFICAÇÃO
impulsos de medo, 103 sintomas neuróticos, 33 propaganda consumida, 1 106 I, iden ti-fi-ca-ção (identificação)
cabelos prê olhos castan nascimento onze do dé de trinta e sê
alerê-ê-ê-ê alerê-ê-ê-ê
rg 4654743 São Paulo hum hum cic dois meia cinco nove zero barra zero zero huuum
alerê ...
inps 4 7 3 1 3 8 5 3 hum hum Ordem dos Músicos 085zé Irará Bahia ia iá
Tempo de vida previsto para o cidadão: 600 mil horas de vida; abatimento pelo consumo de alimentos envenenados refrigerantes, remédios e enlatados: 1 125 horas abatimento pelo salário amarrado suado, apertado: 1 125 horas abatimento pelo medo de doenças incuráveis como cólera e meningite: 1 125 horas
Fio de seu Éwerton e de dona Helena, testemunhando seu Teófilo e Zé Petu, ô, Zé Petu.
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CILINDRADA
A cilindrada fina
meninamorada
me deixou na mão
curto-circuito, pô!,
que martelouqueceu
também meu coração.
Quanta paquera
paquê, paquerei
para me vingar daquela dor,
500 watts, queimando óleo diesel
e distorção: pirou meu transmissor
pirou meu transmissor.
E me doía
na pele
no pêlo
tirado por minha
maldita patota
que me lembrava
da pele
do pêlo
(veludo)
daquela cocota.
Que foi viver
sua vida de
suavidade
pelas bocas e me desmamou
quando me deixou:
o meu ouvido, que andava
pregado na saia dela
pra ficar escutando o raspar da sua coxa
ela desligou.
A cilindrada fina
meninamorada
me deixou na mão
curto-circuito, pó!,
que martelouqueceu
também meu coração

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NENÉM GRAVIDEZ
tirá-tuá tirá-tuá ce ce tua tuá tira gudei cei cei tirá-gudai cai-cai tirá-suti-a-tuá tira-suti-a-tutu-á tira-tu-ei tuei tueiI tira-suti-a-tuá
Neném, me tira dessa gravidade me mete nessa gravidez neném, me tira dessa gravidade por essa graça gra sagrá sagrá--avidez
por essa grassa-gra sagrá sagrá sagrá-a-avidez
me tira desse dia-a-dia no mato me tira o sapato pela alça me pendura a calça se musa não anda de blusa me salva do computador alô alô amor

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ACALANTO NUCLEAR
Vem meu bem só posso agora te ninar
no colo quente da bomba nuclear
deita o desespero no meu travesseiro

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CONTO DE FRALDAS
Penso: que pena que seja pouco só penso pensamento que possa te procurar, de cá, de lá, menina
baile beijinho beijo beijoca o b da brincadeira brinquedo balbuciar, ciar ciar, menina
tim-tirim-tirim-tim tirim-tirim-tim tirim my love lua da lenda longe me leva lá
no dia que te conheci eu ainda molhava a cama mo-lha-va-a-cama-á-á-á

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MESTRE-SALA
O mestre-sala me tomou por uma negra, roubou a minha noite para o brilho das estrelas. Doce é tê-las sob as telhas.
O mestre-sala me tomou por um poema, roubou a minha rima para a musa do cinema que me acena nesta cena.
Me tomou por um pavão. roubou as minhas penas, foi dançar pro rei de Atenas.
Me tomou por uma chita, pintou-me toda de flores e alegrou comendadores.
Me tomou por vagalume, levou-me a luz acesa para os olhos da princesa.
O mestre-sala, ele viu que eu era santa despiu-me sem vidraça para estranhos numa praça pra sagrar-me, pra sangrar-me.
pra sangrar-me.
O mestre-sala me tomou por um perfume, levou-me com a brisa para o rei na sua frisa à guisa de amizade. Me tomou por paisagem roubou a minha vista para os olhos da turista.
Me tomou por uma fada, levou minha varinha pros desejos da rainha.
Me tomou por mel de abelha, levou minha doçura pro jantar da prefeitura.

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TEU OLHAR
Quando é dia teu olhar água clara teu olhar pela fresta do olhar procurava teu olhar minha alma, minha calma, estrela-dalva
Ventre, serpente, lua, coisa tua, rosa só de mucosa, coisa crua, muda, carnuda, seda, ser da vida sede viva veio no apelo me rogar.
Ida na proibida idade, pois arde que seja tarde
Ardilosa, dosa prosa sinuosa estrela-guia que me salva quando chega o dia.

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