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Wisnik e Tom Zé:afinados com o corpo

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Wisnik e Tom Zé: afinados com o Corpo

ã Thilde Rocha (Cultura "HOJE EM DIA" - Estado de Minas)

Os criadores do ‘‘colorido muito nordestino’’ (advérbio cunhado pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras) de ‘‘Parabelo’’, novo espetáculo do Grupo Corpo, dividiram ontem com os bailarinos os bastidores do pequeno teatro na sede da companhia. Responsáveis pela trilha sonora do balé, que estréia no dia 17 de setembro em São Paulo (Belo Horizonte ainda não tem data definida), o baiano Tom Zé e o paulista José Miguel Wisnik trocavam abraços e elogios pouco antes do ínicio de mais um ensaio.

‘‘Sou fã dele. Se ele fizer conferência de corte e costura eu vou. Mas quando faço entrevista com ele dá vontade de matar;ele é muito inteligente’’, disse um carinhoso Tom Zé. E aproveitou para colocar os pingos nos is: ‘‘O povo gosta de falar que eu sou um artista intuitivo. Nada disso. Sou um japonês e sofro horas por cada compasso’’, esclareceu.

O ‘‘sofrimento’’ ao lado do amigo Wisnik durou 30 dias de preparação e três meses de gravação no estúdio Salamandra, em São Paulo. O compositor paulista já havia assinado a trilha do espetáculo ‘‘Nazareth’’, criação do Corpo. O contato de Tom Zé com a danç se deu através do Balé Hispânico de Nova York, com uma coreografia de sua música ‘‘Toque’’, e do Grupo Livre de Dança de São Paulo, que utilizou na trilha o disco ‘‘Hips of Tradition’’, do selo de David Byrne.

Esta é a primeira vez que a dupla trabalha em composição. O palco, eles já dividiram em 1995, num show no Sesc Pompéia, na capital paulista. A dobradinha começou com a troca de material entre eles. "Depois de ouvir as coisas um do outro reunimos material e começamos a conceber maneiras de gravar. O Zé tinha mais prática de trilha", relembrou Tom. Wisnik completou o relato: "Partimos de um universo de temas criados pelo Tom, ligados ao sertão da Bahia. Foi o fio de inspiração, mas não quer dizer que seja uma coisa regional". "Estes temas só são da Bahia porque de alguma maneira fizeram um percurso do mundo da cultura oral e artesanal de lá até as universidades e o mundo urbano", arrematou Tom.

A trilha de 42 minutos, prevista para ser lançada em CD no próximo mês, tem base de violão, guitarra, baixo, bateria e percussão acrescida de piano, sanfona, rabeca pernambucana e zabumba. A obra é composta ainda pelo que Tom Zé chama de fontes: sons de serrotes, apitos e garrafas e outros objetos mais. As vozes são de Arnaldo Antunes, Ná Ozetti, da empregada de Wisnik, Gilvanete e de mais "duas cantoras que cantam como lavadeiras nordestinas". O resultado? "Fomos conferido juntos o que funcionava para dança" , lembrou Wisnik.

 

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