.TODOS OS OLHOS
(1973)
Continental - 1012

 

 
    
  Músicas

  








Músicas    

 
1. CADEMAR   
2. TODOS OS OLHOS 
3. DODÓ E ZEZÉ 
4. QUANDO EU ERA SEM NINGUÉM 
5. BRIGITTE BARDOT 
6. AUGUSTA, ANGELICA E CONSOLAÇÃO  
7. BOTARAM TANTA FUMAÇA 

8. O RISO E A FACA 
9. UM OH! E UM AH! 
10. COMPLEXO DE ÉPICO 

 

1. CADEMAR  
     

Ô ô cadê mar 
ô ô cadê
ôôô cadê mar
ia que não vem
ô ô cadê mar 
ô ô cadê
ôôô cadê ma
ria que não vem.

 

2. TODOS OS OLHOS  
     

De vez em quando 
todos os olhos se voltam pra mim,
de lá do fundo da escuridão,
esperando e querendo 
que eu seja um herói,
que eu seja um herói.

Mas eu sou inocente,
eu sou inocente, 
eu sou inocente.

De vez em quando 
todos os olhos se voltam pra mim,
de lá do fundo da escuridão
esperando e querendo 
que eu saiba.

Mas eu não sei de nada,
eu não sei de ná, 
eu não sei de ná.

De vez em quando 
todos os olhos se voltam pra mim,
de lá do fundo da escuridão
esperando e querendo apanhar,
querendo que eu bata,
querendo que eu seja um Deus.
Mas eu não tenho chicote,
eu não tenho chicó, 
eu não tenho chicó.

Mas eu sou até fraco, 
eu sou até frá,
eu sou até frá.

3. DODÓ E ZEZÉ  
     
-   Por que é que a gente tem que ser
marginal ou cidadão? 
diga, Zezé.
-   É pra ter a ilusão de que pode
pode escolher, 
viu, Dodó?
-   Mas por que é que a gente
tem de viver com esse medo
danado de tudo na vida? 
diga, Zezé.
-   É pra aprender que o medo
é o nosso maior conselheiro, 
viu, Dodó?
-   Sorrisos, creme dental e tudo,
mas por que é
que a felicidade 
anda me bombardeando? 
diga, Zezé.
-   é pra saber que ninguém mais tem
o direito de ser infeliz, 
viu, Dodó?
-   Mas por que é que um Zé qualquer
de vez em quando tem que dar sete
sopapos na mulher? 
diga, Zezé.
-   É pra no outro dia
de manhã cedinho 
vender muito jornal, 
viu, Dodó?
-   Mas por que é, por que é, 
       por que é, e por que é? 
      diga, Zezé.
-   É porque porque, porque
purque purque purque purque, 
viu, Dodó?
 

5. BRIGITTE BARDOT   
     

A Brigitte Bardot está ficando velha,
envelheceu antes dos nossos sonhos.
Coitada da Brigitte Bardot, 
que era uma moça bonita,
mas ela mesma não podia ser um sonho
para nunca envelhecer.
A Brigitte Bardot está se desmanchando
e os nossos sonhos querem pedir divórcio.
Pelo mundo inteiro 
milhões e milhões de sonhos
querem também pedir divórcio
e a Brigitte Bardot agora 
está ficando triste e sozinha.
Será que algum rapaz de vinte anos 
vai telefonar
na hora exata em que ela estiver 
com vontade de se suicidar?
Quando a gente era pequeno, 
pensava que quando crescesse
Ii ser namorado da Brigitte Bardot,
mas a Brigitte Bardot 
está ficando triste e sozinha

4. QUANDO EU ERA SEM NINGUÉM  
     

Ô cadê, cadê você?
Quando eu era sem ninguém
e não tinha amor nenhum,
o meu coração batia, ô maninha,
tum, tum, tum.
Todo mundo arranja um bem:
eu ficando sem ninguém
e o meu coração batendo, ô maninha,
tum, tum, tum.
Você diz que faca corta,
mas navalha corta mais,
e a navalha que mais corta
é a língua dos rapaz.
Tum, tum, tum, tindolelê.
tum, tum, tum, tindolalá.
As moças da minha terra
nunca ficam sem casar,
(porque se passar dos trinta ela tem
Santo Antonio pra ajudar).
                                            
versão anterior à censura:
porque se passar dos trinta ela tem
um muro pra pular.
Toda meia-noite
eu sonho com você.
se você duvidar, posso até
sonhar pra você ver.
Ô cadê, cadê você?
 

6. AUGUSTA, ANGÉLICA E CONSOLAÇÃO 
     

Augusta, graças a Deus, 
graças a Deus,
entre você e a Angélica
eu encontrei a Consolação
que veio olhar por mim 
e me deu a mão.
Augusta, que saudade,
você era vaidosa, 
que saudade,
e gastava o meu dinheiro, 
que saudade,
com roupas importadas 
e outras bobagens.
Angélica, que maldade,
você sempre me deu bolo, 
que maldade,
e até andava com a roupa, 
que maldade,
cheirando a consultório médico,
Angélica.
Quando eu vi
que o Largo dos Aflitos
não era bastante largo
ora caber minha aflição,
eu fui morar na Estação da Luz,
porque estava tudo escuro
dentro do meu coração.
 

7. BOTARAM TANTA FUMAÇA  
     

Botaram tanto lixo,
 botaram tanta fumaça,
Botaram tanto lixo 
por baixo da consciência da cidade,
que a cidade
tá, tá tá tá tá
com a consciência podre,
com a consciência podre.
Botaram tanto lixo, 
botaram tanta fumaça,
Botaram tanta fumaça 
por cima dos olhos dessa cidade,
que essa cidade
tá, tá tá tá tá
está com os olhos ardendo,
está com os olhos ardendo.
Botaram tanto lixo, 
botaram tanta fumaça,
botaram tanto metrô e minhocão
nos ombros da cidade, 
que a cidade
tá, tá tá tá ta.
Está cansada,
sufocada,
está doente,
tá gemendo
de dor de cabeça,
de tuberculose,
tá com o pé doendo,
está de bronquite,
de laringite,
de hepatite,
de faringite,
de sinusite,
de meningite.
Está, se...  
ta tá tá tá tá 
com a consciência podre.
Botaram tanto lixo, 
botaram tanta fumaça,
botaram tanta preocupação 
nos miolos da cidade
que a cidade
tá, tá tá tá tá
está de cuca quente.

8. O RISO E A FACA

    

Quero 
ser o riso 
e o dente,
quero 
ser o dente 
e a faca,
quero 
ser a faca 
e o corte
em um só beijo 
vermelho.

Fiz meu berço 
na viração,
eu só descanso 
na tempestade,
só adormeço 
no furacão.

Eu sou a raiva 
e a vacina,
procura 
de pecado 
e conselho.

Espaço 
entre a dor 
e o consolo,
a briga 
entre a luz 
e o espelho.

Fiz meu berço 
na viração
eu só descanso 
na tempestade,
só adormeço 
no furacão.


9. UM OH! E UM AH!  

     

(Sem texto)

 


10. COMPLEXO DE ÉPICO

     

Todo compositor brasileiro 
é um complexado.
Por que então esta mania danada,
esta preocupação 
de falar tão sério,
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de se chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?

Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!

Por que então esta metáfora-coringa
chamada "válida",
que não lhe sai da boca,
como se algum pesadelo
estivesse ameaçando 
os nossos compassos
com cadeiras de roda, roda, roda?

E por que então essa vontade
de parecer herói 
ou professor universitário
(aquela tal classe
que ou passa a aprender com os alunos
-- quer dizer, com a rua --
ou não vai sobreviver)?

Porque a cobra
já começou 
a comer a si mesma pela cauda,
sendo ao mesmo tempo 
a fome e a comida.


 


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