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Estudando a Bossa Nordeste
Plaza (Biscoito Fino, nov 2008)
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ESTUDANDO TOM ZÉ
FAIXAS
LETRAS
CIFRAS
AGRADECIMENTOS
A
BN, A PONTE E O
PODEROSO FEMININO
BN: UMA VISADA PARCIAL
E BAIRRISTA
FICHA DETALHADA
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Estudando Tom
Zé
A carreira de Tom
Zé teve início nos loucos anos 60, época em que colocar um “disco na
vitrola”, ligar um rádio ou TV, era motivo de surpresa, de beleza
nova, provocadora. Em todos os países do mundo a criatividade
transbordava pelos meios de comunicação e o público consumidor
queria sempre mais, seja na área da MPB, do rock, do jazz ou da
música de concerto. Dizer que Tom Zé “participou” daquele momento
histórico, é injusto. Ele foi, isto sim, um dos principais
responsáveis na época pelo que houve de mais revolucionário e
talentoso em nossa música. E, por um acidental e saudável contato
com um grande músico norte-americano, seu trabalho espalhou-se com
facilidade mundo afora, provando que não se tratava de “gracinhas”
de um baiano perdido no caos paulista, mas de obra de expressivo
estofo universal. |
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De lá para cá, não só no Brasil, mas na maior
parte do mundo tido como civilizado, muita coisa mudou. Parece que o
deslumbrante progresso da máquina de comunicação eletrônica agiu
como inimigo da criatividade musical. Quanto mais iPods, piores são
os repertórios consumidos. Mesmo grandes artistas brasileiros, que
participaram com grande intensidade daqueles excitantes anos 60, ou
se retiraram ou passaram a fazer uma música, às vezes bela, mas sem
maiores propostas. Este não é o caso de Tom Zé. Sua inquietante
mente centrífuga e centrípeta nos revela novas idéias sonoras,
comportamentais, artísticas a cada ação sua, seja num palco, num
disco ou num pronunciamento. Aquela irreverência típica do
Tropicalismo que lhe deu origem, está presente hoje em seu
comportamento cultural mais que nunca. Mais uma surpresa Tom Zé
nos oferece agora com seu CD Estudando a Bossa para a
Biscoitofino, verdadeiro QG da música inteligente e criativa
brasileira atual. Nesta época em que as pessoas contemplam e
praticam a Bossa Nova, quase como um refúgio espiritual
saudosista de algo criado há 50 anos atrás, pleno de melodias,
graça, beleza, talento, descontração, otimismo, charme, refinamento,
qualidade musical, provocação, autenticidade etc, etc, ele nos
revela a mais original leitura daquele momento artístico, a partir
de uma ótica bem humorada, verdadeira crônica de um passado
inesquecível, com vistas para futuro. Tudo que serviu de matéria
prima da Bossa Nova está deliciosa e anarquicamente presente em seus
versos, atuações vocais, arranjos, toques de violão, maneirismos,
dialetos, sotaques, expressões; do nome dos participantes, às
palavras chaves (barquinho, sol e sal, chega de saudade, bada-badi,
bada-badá, biom-bom), da citação às musas femininas a componentes
essenciais, como a síncopa ou Copacabana, do panorama sonoro da
época, com o samba-canção abolerado, trágico, do
ninguem-me-ama/ninguém-me-quer, às polemicas despertadas pela
implantação do novo gênero musical e assim por diante. Esse
verdadeiro documentário sonoro, bem século XXI, de um espaço musical
inesquecível e imorredouro de nossa alma, vai certamente nos levar a
estudar Tom Zé mais uma vez, como ele estudou para nós, à sua moda,
a Bossa Nova.
Maestro Júlio
Medaglia
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LETRAS
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0.
Introdução:
BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES 0m20s Autor: Tom Zé Intérpretes: Fernanda
Takai/Tom Zé Editora:
Irará
1.
RIO
ARREPIO (BADÁ-BADI) 2m45s
BRPUI0800288
Autor: Tom Zé / Arnaldo
Antunes
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão;
Daniel Maia: violão, baixo,
cavaquinho e guitarra;
Cristina Carneiro: teclados; Íris Salvagnini, Luanda Jarbas Mariz e
Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Mariana Aydar (gentilmente
cedida pela UNIVERSAL): vozes
Editoras: Irará / Rosa Celeste
badá-badi
badá
báTom
batiquitum
(bis)
badá
badia
dirá
que o Rio
copacabanamente
um arrepio
badá badia
dirá
vá botar o credi-cartório
para
se tostar, tá?
badá-badi
badá báTom
batiquitum
(bis)
badá
bá-dia de sol fogaréu para Ipanema parecer um céu
badá-badia no peito do Tom
Arpoador
ter que deixar o Leblon
Ainda
não me refiz
de ter perdido a Elis
Maysa,
Dolores, Leila Diniz
Por
isso na Lapa boêmia se diz
que
na canção do País
nunca a tristeza foi tão feliz
badá-badi,
etc..
sob
a janela Jobim passa um desfile sem fim Brigitte, Lollô,
Marilu, Marilyn
que
podem mostrar o pudim pra masturbar o
Pasquim ou
Roberto levar na Playboy pra mim
badá-badi,
etc..

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2. BARQUINHO
HERÓI 02m45s BRPUI080028B Autores: Tom Zé / Arnaldo
Antunes Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Arthur Nestrovski: violão
(participação especial); Daniel
Maia: baixo; Iris
Salvagnini, Luanda, Jarbas Mari. e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Mônica Salmaso: vozes Editoras: Irará / Rosa Celeste
Beira
do mar
Beira-mar obalalá
beira-mar balagandá laid
oh,
Senhor do Bonfim no Bonocô
vem Alá vai-não-vou
sim memória emoriô
cuidar de mim
Quando
o barquinho me disse adeus, ai Deus,
Ao
longe, lá no
sem-fim e
na Guanabara foi construir, enfim
só,
um só, a
ponte Rio-Niterói — ai de mim,
suave
cantar passou
primeiro no Bonfim
e
com o fio da voz puxa do mar pra
cantar,
um
navio pra
cantar.
pra
Francisco navegar Beira
do mar ......... etc.
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3. JOÃO NOS
TRIBUNAIS 02m48s BRPUI0800289 Autor: Tom Zé Intérpretes: Daniel
Maia: violão; Tom Zé: voz. Editora: Irará
Se
João Gilberto
tivesse
um processo aberto
e fosse nos tribunais
cobrar direitos autorais
de
todo o samba-canção
que com a sua gravação
passou a ser bossa nova,
qualquer juiz de toga,
de martelo e de pistola,
sem um minuto de
pausa
lhe dava ganho de causa.
"Chega
de saudade" –
veja o caso deste samba
gravado em 58
por
Elizeth Cardoso,
"pela pátina crestado":
Vinícius ficou gamado.
0
biscoito da Cardoso
foi divino, foi gostoso, mas era um
samba-canção lindo
e nunca passou disso não.
Mas
quatro meses depois
João gravou com a levada
a voz no jogo
sincopado,
o violão todo abusado.
0
coitado foi chamado de cantor desafinado,
sem ritmo, ventríloquo,
mas diante do desafinado
o
mundo curva-se, desova,
e tudo então louvado
foi jogado numa cova.
0
sol chocou 200 ovas
e nasceu a bossa nova.
0
Carnegie Hall foi importante
porque pinçou João,separou João
como a
grande gema,
a
grande jóia.
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4. O CÉU DESABOU
03m38s
BRPUI0800290 Autor: Tom Zé Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo;
Cristina Carneiro: teclados; Íris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz
e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Tita Lima: vozes Editora: Irará.
(Para
os cantores da época,a BN foi um terremoto) Mas tu já viste a
bossa nova,
a nova onda
musical?
Que nhenhenhém
boçal, hein?!!
Aposto cinco pau
que isso não pega no Brasil
e morre logo no
vazio, ziu...
Cantor
ventríloquo, seu! / Vai que tá louco, tá pinel,
qual é a dele,
céus?
0 mestre da banda
quando ouviu / ficou branquinho de cal
regurgitou, passou
mal... passou mal... passou mal
Mas foi
por causa dela que o céu desabou
sobre suas
estrelas / Tinhorão, que horror!
Pecado pai
que nosso palco
num desavisado quebra cai,
nosso mundo se vai.
Caiu a Rádio
Nacional,
Tupi
cadê?, Mairinque Veiga vê:
Sinos dobram porque:
Ali reinou Caubi,
Marlene, Sapoti
Só dava Dalva de
Oliveira, ora Nora Ney,
Orlando era
lei
Traía aura da
Isaura, por amara Linda
Anísio Silva com
Dircinha
Vinha Carmem Costa
com a Emilinha
Mas tu já viste a
bossa nova..................
etc.
Nem os
clarins da banda militar
tocaram pra nos
lamentar (paradá paradá)
nem
sinfonia de pardais
com o rádio de cabeceira
sob um abajur
lilás (paradá paradá)
nem um mulato
inzoneiro
pra esquentar
nossos pandeiros
na Baixa dos
Sapateiros (paradá paradá)
Nem aquele
trágico "manchei o teu nome!"
no passeio em Paquetá
no
piquenique do Joá (paradá paradá)
Mas seremos cultura
gratos a
nosso Fernando Faro, oh,
que Ruy Castro, que Zu Ventura, oh!
Que o
Danilo nos mirando, oh!
Zuza, que Homem de
terno, oh!
Cabral
serca velas e Villas Alberto, oh! *
Eli-Tárik faz de Souza, oh!
*"serca"
é com s de Sérgio
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5. SÍNCOPE JÃOBIM
02m54s
BRPUI0800291
Autor: Tom Zé Intérpretes:Guilherme Kastrup: percussão;
Daniel Maia: violão, baixo,
cavaquinho e guitarra;
Íris Salvagnini, Luanda Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal;
Tom Zé e Andréia Dias: vozes Editora: Irará.
ai ai ai!, ei ei
ei!, oi oi oi oi!, ui ui ui!
(Síncopes,
suspiros e desmaios)
Venha de
síncope, meu bem
isso dá mão
no bole-bole do
João.
Venha de
síncope, meu bem
isso dá pé
no bole-bole do
José.
Antonio
Carlos Jobim, Menescal
(que tal, seu
Nicolau?),
Vinicius de
Moraes, Baden Powell
(que
power, que pau!)
Ronaldo Bôscoli, Nara Leão
(ai,que pão)
Carlos Lyra, Miéle
e o baiano João.
Carlos Lyra, Miéle
e o feminino João.
No Brasil
reinava então
o doutor samba-canção
foi quando
apareceu o cara do bim-bom.
Que trouxe
de Juazeiro,
ensaiada no banheiro,
a levada desossada
que fez um salseiro
e que desova na
trova
daquele tempero
sincopado, sincopá
(Isso não
é desafinado?)
! É o bim-bom do João!
(Isso não é desritmado?)
! É o
bim-bom do João!
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6.
FILHO DO PATO
03m13s
BRPUI0800292 Autores: Tom Zé / Arnaldo
Antunes Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Marcelo
Schulze-Blanck: didgeridou; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e
Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Márcia Castro; vozes.
Editoras:
Irará /
Rosa Celeste
Tico-tico no fubaco
no fubico fubá
(bis)
tico-tico no fubaco
ensaiando o vocal
0 filho
do pa...pati-quitu, pati-quitu
também cantava alegremen... menti-quitu, menti-quitu
e a marrequinha de
repen... penti-quitu, pati-quitu
pati-caiu também no samba
pra no samba sambar
E o filho
do gan... eh eh eh
afo-fo-fo ba-ba damen... men men men te
qui-qui ri-ri ti-ti-mo quen... quiqui
quen!!!
ga-gaguejou a pata n'água da lagoa
pra batucar
Mas a
rosa que era famosa
em verso e prosa
não pôde dançar
porque estava bem presa no galho plantada na terra
suspensa no ar
sem sair do lugar
se abriu para o céu e rezou pro vento andar
ti-tico tico no fubaco.............
etc.
.................................
0
pato-pai
vinha voltando do batente
quando aquele contraparente
bateu na boca um
reco-reco
para a turma dedar
E o neto
do cisne
também achando que era gente
pensou a coisa diferente;
abriu o bico para o tico-tico
pôr no fubá
Mas a
rosa formosa, cheirosa,
urbana da roça queria dançar
e piscando os olhinhos, charmosa,
sacou do chicote pro vento enquadrar
e se despetalou, despernou, desbraçou e ordenou pro vento
andar
ti-tico no fubaco, ensaiando o vocal .............
etc.
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7. OUTRA INSENSATEZ, POE!
03m54s
BRPUI0800293
Autor: Tom Zé Versão
inglesa: David Byrne Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; David Byrne: guitarra;
Iris
Salvagnini, Luanda: backing vocal; Tom Zé e David Byrne: vozes.
Editoras:
Irará / Moldy Fig Music,
Inc/BMI
Mas veja só,
oh Deus do céu
No amor meu amor me deixou
na porta da rua
Ô ai de mim
era noite era frio a cidade nua
ai, Dindi,
estouravam os fogos de um Ano Novo
mas que triste Ano Novo
catapora sarampo me deu uma febre impura
deu
de
doer
que batia no peito com ditadura
te
te perder
de arame farpado em pele crua
padecimento aquela noite nua
e assim foi assim conheci
outra insensatez
minha maioridade que você fez
ao me dar tantas dores de uma só vez
tantas dores, meu Deus
eras
tu
era tudo era nada meu coração
e tu
e na
e só
era a porta era a noite era uma canção
só
descanção
Nunca mais, nunca mais, em seu refrão
Lacciate qui
tutta speranza voi qui uscite
OTHER
STUPID STUFF I DID
(english lyrics by DAVID
BYRNE)
You're inside, oh my
love, and you left me
Outside the door,
In the night, in the cold, in the naked town
I can hear, it's the fireworks, and it's New Year's Day
—
Chicken pox, and then measles,and then, a nasty fever
That entered
my chest like an invading army
With barbed wire wrapped around my
young skin
... hmmmmm
And / knew, once again, and I felt like a fool,
&
my passion was growing
You know, I'm in pain
It was you, it was nothing, it's only my heart
Was the
door, was the night Was a song
Chicken pox, a new year, a fool
I was young, and /
didn't know how to begin...

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8.ROQUENROL BIM-BOM
03m03s
BRPUI0800294
Autor: Tom Zé Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão;
Daniel Maia: violão e baixo; Jarbas Mariz: bandolins; Iris
Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé
e Jussara Silveira: vozes.
Editora: Irará / Trama
Bim-bom bim-bom ...
... ... ... ...
Um
roquenrol, obladi,
bem
roquenrol, obladá, (bis)
balada
e soul, obladi,
tal
como eu sou, obladá.
Vai passando
nos quintais
e os
velhos casais
dançando no salão
cantam seu refrão.
Um roquenrol
um daqueles tais
velho até demais
que o
tempo enferrujou
e o
terno desbotou.
Um
roquenrol vapor de Cachoeira
não
navega mais no mar
ô
marinheira, o jeito casar.
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9.MULHER DE MÚSICA
02m16s
BRPUI0800295 Autores: Tom Zé / Arnaldo
Antunes Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e
baixo; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e
Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Fabiana Cozza:
vozes.
Editoras:
Irará / Rosa Celeste
A Doralice me disse no desconsolo seu
Doralice fora de si, quem que segura, meu
a Berenice aborreci, pô, que sufoco deu
a
Gal pediu
que eu fosse, eu fui, depois se arrependeu.
Aquela Isaura que me
azara mas nunca me deu
agora diz que quer casar, oh que azaro meu.
Mulher de música
Refrão
melhor ficar na música
porque mulher de música
é coisa de utilidade pública.
E além disso, sinhá de
iaiá,
musa é musa e mulher de carne e osso
vem a ser hipotenusa
que me usa,
parafusa,
me recusa
e ainda me acusa.
Marina assim toda pintada parece um pincel
Dora alisou o
cabelo agora, quer usar chapéu
a Isabel me acusa de abusar da regra
3
enquanto isso a Marieta só me diz talvez.
Pra aquela Selma dei o céu, comida e aluguel
na mão da
Vera já virei bolinha de papel.
Mulher de música...
... ... ... etc.
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10. BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
03m39s
BRPUI0800296
Autor: Tom
Zé Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e
baixo; Jarbas Mariz bandolis; Iris Salvagnini, Luanda: backing vocal; Tom Zé e Fernanda Takai
(gentilmente cedida por DECK DISC) : vozes Editora:
Irará
No
dia em que a bossa nova inventou Brazil
teve que fazer direito,
senhores pares, (bis)
porque a nossa
capital era Buenos Aires,
a nossa capital era Buenos Aires.
E na cultura-Hollywood o cinema dizia
que
em Buenos Aires havia uma praia
nem cantinho,nem Corcovado,
chamada
Rio de Janeiro
que dó.
que como era gelada só podia ter
Carnaval no
mês de fevereiro.
Naquele Rio de Janeiro o tango nasceu
e
Mangueira o imortalizou na avenida Nem barquinho na Guanabara
Originária
das tangas
Jamelão na verde-e-rosa
com
que as índias fingiam
que dá
cobrira graça sagrada da vida.
No dia em que ... ... ...
etc.
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11. AMOR DO RIO
03m26s
BRPUI0800297 Autor: Tom Zé Intérpretes:
Guilherme
Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Cristina
Carneiro: teclados; Tom Zé e Zélia Duncan
(gentilmente cedida por
UNIVERSAL) : vozes.
Editora: Irará
0 Rio
era lindo demais
e amava Niterói
que
também dava sinais,
doce paixão que dói.
E
desconsolados olhares
toda noite em vão
piscando
sobre os mares
numa eterna separação.
Dos
contratempos musicais
suaves que a bossa traz
tal plataformas ao mar
leves a flutuar
aí que
nosso engenheiro esperto
com ferro e concreto (bom)
fez
aquele (bom) sambinha-herói
fundeara Ponte Rio-Niterói.
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12. BOLERO DE PLATÃO 02m36s
BRPUI0800298
Autor: Tom Zé Intérpretes: Guilherme Kastrup:
percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Cristina Carneiro:
teclados; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia:
backing vocal;
Tom Zé e Marina De La Riva (gentilmente cedida por DECK DISC): vozes.
Editora: Irará
En noche de
ronda
sobe ni
mim
con todo a media
luz
desce ni mim
en el camiño verde
estoy.
chega ni mim/ ou larga di mim
El dia que me quieras
alma di mim
angelito negro
salva di mim
alma vanidosa soy.
leva di mim/ ou larga di mim
Perfume de
gardenia
perfidia sin remédio
perdido solo yo sin ti
aquellos ojos
verdes
solamente una vez
no trates de mentir,
no, no y no.
0 amor puro mandou
dizer por e-mail
Ah!, desça do muro
que eu já tôo cheio.
Já cansei de você
nesse lero-lero
essa velha letra de
bolero
e só aturo agora o
velhaco do Platão
como tal
Kama-Sutra na mão
e cantando: eu achei
meu refrão.
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13. SOLVADOR BAHIA DE CAYMMI
03m51s
BRPUI0800299
Autor:
TOM ZÉ
/ versão em inglês CHRISTOPHER DUNN
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão;
Daniel Maia: violão, guitarra e baixo; Jarbas Mariz: bandolins;
Iris Salvagnini Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal;
Tom Zé e Anelis Assumpção: vozes.
Versão inglesa: Christopher Dunn Editora:
Irará / Irará
Quando
Caymmi criou
essa suave Solvador-ô-ô
ô-ô-ô-ô-ô-ô
foi a Mãe Menininha
que amamentou-ô-ô
ô-ô-ô-ô-ô-ô
Bahia que padece de usura
e quer
fazer torre de toda altura
rebenta Barra quebra a Cayru
e ninguém
escapa desse cerca-jacu
Buda que
ensaia
de
pijama na Lapinha
Gandhi gandaia
que
desmama a Barroquinha
Baco tocaia
uma
mucama da Rocinha
Mãe
Menininha
samba reza na Bahia
Aqui em
Solvador Bahia tudo,
capitalista ou vagabundo,
tênis, gravata ou cabelo branco,
todo mundo tem um santo.
SALVADOR BAHIA DE CAYMMI
(english lyrics by CHRISTOPHER DUNN)
When our Caymmi designed
this sweet and lovely Solvador
my mamma Menininha
made us stronger
Right
here in Salvador Bahia people
a greedy capitalist or street bum
with tennis shoes, fancy neckties or white hair
many patron saints for
all souls
Budha comes out to jam in pijamas at the street fair
Gandhi gets happy
and boogies down among the people
Bacchus arrives and fancy ladies
come out to greet him
My
Menininha
samba blesses our Bahia.

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14. DE: TERRA; PARA: HUMANIDADE
03m49s
BRPUI0800300
Autor: Tom
Zé Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão;
Daniel Maia: violão e baixo; Cristina Carneiro; teclados; Tom Zé e
Badi Assad: vozes.
Editora:
Irará
Eu
sou a regra três
Vai, coração,
e
sei que ela prefere
na cicatriz,
dar
seu amor a um Deus, facas na mão,
assim,
me trata mal
pingos nos is.
embora
eu lhe dê do meu peito Vou explodir não!
alimento
e sal.
Peral, paraí,
deixe assim, deixe estar;
é melhor repensar.
São tantos cios
lagos e rios
dou-lhe os pomares,
imensos mares, meus arrepios.
No seu proveito farei sobrar
ao
sol me deito
e dou-lhe o peito
pra semear.
Ai ai ai Dindi,
aiai de mim.
Reservo
todo o ar
Vai, coração,
pois
sei que ela não pode na cicatriz,
viver
sem respirar
facas na mão,
e
o próprio sol também
pingos nos is.
transformo em substâncias vitais
Vou
explodir: não!
com
que ela se sustém.
Peral, paraí,
deixe assim, deixe estar.
É melhor repensar

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AGRADECIMENTOS: A Mãe Melânia,
guia espiritual. A meu pai, Éverton, cuja firmeza sustentou uma família
enorme.Às pinturas de minha mãe, Helena. A João Marcello Bôscoli, por
sua idéia sobre cantoras. À minha tia Gilka, que me levou a
Salvador. A Nemésio Salles, que me levou ao CPC.A Cassiano Elek
Machado, pela assessoria intelectual.

A
BN, A PONTE E O PODEROSO FEMININO
A tecnologia empregada
pela engenharia brasileira na construção da Ponte Rio-Niterói
inspirou-se numa tradução intersemiótica, para o ferro e o concreto,
daquilo que a BN, abusiva e graciosamente, praticou antes, com
notas musicais deslocadas para o tempo fraco do compasso.Neste
momento é preciso referir-se ao feminino. O termo vem da própria teoria
musical, que chama as finalizações no tempo fraco de “terminação
feminina”. Pergunto: há algo mais feminino que as síncopes da BN e suas
colegas,as plataformas flutuantes? Estas, desajeitadas e
gigantescas, aquelas, frágeis e suaves. Ambas abandonadamente entregues à
força das ondas da graça e da leveza.A profundidade da folha
d’água da Baía de Guanabara era um problema crítico para a engenharia
brasileira na construção da ponte. Então, essa bossa-nova, essas
sincopadas e femininas plataformas que flutuam foram capazes de portar
o linga cósmico que estuprou o solo profundo da baía, para assentar
as fundações e resolver o problema da construção da Ponte
Rio-Niterói. E, tanto quanto a estética da BN, essa tecnologia foi um
protótipo, um design inaugural, que a nossa engenharia passou a
exportar. Donde a dobrada vitória do feminino: duas femininas soluções
dacabeça brasileira acabaram se mostrando suficientemente consistentes
para que aquela terra então longínqua, cuja capital fosse talvez Buenos
Aires ou Bogotá, se tornasse um País mais conhecido e confiável no
exterior. No caso da BN, esta permitiu ao Brasil ser protagonista de um
fato inédito, seja na moderna história seja na história da antigüidade:
um povo começa o ano como exportador de matéria-prima, i. é, o grau
mais baixo da aptidão humana e antes que o planeta complete sua
translação esse mesmo povo se apresenta ao mundo como exportador de Arte,
i.é, o grau mais alto da aptidão humana.Esse ano foi
1958.

BN: UMA VISADA PARCIAL E
BAIRRISTA
Agosto, 1958. Para descrever a chegada daquele
disco de João Gilberto em nossas vidas posso pedir ajuda à
literatura ou à via direta do folclore. Neste existe a expressão
“ouvido de tuberculoso”. Pois bem, a BN instalou em minha geração, em
termos estéticos, uma espécie de percepção de tuberculoso. Quanto
à literatura, ela tem 3 ou 4 situaçõeslimite do ser humano comparáveis
àquele fenômeno por que passamos:O chá de tília com madeleine de
Proust que, atuando no hipotálamo, “fotografa” em nós com a concisão de
uma cápsula e a rapidez de um raio – toda a história do samba, em sua
complexidade que envolve cidade e sertão. A conversa de Hans Castorp
com Claudia Chauchat que Herbert Caro, ao pôr Thomas Mann em português,
teve a sabedoria de não traduzir do francês, para que todos nós o
façamos. É uma febre-de-bacilos que aquela situação instala em
nosso discernimento, tal qual Chega de saudade + o violão de
JG. Ovídio expondo a metamorfose de Dafne,perseguida por Apolo,
na mitologia grega. A mutação da jovem inglesa na Gruta de Marabar
criada por E.M. Forster em Passagem para a Índia. O deslumbramento do
leitor quando e como lhe é revelado o sexo de Diadorim em
Rosa. Diadorim me é particularmente atraente porque o homem brasileiro
se tornaria muitomais feminino por causa da BN. Refiro-me a um tipo de
divisão-das-responsabilidadescivis que, praticada entre o homem e a mulher
baianos, dá a esta mais espaço de atuação nas decisões do casal e
da sociedade e oferece àquele a vantagem de poder existir e viver numa
leveza vantajosamente mais feminina. Não estou esquecendo o
propalado machismo nordestino é uma outra e diferente questão.(Vamos
respirar: esses baianos falam demais incorrigíveis
parlapatões.Descansemos para ler amanhã.)
| FICHA TÉCNICA |
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Banda de Tom Zé: Lauro
Léllis: Bateria e design de percurssão Daniel Maia:
Baixo, guitarra, violão e vocal Jarbas Mariz:
Cavaquinho,percurssão, vocal Cristina Carneiro: Teclados,
vocal Tom Zé: Arranjos
Produtor e diretor
artístico:Daniel Maia Coordenação da produção: Neusa
Martins Assistente de produção: Tania Lopes Sound
designers: Marcelo Schulze Blanck e Gustavo
Garbato Técnico: Guilherme Garbato Figurino:
Laura Huzak Andreato Fotografia: André
Conti Projeto Gráfico: Olívia Ferreira e Pedro Garavaglia
/ radiográfico Assistente de produção Biscoito Fino:
Raquel Deleuse Coordenação geral: Joana
Hime
UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO 2008 Direção
geral: Kati Almeida Braga Direção artística: Olivia
Hime |

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