Estudando a Bossa
Nordeste Plaza 
(Biscoito Fino, nov 2008)

 

 

 
 
ESTUDANDO TOM ZÉ

 
FAIXAS

 LETRAS

 
CIFRAS

 AGRADECIMENTOS

 
A BN, A PONTE E O 
 PODEROSO FEMININO


 
BN: UMA VISADA PARCIAL
 E  BAIRRISTA


 
FICHA DETALHADA

Estudando Tom Zé

A carreira de Tom Zé teve início nos loucos anos 60, época em que colocar um “disco na vitrola”, ligar um rádio ou TV, era motivo de surpresa, de beleza nova, provocadora. Em todos os países do mundo a criatividade transbordava pelos meios de comunicação e o público consumidor queria sempre mais, seja na área da MPB, do rock, do jazz ou da música de concerto.
Dizer que Tom Zé “participou” daquele momento histórico, é injusto. Ele foi, isto sim, um dos principais responsáveis na época pelo que houve de mais revolucionário e talentoso em nossa música. E, por um acidental e saudável contato com um grande músico norte-americano, seu trabalho espalhou-se com facilidade mundo afora, provando que não se tratava de “gracinhas” de um baiano perdido no caos paulista, mas de obra de expressivo estofo universal.


De lá para cá, não só no Brasil, mas na maior parte do mundo tido como civilizado, muita coisa mudou. Parece que o deslumbrante progresso da máquina de comunicação eletrônica agiu como inimigo da criatividade musical. Quanto mais iPods, piores são os repertórios consumidos. Mesmo grandes artistas brasileiros, que participaram com grande intensidade daqueles excitantes anos 60, ou se retiraram ou passaram a fazer uma música, às vezes bela, mas sem maiores propostas.
Este não é o caso de Tom Zé. Sua inquietante mente centrífuga e centrípeta nos revela novas idéias sonoras, comportamentais, artísticas a cada ação sua, seja num palco, num disco ou num pronunciamento. Aquela irreverência típica do Tropicalismo que lhe deu origem, está presente hoje em seu comportamento cultural mais que nunca.
Mais uma surpresa Tom Zé nos oferece agora com seu CD Estudando a Bossa para a Biscoitofino, verdadeiro QG da música inteligente e criativa brasileira atual. Nesta época em que as pessoas contemplam e praticam a Bossa Nova, quase como um refúgio espiritual saudosista de algo criado há 50 anos atrás, pleno de melodias, graça, beleza, talento, descontração, otimismo, charme, refinamento, qualidade musical, provocação, autenticidade etc, etc, ele nos revela a mais original leitura daquele momento artístico, a partir de uma ótica bem humorada, verdadeira crônica de um passado inesquecível, com vistas para futuro.
Tudo que serviu de matéria prima da Bossa Nova está deliciosa e anarquicamente presente em seus versos, atuações vocais, arranjos, toques de violão, maneirismos, dialetos, sotaques, expressões; do nome dos participantes, às palavras chaves (barquinho, sol e sal, chega de saudade, bada-badi, bada-badá, biom-bom), da citação às musas femininas a componentes essenciais, como a síncopa ou Copacabana, do panorama sonoro da época, com o samba-canção abolerado, trágico, do ninguem-me-ama/ninguém-me-quer, às polemicas despertadas pela implantação do novo gênero musical e assim por diante.
Esse verdadeiro documentário sonoro, bem século XXI, de um espaço musical inesquecível e imorredouro de nossa alma, vai certamente nos levar a estudar Tom Zé mais uma vez, como ele estudou para nós, à sua moda, a Bossa Nova.

Maestro Júlio Medaglia

 


FAIXAS
(trechos)
som

som
0.
1.
Introdução:BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
RIO ARREPIO (BADÁ-BADI)
som 2. BARQUINHO HERÓI                
som 3. JOÃO NOS TRIBUNAIS
som 4. O CÉU DESABOU
som 5. SÍNCOPE JÃOBIM
som 6. FILHO DO PATO
som 7. OUTRA INSENSATEZ, POE!
som 8. ROQUENROL BIM-BOM
som 9. MULHER DE MÚSICA
som 10. BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
som 11. AMOR DO RIO
som 12. BOLERO DE PLATÃO
som 13. SOLVADOR BAHIA DE CAYMMI
som 14. DE: TERRA; PARA: HUMANIDADE





LETRAS

0. Introdução: BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
0m20s
Autor:
Tom Zé
Intérpretes: Fernanda Takai/Tom Zé
Editora: Irará

1. RIO ARREPIO (BADÁ-BADI)
2m45s
BRPUI0800288
Autor: Tom Zé / Arnaldo Antunes
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão, baixo, cavaquinho e guitarra; Cristina Carneiro: teclados; Íris Salvagnini, Luanda Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Mariana Aydar (gentilmente cedida pela UNIVERSAL): vozes

Editoras: Irará / Rosa Celeste

badá
-badi badá báTom
 batiquitum               (bis)



 badá
badia dirá que o Rio
 copacabanamente um arrepio
 badá
badia dirá vá botar
 o
credi-cartório para se tostar, tá?


 badá-badi badá báTom

  batiquitum               (bis)


 badá bá-dia de sol fogaréu 
 para Ipanema parecer um céu
 badá-badia no peito do Tom  

 Arpoador ter que deixar o Leblon

 Ainda não me refiz
 de ter perdido a Elis

 Maysa, Dolores, Leila Diniz

 Por isso na Lapa boêmia se diz

 que na canção do País
 nunca a tristeza foi tão feliz



 badá-badi, etc..


 sob a janela Jobim
 passa um desfile sem fim 
 Brigitte, Lollô, Marilu, Marilyn


 que podem mostrar o pudim 
 pra masturbar o Pasquim
 
ou Roberto levar na Playboy pra mim


 
badá-badi, etc..
 

   
 
 

2. BARQUINHO HERÓI 
02m45s
BRPUI080028B

Autores:
Tom Zé / Arnaldo Antunes
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Arthur Nestrovski: violão (participação especial); Daniel Maia: baixo; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mari. e Daniel Maia: backing vocal; Tom e Mônica Salmaso: vozes
Editoras: Irará / Rosa Celeste

Beira do mar                                    Beira-mar
obalalá                                            beira-mar
balagandá
laid                                  oh, Senhor do Bonfim
no Bonocô                                       vem
Alá vai-não-vou                                 sim
memória emoriô                               cuidar de mim

Quando o barquinho me disse adeus, ai Deus,          Ao longe,  lá no sem-fim
e na Guanabara foi construir, enfim                          só, um só,
a ponte Rio-Niterói — ai de mim,                             suave cantar
passou primeiro no Bonfim                                      e com o fio da voz puxa do mar
pra cantar,                                                             um navio
pra cantar.                                                             pra Francisco navegar
Beira do mar ......... etc.  
 

   

3. JOÃO NOS TRIBUNAIS
02m48s
BRPUI0800289
Autor:
Tom Zé
Intérpretes:
Daniel Maia: violão; Tom Zé: voz.
Editora: Irará

Se João Gilberto

tivesse um processo aberto
e fosse nos tribunais
cobrar direitos autorais
de todo o samba-canção
que com a sua gravação
passou a ser bossa nova,
qualquer juiz de toga,
de martelo e de pistola,
sem um minuto de pausa
lhe dava ganho de causa.

 

"Chega de saudade" –
veja o caso deste samba
gravado em 58

por Elizeth Cardoso,
"pela pátina crestado":
Vinícius ficou gamado.
0 biscoito da Cardoso
foi divino, foi gostoso,
mas era um samba-canção lindo
e nunca passou disso não.

Mas quatro meses depois
João gravou com a levada
a voz no jogo sincopado,
o violão todo abusado.

0 coitado foi chamado de cantor desafinado,
sem ritmo, ventríloquo,
mas
diante do desafinado

o mundo curva-se, desova,
e tudo então louvado
foi jogado numa cova.
0 sol chocou 200 ovas
e nasceu a bossa nova.

0 Carnegie Hall foi importante
porque pinçou João,separou João
como a grande gema,
a grande jóia.



   
4. O CÉU DESABOU
03m38s
BRPUI0800290
Autor:
Tom Zé
Intérpretes: Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo;
Cristina Carneiro: teclados; Íris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing  vocal; Tom Zé e Tita Lima: vozes
Editora: Irará.
(Para os cantores da época,a BN foi um terremoto

 Mas tu já viste a bossa nova,
 a nova onda musical?
 Que nhenhenhém boçal, hein?!!
       Aposto cinco pau que isso não pega no Brasil
       e morre logo no vazio, ziu...  
 Cantor ventríloquo, seu! / Vai que tá louco, tá pinel,  
 qual é a dele, céus?
       0 mestre da banda quando ouviu / ficou branquinho de cal
       regurgitou, passou mal... passou mal... passou mal

 
 Mas foi por causa dela que o céu desabou
 sobre suas estrelas / Tinhorão, que horror!  
 Pecado pai que nosso palco
 num desavisado quebra cai,
 nosso mundo se vai.
 Caiu a Rádio Nacional,  
 Tupi cadê?, Mairinque Veiga vê:
 Sinos dobram porque:  


       Ali reinou Caubi, Marlene, Sapoti
       Só dava Dalva de Oliveira, ora Nora Ney,
       Orlando era lei
                 Traía aura da Isaura, por amara Linda
                 Anísio Silva com Dircinha
                 Vinha Carmem Costa com a Emilinha  


 Mas tu já viste a bossa nova.................. etc.


 Nem os clarins da banda militar
 tocaram pra nos lamentar (paradá paradá)
        nem sinfonia de pardais
        com o rádio de cabeceira
        sob um abajur lilás (paradá paradá)
 nem um mulato inzoneiro
 pra esquentar nossos pandeiros
 na Baixa dos Sapateiros (paradá paradá)  


 Nem aquele trágico "manchei o teu nome!"
 no passeio em Paquetá  
 no piquenique do Joá (paradá paradá)
       Mas seremos cultura
       gratos a nosso Fernando Faro, oh,
       que Ruy Castro, que Zu Ventura, oh!
       Que o Danilo nos mirando, oh!
       Zuza, que Homem de terno, oh!
       Cabral serca velas e Villas Alberto, oh! *
       Eli-Tárik faz de Souza, oh!

                                  *"serca" é com s de Sérgio



   
5. SÍNCOPE JÃOBIM
02m54s
BRPUI0800291
Autor:
Tom Zé
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão, baixo, cavaquinho e guitarra; Íris Salvagnini, Luanda Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Andréia Dias: vozes 
Editora: Irará.


              ai ai ai!, ei ei ei!, oi oi oi oi!, ui ui ui!
               (Síncopes, suspiros e desmaios)  
 
Venha de síncope, meu bem
 isso dá mão
 no bole-bole do João.  
 Venha de síncope, meu bem
 isso dá pé  
 no bole-bole do José.  


 Antonio Carlos Jobim, Menescal  
 (que tal, seu Nicolau?),
 Vinicius de Moraes, Baden Powell
 (que power, que pau!)
 Ronaldo Bôscoli, Nara Leão
 (ai,que pão)
 Carlos Lyra, Miéle e o baiano João.
 Carlos Lyra, Miéle e o feminino João.


 No Brasil reinava então
 o doutor samba-canção
 foi quando apareceu o cara do bim-bom.


 Que trouxe de Juazeiro,
 ensaiada no banheiro,
 a levada desossada que fez um salseiro
 e que desova na trova
 daquele tempero sincopado, sincopá
 (Isso não é desafinado?)
 ! É o bim-bom do João!
 (Isso não é desritmado?)
 ! É o bim-bom do João!

 

.

 

   
6. FILHO DO PATO
03m13s
BRPUI0800292
Autores:
Tom Zé / Arnaldo Antunes
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Marcelo Schulze-Blanck: didgeridou; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Márcia Castro; vozes.
Editoras:
Irará / Rosa Celeste


 Tico-tico no fubaco
 no fubico fubá            (bis) 
 
tico-tico no fubaco
 ensaiando o vocal


 0 filho do pa...pati-quitu, pati-quitu
 também cantava alegremen... menti-quitu, menti-quitu
 e a marrequinha de repen... penti-quitu, pati-quitu
 pati-caiu também no samba
 pra no samba sambar


 E o filho do gan... eh eh eh
 afo-fo-fo ba-ba damen... men men men te
 qui-qui ri-ri ti-ti-mo quen... quiqui quen!!!
 ga-gaguejou a pata n'água da lagoa
 pra batucar


 Mas a rosa que era famosa
 em verso e prosa
 não pôde dançar  
 porque estava bem presa no galho plantada na terra
 suspensa no ar
 sem sair do lugar  
 se abriu para o céu e rezou pro vento andar
 ti-tico tico no fubaco............. etc.
 .................................


 0 pato-pai
 vinha voltando do batente
 quando aquele contraparente
 bateu na boca um reco-reco
 para a turma dedar


 E o neto do cisne  
 também achando que era gente
 pensou a coisa diferente;
 abriu o bico para o tico-tico
 pôr no fubá


 Mas a rosa formosa, cheirosa,
 urbana da roça queria dançar
 e piscando os olhinhos, charmosa,
 sacou do chicote pro vento enquadrar
 e se despetalou, despernou, desbraçou e ordenou pro vento
 andar


 ti-tico no fubaco, ensaiando o vocal ............. etc.  

 

   
7. OUTRA INSENSATEZ, POE!
03m54s
BRPUI0800293

Autor:
Tom Zé
Versão inglesa: David Byrne
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; David Byrne: guitarra; Iris Salvagnini, Luanda: backing vocal; Tom e David Byrne: vozes.
Editoras:
Irará / Moldy Fig Music, Inc/BMI


 Mas veja só,
 oh Deus do céu

 No amor meu amor me deixou na porta da rua
                                                           Ô ai de mim
 era noite era frio a cidade nua
                                            ai, Dindi,
 estouravam os fogos de um Ano Novo
                                            mas que triste Ano Novo
 catapora sarampo me deu uma febre impura
                                        deu                      de doer
 que batia no peito com ditadura
                        te                 te perder
 
de arame farpado em pele crua
                                           padecimento aquela noite nua
 e assim foi assim conheci outra insensatez
 minha maioridade que você fez
 ao me dar tantas dores de uma só vez
                                             tantas dores, meu Deus
 
eras tu        era tudo era nada             meu coração
             e tu                             e na                       e só
 era a porta era a noite  era uma canção
                                só                       descanção
 Nunca mais, nunca mais, em seu refrão
                                                     Lacciate qui tutta speranza voi qui uscite

  OTHER STUPID STUFF I DID
 (english lyrics by DAVID BYRNE)

 You're inside, oh my love, and you left me
 Outside the door,
 In the night, in the cold, in the naked town
 I can hear, it's the fireworks, and it's New Year's Day

 Chicken pox, and then measles,and then, a nasty fever
 That entered my chest like an invading army
 With barbed wire  wrapped around my young skin
... hmmmmm
 And / knew, once again, and I felt like a fool,
 & my passion was growing
 You know, I'm in pain
 It was you, it was nothing, it's only my heart
 Was the door, was the night Was a song
 Chicken pox, a new year, a fool
 I was young, and / didn't know how to begin...

 

   
8.ROQUENROL BIM-BOM
03m03s
BRPUI0800294

Autor:
Tom Zé
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Jarbas Mariz: bandolins; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Jussara Silveira: vozes.
Editora: Irará / Trama



 
Bim-bom bim-bom ... ... ... ... ...


 Um roquenrol, obladi,
 bem roquenrol, obladá,   (bis)
 balada e soul, obladi,
 tal como eu sou, obladá.
 

 Vai passando nos quintais
 e os velhos casais
 dançando no salão
 cantam seu refrão.


 
Um roquenrol
 um daqueles tais
 velho até demais

 que o tempo enferrujou
 e o terno desbotou.
 Um roquenrol vapor de Cachoeira
 não navega mais no mar
 ô marinheira, o jeito casar.  

 

 

   
9.MULHER DE MÚSICA
02m16s
BRPUI0800295

Autores:
Tom Zé / Arnaldo Antunes
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Fabiana Cozza: vozes.
Editoras:
Irará / Rosa Celeste  



 A Doralice me disse no desconsolo seu
 Doralice fora de si, quem que segura, meu  
 a Berenice aborreci, pô, que sufoco deu  
 a
Gal pediu que eu fosse, eu fui, depois se arrependeu.
 Aquela Isaura que me azara mas nunca me deu
 agora diz que quer casar, oh que azaro meu.  

 

 Mulher de música                              Refrão  
 
melhor ficar na música
 porque mulher de música
 é coisa de utilidade pública.
 E além disso, sinhá de iaiá,
 musa é musa e mulher de carne e osso
 vem a ser hipotenusa
 que me usa,
 parafusa,
 me recusa
 e ainda me acusa.


 Marina assim toda pintada parece um pincel
 Dora alisou o cabelo agora, quer usar chapéu
 a Isabel me acusa de abusar da regra 3
 enquanto isso a Marieta só me diz talvez.
 Pra aquela Selma dei o céu, comida e aluguel
 na mão da Vera já virei bolinha de papel.


 Mulher de música... ... ... ... etc.  

   
10. BRAZIL, CAPITAL BUENOS AIRES
03m39s
BRPUI0800296

Autor:
Tom Zé
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Jarbas Mariz bandolis; Iris Salvagnini, Luanda: backing vocal; Tom Zé e Fernanda Takai (gentilmente cedida por DECK DISC) : vozes 
Editora: Irará




 No dia em que a bossa nova inventou Brazil
 teve que fazer direito, senhores pares,       (bis) 
 
porque a nossa capital era Buenos Aires,
 a nossa capital era Buenos Aires.



 E na cultura-Hollywood o cinema dizia

 que em Buenos Aires havia uma praia        nem cantinho,nem Corcovado,
 chamada Rio de Janeiro                            que dó.
 
que como era gelada só podia ter
 Carnaval no mês de fevereiro.
 

 Naquele Rio de Janeiro o tango nasceu
 e Mangueira o imortalizou na avenida          Nem barquinho na Guanabara


 Originária das tangas                                         Jamelão na verde-e-rosa
 
com que as índias fingiam                                  que dá
 
cobrira graça sagrada da vida.
 

 No dia em que ... ... ... etc.




   
11. AMOR DO RIO 
03m26s
BRPUI0800297
Autor:
Tom Zé
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Cristina Carneiro: teclados; Tom Zé e Zélia Duncan (gentilmente cedida por UNIVERSAL) : vozes.
Editora:
Irará



 0 Rio era lindo demais 
 e amava Niterói

que também dava sinais,
doce paixão que dói.

E desconsolados olhares
toda noite em vão

piscando sobre os mares
numa eterna separação.



Dos contratempos musicais
suaves que a bossa traz
tal plataformas ao mar
leves a flutuar

aí que nosso engenheiro esperto
com ferro e concreto (bom)

fez aquele (bom) sambinha-herói
fundeara Ponte Rio-Niterói.  



                
12. BOLERO DE PLATÃO
02m36s
BRPUI0800298
Autor:
Tom Zé
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Cristina Carneiro: teclados; Iris Salvagnini, Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Marina De La Riva (gentilmente cedida por DECK DISC): vozes.
Editora: Irará




 En noche de ronda                      sobe ni mim
 con todo a media luz                   desce ni mim 

 en el camiño verde estoy.            chega ni mim/ ou larga di mim
 El dia que me quieras                  alma di mim
 angelito negro                             salva di mim
 alma vanidosa soy.                      leva di mim/ ou larga di mim



 Perfume de gardenia
 perfidia sin remédio
 perdido solo yo sin ti
 aquellos ojos verdes
 solamente una vez
 no trates de mentir, 
 no, no y no.



 0 amor puro mandou dizer por e-mail
 Ah!, desça do muro
 que eu já tôo cheio.
 Já cansei de você nesse lero-lero
 essa velha letra de bolero
 e só aturo agora o velhaco do Platão
 como tal
 Kama-Sutra na mão
 e cantando: eu achei meu refrão.

 


   
13. SOLVADOR BAHIA DE CAYMMI
03m51s
BRPUI0800299
Autor:
TOM ZÉ / versão em inglês CHRISTOPHER DUNN
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão, guitarra e baixo; Jarbas Mariz: bandolins; Iris Salvagnini Luanda, Jarbas Mariz e Daniel Maia: backing vocal; Tom Zé e Anelis Assumpção: vozes.
Versão inglesa: Christopher Dunn
Editora: Irará / Irará




 Quando Caymmi criou
 essa suave Solvador-ô-ô
 ô-ô-ô-ô-ô-ô

 foi a Mãe Menininha
 que amamentou-ô-ô
 ô-ô-ô-ô-ô-ô  

               Bahia que padece de usura

               e quer fazer torre de toda altura
               rebenta Barra quebra a Cayru

               e ninguém escapa desse cerca-jacu
 

 Buda que ensaia

 de pijama na Lapinha


 Gandhi gandaia
 que desmama a Barroquinha


 Baco tocaia
 uma mucama da Rocinha


 Mãe Menininha
 samba reza na Bahia


 Aqui em Solvador Bahia tudo,
 capitalista ou vagabundo,

 tênis, gravata ou cabelo branco,
 todo mundo tem um santo.


  SALVADOR BAHIA DE CAYMMI
 (english lyrics by CHRISTOPHER DUNN)
 When our Caymmi designed
 this sweet and lovely Solvador
 my mamma Menininha

 made us stronger


 Right here in Salvador Bahia people
 a greedy capitalist or street bum
 with tennis shoes, fancy neckties or white hair
 many patron saints for all souls



 Budha comes out to jam in pijamas at the street fair
 Gandhi gets happy and boogies down among the people
 Bacchus arrives and fancy ladies come out to greet him



 My Menininha
 samba blesses our Bahia.



   
14. DE: TERRA; PARA: HUMANIDADE
03m49s
BRPUI0800300
Autor:
Tom Zé
Intérpretes:
Guilherme Kastrup: percussão; Daniel Maia: violão e baixo; Cristina Carneiro; teclados; Tom Zé e Badi Assad: vozes.
Editora: Irará




 Eu sou a regra três                           Vai, coração,
 e sei que ela prefere                          na cicatriz,
 dar seu amor a um Deus,                   facas na mão,
 assim, me trata mal                           pingos nos is.
 embora eu lhe dê do meu peito           Vou explodir não!
 alimento e sal.                                   Peral, paraí,
                                                        
deixe assim, deixe estar;
                                                         é melhor repensar.


 São tantos cios
 lagos e rios
 dou-lhe os pomares,
 imensos mares, meus arrepios.
 

 No seu proveito farei sobrar

 ao sol me deito
 e dou-lhe o peito
 pra semear.

 

 Ai ai ai Dindi,
 aiai de mim.



 Reservo todo o ar                               Vai, coração,
 pois sei que ela não pode                   na cicatriz,
 viver sem respirar                               facas na mão,
 e o próprio sol também                      pingos nos is.
 transformo em substâncias vitais        Vou explodir: não!
 com que ela se sustém.                     Peral, paraí,
                                                         deixe assim, deixe estar.

                                    É melhor repensar

   



AGRADECIMENTOS:

A Mãe Melânia, guia espiritual.
A meu pai, Éverton, cuja firmeza sustentou uma família enorme.Às pinturas de minha mãe, Helena.
A João Marcello Bôscoli, por sua idéia sobre cantoras.
À minha tia Gilka, que me levou a Salvador.
A Nemésio Salles, que me levou ao CPC.A Cassiano Elek Machado, pela assessoria intelectual.




A BN, A PONTE E O PODEROSO FEMININO

A tecnologia empregada pela engenharia brasileira na construção
da Ponte Rio-Niterói inspirou-se numa tradução intersemiótica, para
o ferro e o concreto, daquilo que a BN, abusiva e graciosamente, praticou antes, com notas 
musicais deslocadas para o tempo fraco do compasso.Neste momento é preciso referir-se ao feminino.
O termo vem da própria teoria musical, que chama as finalizações no tempo fraco de “terminação feminina”.
Pergunto: há algo mais feminino que as síncopes da BN e suas colegas,as plataformas flutuantes? Estas, 
desajeitadas e gigantescas, aquelas, frágeis e suaves. Ambas abandonadamente entregues à força das ondas 
da graça e da leveza.A profundidade da folha d’água da Baía de Guanabara era um problema crítico para a
engenharia brasileira na construção da ponte. Então, essa bossa-nova, essas sincopadas e femininas plataformas
que flutuam foram capazes de portar o linga cósmico que estuprou o solo profundo da baía, para assentar as
fundações e resolver o problema da construção da Ponte Rio-Niterói.
E, tanto quanto a estética da BN, essa tecnologia foi um protótipo, um design inaugural, que a nossa 
engenharia passou a exportar. Donde a dobrada vitória do feminino: duas femininas soluções dacabeça brasileira
acabaram se mostrando suficientemente consistentes para que aquela terra então longínqua, cuja capital fosse talvez
Buenos Aires ou Bogotá, se tornasse um País mais conhecido e confiável no exterior. No caso da BN, esta permitiu
ao Brasil ser protagonista de um fato inédito, seja na moderna história seja na história da antigüidade: um
povo começa o ano como exportador de matéria-prima, i. é, o grau mais baixo da aptidão humana e antes que o planeta
complete sua translação esse mesmo povo se apresenta ao mundo como exportador de Arte, i.é, o grau mais alto 
da aptidão humana.Esse ano foi 1958.





BN: UMA VISADA PARCIAL E BAIRRISTA


Agosto, 1958. Para descrever a chegada daquele disco de João Gilberto em nossas vidas posso pedir ajuda à literatura 
ou à via direta do folclore. Neste existe a expressão “ouvido de tuberculoso”. Pois bem, a BN instalou em minha
geração, em termos estéticos, uma espécie de percepção de tuberculoso. 
Quanto à literatura, ela tem 3 ou 4 situaçõeslimite do ser humano comparáveis àquele fenômeno por que passamos:O chá 
de tília com madeleine de Proust que, atuando no hipotálamo, “fotografa” em nós com a concisão de uma cápsula e a
rapidez de um raio – toda a história do samba, em sua complexidade que envolve cidade e sertão.
A conversa de Hans Castorp com Claudia Chauchat que Herbert Caro, ao pôr Thomas Mann em português, teve a sabedoria
de não traduzir do francês, para que todos nós o façamos. É uma febre-de-bacilos que aquela situação instala em nosso 
discernimento, tal qual Chega de saudade + o violão de JG. 
Ovídio expondo a metamorfose de Dafne,perseguida por Apolo, na mitologia grega.
A mutação da jovem inglesa na Gruta de Marabar criada por E.M. Forster em Passagem para a Índia.
O deslumbramento do leitor quando e como lhe é revelado o sexo de Diadorim em Rosa.
Diadorim me é particularmente atraente porque o homem brasileiro se tornaria muitomais feminino por causa da BN. Refiro-me a
um tipo de divisão-das-responsabilidadescivis que, praticada entre o homem e a mulher baianos, dá a esta mais espaço de 
atuação nas decisões do casal e da sociedade e oferece àquele a vantagem de poder existir e viver numa leveza vantajosamente
mais feminina.
Não estou esquecendo o propalado machismo nordestino é uma outra e diferente questão.(Vamos respirar: esses baianos
falam demais incorrigíveis parlapatões.Descansemos para ler amanhã.)

 

 


FICHA TÉCNICA

Banda de Tom Zé:
Lauro Léllis: Bateria e design de percurssão
Daniel Maia: Baixo, guitarra, violão e vocal
Jarbas Mariz: Cavaquinho,percurssão, vocal
Cristina Carneiro: Teclados, vocal
Tom Zé: Arranjos

Produtor e diretor artístico:Daniel Maia
Coordenação da produção: Neusa Martins
Assistente de produção: Tania Lopes
Sound designers: Marcelo Schulze Blanck e Gustavo Garbato
Técnico: Guilherme Garbato
Figurino: Laura Huzak Andreato
Fotografia: André Conti
Projeto Gráfico: Olívia Ferreira e Pedro Garavaglia / radiográfico
Assistente de produção Biscoito Fino: Raquel Deleuse
Coordenação geral: Joana Hime


UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO 2008
Direção geral:
Kati Almeida Braga
Direção artística: Olivia Hime