.ESTUDANDO O PAGODE
 Na Opereta SEGREGAMULHER
(Trama , março 2005)

 





...O código de princípios da obra de Tom Zé é regido pela presença feminina, pela mitologia, pelo caráter ritualístico, pelo jogo de palavras, por recorrências e citações, pelo experimentalismo sonoro e por mensagens na área sócio-econômica.   
Zuza Homem de Mello

 

 

 
            
                      Na História
                         
                         Músicas

Exercícios de Harmonia Induzida

Ficha Técnica
                     


  

 
   Na História

-- Associação de dor com sexualidade é característica das sociedades de dominação.

-- Na pré-história os homens reagem à escassez de alimento ou de recursos se unindo, excluindo as mulheres da cerimônia de poder masculinas. Voltando a agressão contra elas.

-- Na Europa pré-histórica apareceram os indo-europeus de Kurgan, pastores. Foi o fim de uma civilização de parceria. Surgiram culturas nas quais valores “femininos” foram destruídos. Converteram-se em sociedades nas quais a guerra “heróica” e o governo de uma pequena elite masculina, governo da força e do medo, passaram a ser a norma.

-- Esse pastoralismo nômade instala-se em terras inférteis ou tornadas inadequadas para a agricultura. Mas ele não é só o resultado de ambientes inóspitos: também causa o ambiente inóspito.

-- Usa, como tecnologia, a escravidão de seres vivos, de animais, do que produzem. Animais são domesticados, desde pequenos até a idade adulta e, depois, são mortos e devorados.

-- O pastoralismo não conduz necessariamente à escravidão; e povos agricultores também eram escravistas – tribos primitivas da África ou estados como Atenas e a América do Sul dos séculos 18 e 19.)

-- É afastada, é evitada a empatia ou o amor por criaturas que devem ser mortas. O que pode explicar a insensibilização de emoções mais “sutis”, que caracteriza a sociedade de dominação.

-- O treinamento de oficiais nazistas da SS incluía a criação de filhotes de animais que alimentavam, com os quais brincavam, dos quais cuidavam. Depois, matavam-nos sem demonstrar emoções.

-- Se habituados a viver de animais escravizados como única fonte de subsistência, habituamo-nos a admitir a escravidão de seres humanos.

-- Da supressão do afeto e do amor resulta um afeto embotado, uma redução da capacidade de responder a outros afetos que não raiva, desrespeito e emoções “duras”.

-- Sofrer a dor, no homem, é coragem; na mulher, masoquismo. A sociedade de dominação criou esse conceito.

-- O escravismo vê metade da humanidade como peças de propriedade a serem controladas. E a escravização e abate de animais para subsistência também fundamenta a visão da mulher como procriadora ou tecnologia sexual reprodutiva. Como propriedade do homem, cuja sexualidade tem como função ser controlada e servir aos “proprietários” homens.

-- Ainda hoje, entre certos povos tribais, o amor sexual entre casais é considerado – corretamente, aliás – um perigo para a preservação das hierarquias do poder masculino. Entre beduínos egípcios, o amor sexual é desencorajado. Desejo e amor são equiparados à dependência – inimigos da independência, o valor mais ligado à honra.

 Riane Eisler, em O Cálice e a Espada (editora Via Optima, Porto, Portugal, 1998)
  e  O Prazer Sagrado - Sexo, Mito e Política do Corpo (editora Rocco, 1996).


Ressalvadas certas proposições da autora,em O Cálice e a Espada é discutida a importância que assume atualmente a investigação histórica da civilização pré-patriarcal da antiga Creta.As descobertas,interpretadas por arqueólogos,antropólogos e historiadores,modificam opiniões que tínhamos como definitivas.Cultivávamos a lenda de um matriarcado;porém,do passado remoto emerge a evidência de que naquela cultura os papéis e identidades sexuais diferentes não equivaliam necessariamente a nenhuma cisão,nem a uma hierarquia de dominação.

O direito de haver diferenças é uma discussão espinhosa,mas este livro é uma fonte na qual encontramos a exposição de uma pesquisa extensa,que sobrevive a algumas opiniões do texto.Em grande número de leituras comparativas,mais evidentes,conhecidas e difundidas,não encontramos essa específica direção de pesquisa.

Resta para nós uma aposta pascaliana,a coragem de escolher essa utopia.

Tom Zé

 

    Músicas    

PRIMEIRO ATO 
1. Ave Dor Maria   3:27
2. Estúpido Rapaz   3:23 
3. Proposta de Amor    2:24 
4. Quero Pensar (A Mulher de Bath)  4:01  
5. Mulher Navio Negreiro  5:01
6. Pagode-Enredo dos Tempos do Medo 4:10 
SEGUNDO ATO
7. Canção de Nora (Casa de Bonecas)  1:47

 

8. O Amor é um Rock  4:14
9. Duas Opiniões  4:46
10. Elaeu  4:33
11. Vibração da Carne  3:34
12. Para Lá do Pará  4:02
13. Prazer Carnal  4:40
TERCEIRO ATO
14. Teatro (Dom Quixote)  4:52
15. A Volta do Trem das Onze
     (8,5 Milhões de Km2)    5:04
16. Beatles a Granel  3:23

 

1. AVE DOR MARIA 
MÚSICA: Tom Zé/Gilberto Assis
LETRA: Tom Zé
MÚSICA INCIDENTAL: Ave Maria, de Bach/Gounod


Coro das rezadeiras:                         Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, 
bendita sois vós
entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre, 
Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, 
pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Coro dos acusadores:                      Mulher é o mal
Que Lúcifer bota fé.
Quando achou
Primeiro ovo do Cão
Ela chocou.

Cru, Belzebu
Do rabo fez um pirão
Foi o pão
Que o diabo amassou
E ela assou.

Mônica Sol-Musa:                               Ave Maria!
Aqui por nós, Maria,
Vem levantar a voz.
Tem misericórdia da mulher,
Nas aflições
Que o homem cria contra nós.
 

Coro das mulheres:                          De giz
Me cobris
De tanta lama e ferida.
Argüis
O nada contra o nariz,
Ó suicida,

Coro dos acusadores:        Mulher é o mal... etc

Coro das mulheres:                        E vês
                                                            Toda vez
                                                            A tua morte plural 
                                                            Viuvez 
                                                            Procuras doce no sal,
                                                            E nem me vês.

 
Coro dos acusadores:       Cru, Belzebu... etc

Coro das mulheres:                          Essa mão,
Tua senha
Pela navalha da luz.
E no credo
A outra mão não te nego,
Desce da cruz!
Desce da cruz!
Desce da cruz!


 

2. ESTÚPIDO RAPAZ
Tom Zé

Rebeca do Mato:                 Rapaz, rapaz, rapaz
Estúpido rapaz, 
Da mulher, mulher, mulher,  
Deixa de pegar no pé.
  A saber, saber, saber  
Em que planeta irá você,  
Com tão pouco troco no bolso,
Açúcar sugar nesse doce-de-coco.

Rebeca do Mato:                Se você vem numa boa  
Pode vir,  
Também não tô à-toa. 
Eu te boto no colo,  
Te dou pão e mingau.  
Mas se você vem de cacete,  
Pode vir  
Que eu vou de pedra e pau.

Maneco Tatit:                       Eu sei que é 
Perder meu tempo  
Agir assim;  
É prolongar  
Inimizade velha que dói.

Se a mulher  
Deixar de  
Confiar em mim  
Eu vou parar  
Onde não dá pra parar.  

 

3. PROPOSTA DE AMOR 
MÚSICA:
Tom Zé/Gilberto Assis
LETRA: Tom Zé
 

Maneco Tatit:                       Ó garota,
Eu te convido para um novo tipo de amor,
Menos novela, muito mais solidário será,
A renovada confiança de ser
Que a mulher há de ter
Quando a senha do mistério digitar.
Assim será!

Ó garota,
Eu contra ti já inventei os deuses, a lei,
E pela carne do pecado te condenei
Tô convencido que essa guerra suja
Foi longe demais
E te ofereço um acordo de paz.
Assim será!

Em muitos países do mundo a garota
Também não tem o direito de ser.
Alguns até costumam fazer
Aquela cruel clitorectomia.

       Mas no Brasil ocidental civilizado
       Não extraímos uma unha sequer
       Porém na psique da mulher 
       Destruímos a mulher.

       Agora estou a esperar
       Uma resposta de amor e afeto.
       Você de saia, eu de calça,
       E o luar será nosso teto.

       Uma cartinha de amor
       Politicamente correta
       Você de saia, eu de calça,
       Felicidade será nossa meta.
       Assim será!

4. QUERO PENSAR (A MULHER DE BATH)
Tom Zé

Mãe Jussara Saveiro:        Assim será o quê, seu vagabundo?!                                 Primeiramente esse seu tititi de politicamente pro eleitorado: 
E que diabo de cachaça
Tem a saia com a calça? 

Parece até que o velho algoz 
Quer pegar nós 
Cochilando e apertar o cós.

Maneco Tatit:                       Tira a meleca do nariz
Pra não borrar tudo que diz:
Dizia meu avô,
Mulher assim é o diabo, é o demônio, é o pecado

Mãe Jussara Saveiro:       Dizia minha avó
Que mentiroso torce o rabo
E deixa o galo encurralado.

Maneco Tatit:                       Ora, vá lamber sabão
E chupar dedo com limão,
Porque no jogo que tu tás
Quer botá fogo sem ter gás
E dar um golpe no rapaz.

Mãe Jussara Saveiro         Mas eu não vou ficar
Cozendo sapo nesse trato:
Amarre o saco
Num contrato mais sensato
E a nossa paz
Assim vira de fato,
Meu caro rapaz, meu carrapato,
Meu caro rapaz, meu carrapato.


Bete Calla-os-Mares:        Quero pensar, meu bom rapaz,
                                               Numa boa:
                                               Não se dá um “sim” assim à-toa.
                                               Quero pensar, meu bom rapaz,
                                               Numa boa,
                                               Talvez tocando no piano
                                                Da patroa.
                                                Finalmente sonhar...
 

                                                Felicidade sim, sonhar, sonhar,
                                                Feliz se dar ao sonho
                                                No raio e na raiz,
                                                Se ao sonho contraponho
                                                Onde ponho meu nariz.
                                                Tristeza, não. Tristeza fim,
                                                Tristeza bem longe de mim.                             

                                                Quero pensar... etc.
                                               

                                                E de chinela,
                                                De só de chinela, de só de chinela
                                                Vou pensar com meus anéis
                                                E adotar nessa novela
                                                Caldo de galinha com cautela.

                                                E de chinela
                                                De só de chinela de só de chinela
                                                Vou contar de um a dez
                                                Pois quem tem calma assa o peru
                                                E o apressado come cru
                                              

                                                Finalmente sonhar...

                                                Felicidade sim, sonhar, sonhar
                                                O eterno amor sonhar
                                                Em termos ancestrais.
                                                Não aquela eternidade
                                                De Vinicius de Moraes.
                                                Tristeza não, tristeza fim,
                                                Tristeza bem longe de mim.
 

Bete Calla-os-Mares, recitativo: Então tá, meu bom rapaz. Vou pensar no seu caso. Mas primeiro quero lhe mostrar algumas das crueldades que caíram sobre a mulher nestes séculos. Então fique aí escutando, vamos ver.

 



5. MULHER NAVIO NEGREIRO
Tom Zé

Advogado das mulheres:                 Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro

..........................................................  

O macho pela vida
                Se valida
                A molestar a mulher
                Se diverte.

Apavorada,
Ela, que se péla,
Pouco pára de pé,
E padece.

Quando ele pia, pia, pia,
Pra inibir na mulher o animal,
Talvez eu ria, ria, ria,
Vendo ele transar uma boneca de pau,
Com seu incubado,
Calado, colado, pirado pavor
Do segredo sagrado.

 Por isto existe no mundo
Um escravo chamado


Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro
Graal – Puro Cristal – Desespero
Rosa-robô – Cachorrinho – Tesouro,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.

Eucaristia – Ascensão – Desgraça,
Filé-mignon – Púbis, Traseiro – Alcatra,
Banca de Revista – Açougue Informal – Plena Praça,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.

6. PAGODE-ENREDO DOS TEMPOS DO MEDO
Tom Zé

Por ordem de entrada
Advogado das mulheres:
Tom Zé (barítono)
Coro do Cinema Novo: Tom Zé (barítono), Suzana Salles (soprano), Suzana Salles (contralto), Jair Oliveira (tenor)
Coro da Semana de 22: Tom Zé (barítono), Suzana Salles (soprano), Suzana Salles (contralto), Jair Oliveira (tenor)
Coro da Poesia Concreta: Tom Zé (barítono), Suzana Salles (soprano), Suzana Salles (contralto), Jair Oliveira (tenor)

Vinícius de Moraes, Baden Powell,                                Comissão de frente  Antonio Carlos Jobim, Menescal,
Ronaldo Bôscoli, Nara Leão,
Carlos Lira, Miéle e o feminino João.  

Doutor, você é bom de colarinho                                Ala Coluna Prestes  
Mas não fez a bossa-nova sozinho.

O que te ilude é Roliúde,                                Ala Cinema Novo
Roliúde-ude,  
A Cinderela bugue-ugue,  
Bugue-ugue bugue,  
Prefiro meu pagode-wood,
God me sacode,
Te deixo com teu rock-bode.

Doutor, este teu papo não cola:                                Ala Semana de 22  
Você vaiou a bossa-nova n´O Pato.  
A gente, além de não ter escola,  
Essa cultura de massa é um saco-de-gato.
 

Saco-de-gato, saco-de-gato                                Ala Poesia Concreta  
Saco-de-gato, saco-de-gato.

O desentendimento se torna tal que o planeta explode em desacordo, guerra e confusão, dando fim a uma era da vida humana.  

7. CANÇÃO DE NORA (CASA DE BONECAS)
Tom Zé

Homem do Gênesis:                       Sobre o abismo pairava
Deus:
O homem era um dos aliados
Seus.
Era de se ver,
Era de se ver.


Mas Nora ignora os poderes
Reais,
O chicote, a espada e suas leis
Morais.
Era de se ver,
Era de se ver.

E quando decide escrever
                O seu próprio roteiro,
                Quebrar as correntes
                Do secular cativeiro,

Então ela pede
Às forças do sangue
Valia
E logo a sala se torna,
Da sua pessoa,
Vazia.

Coro de Ibsen:                                   Na hora em que Nora
                                                             
Sai, bate a porta
                                                              Abre-se um vão
                                              O céu quase aborta
                                                              A lei que era morta
                                                              Cai no porão.

   

8. O AMOR É UM ROCK
Tom Zé

MÚSICA INCIDENTAL: Meu Primeiro Amor, de Hermínio Gimenez, versão de José Fortuna e Pinheirinho Jr.
 

Jasão chora os filhos mortos:                                Se você tá procurando amor

Deixe a gratidão de lado:
O que que amor tem que ver
Com gratidão, menino,
Que bobagem é essa?
  

Dr. Burgone:                         O amor é egoísta,
Coro de Medéia:                  Sim – sim – sim,
                                                Tem que ser assim.

Dr. Burgone:                        O amor, ele só cuida
Coro de Medéia:                 Si – si – si
                                               Só cuida de si.

 

Dr. Burgone:                       Então quer dizer que o amor é mesmo sem caráter?
Coro de Medéia:                Sim – sim – sim – sim 
                                             
Tem que ser assim,

 

Dr. Burgone:                        E sem caráter, de quem é que ele cuida?
Coro de Medéia:                 Si – si – si    
                                              
Só cuida de si.  

Medéia, Ariadne e Electra: Sem alma, cruel, cretino,
                                                 Descarado, filho da mãe,
                                                 O amor é um rock
                                                  E a personalidade dele é um pagode.

Canto de Ofélia:                 Meu primeiro amor
                                              Tão cedo acabou
                                   Só a dor deixou
                                               Neste peito meu.  

Meu primeiro amor
Foi como uma flor
Que desabrochou
E logo morreu.
Nesta solidão,
Sem ter alegria
O que me alivia
São meus tristes ais.
 

São prantos de dor
Que dos olhos saem
Pois que eu bem sei
Quem eu tanto amei
Não verei jamais.

 

9. DUAS OPINIÕES
Tom Zé 

 

Zélia Bamba: 
                              Ridículo chorar,
                              Patético viver,
                              Paradoxal prazer,
                              Apologia do sofrer.

 

Mônica Sol-Musa:        Leal, fiel,
 Ilusão
 Não sabe quem não quer
1                                                Meu bem chora por ti,

                                                Soluço pra te ver chorar

                                                Cantando venho soluçar.

 

Recitativo-fuxico de Maneco Tatit: Mas meninas, vocês souberam? Foi o pagode, foi o pagode. Foi o pagode, esse alcoviteiro sem vergonha, lascivo, que foi perverter, desviar, desatinar a cabeça de um rei da Inglaterra, que largou a coroa, largou tudo por causa desse pagode. Esse facilitador de namoro! E não respeita uma potência como a Inglaterra! Que sujeito subvertedor da ordem, do respeito, da lei! Até na Inglaterra... 

 

 

Zélia Bamba:        Até na Inglaterra
                                Ele destronou
                                Um rei
                                Que por sua paixão
                                Abandonou o trono
                                E a lei.
                                Até Santo Augustinho
                                Por amor
                                Foi sua presa
                               
E Deus, para esperá-lo
                                Assistiu
                                muita proeza.
                                No pagode,
                                Decoro
                                Não tem lugar;
                                É useiro
                                Vezeiro

Mônica Sol-Musa:   Ôô
                                Aquele 
                                Da sedução
                                Ôô
                                A corte 
                                Deixou de mão
                                Ôô 
                                Viveu 
                                Pecado só
                                Sentiu
                                Em si
                                Carne e pó
                               
É carne
                                Senhor, tem dó
                                De ter em si
                                Pecado e pó

Zélia Bamba e Mônica Sol-Musa:     Em mal ma ma ma ma ma maltratar.

 

10. ELAEU
Tom Zé

 

Gueis A e B:          Elaeu ela ela ela
                                Ela elaeu
                                Elaeu ela ela ela
                                Ela elaeu

Guei A:
                   Ela
                                A coisa medonha
                                Vive se orgulhando
                                Do que me envergonha.

                               
Ela
                                Sendo meu avesso
                                Usa do meu corpo
                                Como endereço
                                E, presa de fraqueza
                                Minha vontade ainda
                                Duela
                                Com ela.
 

Gueis A e B:          Elaela ela ela
                                Ela elaeu
                                Elaeu ela ela ela
                                Ela elaeu.

Guei B:                   Ela
                                Este meu oposto
                                Que a contragosto
                                Tanto me fascina.

                                Ouso
                                Mesmo receoso
                                Procurar seu rosto
                                E louco e sem conselho
                                Pela sua face
                                Me vejo no espelho.

Gueis A e B:          Elaeu ela ela ela
                                Ela elaeu
                                Elaeu ela ela ela
                                Ela elaeu  

11. VIBRAÇÃO DA CARNE
Tom Zé

Coro das mulheres:            Tortura que ela atura com fartura
                                                No viver social,
                                                Então leve uma banana, também social.

                                                Toda vez pela primeira vez
                                                Que o cara sai com a garota, logo ali
                                                No bar tem um rali de tititi,
                                                Amigos dele com ele – com ele, por ele.
                                                De repente, cara, ela encara
                                                Um desaforo inocente – sente só,
                                                Que sai no subliminar do papo
                                                Com alho pelo soalho.
 
                                               
Tortura que ela atura... etc
 

Maneco Tatit:                        Desde criança a mulher
                                                Enfrenta aquela
                                                Dissimulada agressão:
                                                Eram descarados provérbios maldosos,
                                                E duros, naquele tom brincalhão.
                                                E na dureza do escárnio
                                                Se o amor-próprio se parte...
                                                ......................................................

                                                Pode interromper no corpo
                                                Aquela natural vibração da carne,
                                                Gozo da mulher, que se o cara
                                                Não doar atenção – é tarde.
 

 

Coro das mulheres:           Porque a dois, não dá pra viver,
                                                Se somos dois, que seja a valer.
                                                Baião-de-dois não dá, não dá pra fazer
                                                Sem dividir a bênção do prazer.

 

Maneco Tatit:                        Mas o castigo pior, a porrada
                                                Que agora o homem sofreu,
                                                Foi daquele tipo de mulher
                                                Que no seu desespero aprendeu
                                                E tentando imitar
                                                Em atitude vulgar
                                                Repete o idiota do machão
                                                No que ele faz de pior – agora
                                                Por exemplo, ela no volante
                                                A debulhar palavrão – ó senhora!
 

Coro das mulheres:          Porque a dois não dá pra viver... etc